Presentes no Michuim da Coocam, amigos do agronegócio falaram das dificuldades e da união necessária do setor.
Valdir Colatto, Secretário da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural de Santa Catarina, falou das dificuldades e pediu união. “Em todo estado já realizamos um levantamento das chuvas, já temos três bilhões de reais, em Prejuízos, sem contar a safra que virá. Percorro o estado e já vemos o atraso no plantio da Soja, Milho e com certeza isso vai afetar a produtividade, situações que também acontecem em outras culturas. Estamos ainda em fase de levantamento, de prejuízos e faremos mais avaliações, a fim de mostrar ao Governo do Estado e o Federal o que precisamos para ‘come-çar’. Vamos estender até o final de novembro, a coleta de dados, e temos mais de cinquenta mil propriedades atingidas, tanto no dano animal (Mais de dez milhões de animais mortos), quanto no vegetal. E com isso buscaremos saídas, com programas, para ajudar a manter o agricultor no campo, replantar, e dar toda assessoria em sementes, calcário, recursos, e postergando empréstimos”.
Colatto destacou que o volume de prejuízos no agro em Santa Catarina é grande, e que não há dinheiro. “O Governador Jorginho Mello, planeja, aplicar sim recursos, mas apostará na subvenção de juros para ajudar os pequenos, médios e grandes produtores. Além disso efetuar encaminhamentos, junto aos programas e recursos, por meio dos bancos e entidades. Por meio desse apoio ‘sem juros’, acreditamos que teremos recursos para reconstrução, custeio, e investimento, além das indenizações”.
O secretário, também pediu união aos produtores e que estes se juntem a um movimento nacional de fortalecimento do agro, “Há o movimento ‘Sem Terra’, e acredito que nós precisamos de um movimento ‘Com Terra’, além disso precisamos lutar ainda mais, pelos recursos, pelos Direitos, sobre nossas propriedades, sobre nossos Direitos como cidadãos e para manter o homem no campo. Esse desafio passa por fornecer o que o campo precisa, que é ter acesso a Políticas Públicas, à internet, água, renda, escrituras (Georreferenciamento Fundiário), e com isso, darmos perspectivas, trabalhar juntos em ações para com o Meio Ambiente, melhorar o acesso à energia e estradas, principalmente às vicinais, que levam até o interior, e escoam a produção. Atualmente na secretaria, vemos, que os prefeitos não dão mais conta de realizar melhorias dentro dos municípios. O estado está planejando um avanço nesse sentido e em breve poderemos também investir nessas estruturas de pontes, bueiros, acessos e melhorar também a vida dos nossos produtores.
José Zeferino Pedrozo, Presidente da Faesc (Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina), falou da atuação no setor. “Acompanhamos nos últimos meses, toda essa ‘tristeza’, que o estado e outras regiões estão sofrendo, no que se refere às chuvas. Atualmente estamos comandando também o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Nacional, onde que a cada quatro anos o Conselho Deliberativo elege seu presidente, tendo um rodízio entre Indústria, Comércio e Agricultura, agora o Agro está também dentro deste setor, e trabalhamos nesse contexto, junto a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), para oportunizar e representar. Esse momento é complicado, vivemos em um ambiente climático inédito, e os prejuízos se ‘aglomeram’. Atualmente estamos encontrando caminhos, e com isso queremos ampliar esse atendimento”.
Quanto ao Governo Federal, ‘Zezo’, comentou que o sistema oferece insegurança. “Atualmente só pedimos uma coisa, ‘Nos dê tranquilidade, nos dê segurança, dentro e fora da nossa propriedade, essa é intocável, e a Constituição confirma isso. O que está nos ‘salvando’, são os governadores, que em alguns estados estão determinados. Mesmo assim a situação é ‘tensa’, nos deixa preocupados e sentimos e sabemos que é um governo, que não nos olha, mas terá que conviver, e somos nós que somos responsáveis pelo superávit. Estamos em um movimento de união e isso é cada vez, mais necessário”.
Vanir Zanatta, Vice Presidente da Fecoagro (Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado de Santa Catarina), falou também sobre a necessidade de fortalecimento do setor. “A todo momento, nós como cooperativismo, acompanhamos bastante às chuvas no estado, grãos, frutas, lavouras, plantio de várias necessidades, foram prejudicados. Como federação, já estamos vendo a diminuição da produção e isso, vai acarretar na falta de ‘giro’, para o próximo ano. Quanto ao governo, no estado vemos ações, sendo realizadas, mas os dilemas ainda existem. No estado ainda é necessário uma ‘organização no sistema de logística e recursos’ e no que se refere ao Governo Federal, cada vez mais, não sabemos o que esperar. Nesta semana, recebemos com preocupação a descontinuidade das desonerações em cima da folha de pagamento e isso vai dar um reflexo forte. Temos registro já que se isso não for revertido dará um prejuízo substancial, já que nossa produção também é afetada”.
Vanir também comentou que o andamento de várias ações não está sendo feito como prometido, dentro do âmbito Federal, exemplo é, alguns cadastrados no ‘Plano Safra’, que não estão recebendo o que foi proposto. “Estamos com insegurança jurídica e insegurança dentro do campo. A Fecoagro está trabalhando para melhorar, mas atualmente com todas as dificuldades é difícil gerir essas situações, prejuízos, plantio e outras”.
Neivor Canton, Presidente da Aurora e representante da Ocesc (Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina), abordou o cooperativismo como solução e apoio aos produtores. “Vivemos em um momento difícil, mas o cooperativismo é o que está salvando nosso setor, essa união de pessoas. Temos sim a preocupação de produzir os alimentos, e que esses cheguem à mesa dos brasileiros. Estamos buscando ampliar nossa ‘criatividade’, queremos cada vez mais, que os produtores se autossustentem, e se mantenham dentro da sua atividade. Não queremos mais ’redução’ de produção ou escala, queremos sim que todos evoluam. Não temos tempos de ‘melhor consumo’, mas sei que estaremos aos poucos crescendo”.
Esperidião Amin, Senador da República, falou da complexidade atual. “Nós estamos no Congresso e lá, dia após dia, estamos evoluindo, já tivemos passos firmes este ano e positivos, e queremos continuar a dar estes passos. Trabalharemos para ‘derrubar’, o veto do Presidente ao Marco Temporal, e também a subsidiar todos os recursos que temos direito. Sabemos da situação do nosso estado e do agronegócio e essas ‘dificuldades’, aposto, serão superadas, com força e com responsabilidade”.
Altair Silva, Deputado Estadual, representando a Assembleia Legislativa, destacou a atuação da Alesc. “Estamos sim, de olho nas dificuldades, e também criando ferramentas para melhorar o setor do agronegócio. Tivemos um ano de preços baixos no campo, crise do leite, chuvas, mas o agro sempre viveu superando desafios. Precisamos que a voz do agro, seja mais ouvida. O congresso e o governo precisam olhar para este setor, e não o desprezar”.
*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1807 de 30 de novembro de 2023.






