Mês é especial e busca conscientizar e promover a saúde dos bebês e das mães.
O leite materno é o alimento mais completo e equilibrado para os bebês, fornecendo todos os nutrientes necessários para um crescimento saudável e proteção contra diversas doenças. Além disso, o ato de amamentar fortalece o vínculo entre mãe e filho, promove o desenvolvimento emocional da criança e contribui para a saúde materna
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida do bebê, seguido pela introdução gradual de alimentos complementares até os dois anos ou mais. É importante que as mães recebam apoio e orientação adequados para uma amamentação bem-sucedida.
Além de ser uma fonte rica em vitaminas, minerais e anticorpos, o leite materno é facilmente digerido pelo bebê, promovendo um desenvolvimento adequado do sistema digestivo.
Para as mães, amamentar também traz benefícios significativos. O ato de amamentar ajuda no processo de recuperação pós-parto, reduzindo o risco de hemorragias e contribuindo para a contração do útero.
O Jornal O Celeiro, conversou com o enfermeiro Wanderson Luís Teixeira, especialista em ginecologia e obstetrícia, mestre em Enfermagem na Atenção Primária à Saúde pela UDESC, doutorando em enfermagem pela UFSC e enfermeiro obstetra na Fundação Hospitalar Dr. José Athanázio – FHJA em Campos Novos – SC e no Hospital Universitário Santa Terezinha – HUST em Joaçaba – SC, sobre os benefícios e desafios da amamentação.
“Durante os nove meses de gestação, a mulher se prepara para o nascimento do seu bebê. Porém, o imaginado e desejado pela mãe durante esse período é completamente diferente daquele que nasce no fim da gestação. Nesse aspecto, muitas mulheres enfrentam dificuldades, dúvidas e frustrações nesse período, que podem afetar sua autoestima, sua confiança e sua saúde mental. Uma das principais causas desses problemas é a discrepância entre as expectativas e a realidade da maternidade. Muitas vezes, as mulheres idealizam a amamentação como um momento mágico e natural, que acontece de forma espontânea e sem complicações. No entanto, na prática, elas podem se deparar com situações como: Dor nos seios, fissuras nos mamilos, ingurgitamento mamário (seios muito cheios), mastite (inflamação das glândulas mamárias) e candidíase mamária (infecção por fungos), dificuldade na pega correta do bebê (forma como ele abocanha o seio), que pode interferir na quantidade e na qualidade do leite produzido, baixa produção ou excesso de leite, que pode causar desconforto tanto para a mãe quanto para o bebê, interferência de fatores externos, como pressão familiar, social ou profissional, falta de informação ou orientação adequada, mitos e crenças sobre a amamentação, uso de bicos artificiais (chupetas ou mamadeiras) ou introdução precoce de outros alimentos, sentimentos ambivalentes em relação à amamentação, como culpa, medo, ansiedade, tristeza, raiva ou rejeição. Essas situações podem gerar um grande sofrimento para a mulher, que pode se sentir incapaz, frustrada e decepcionada com a maternidade. Por isso, é importante que ela tenha uma preparação adequada durante a gestação, tanto física quanto psicológica, para enfrentar esses desafios com mais segurança e tranquilidade”.
De acordo com Wanderson, uma das formas de se preparar para a amamentação é contar com uma rede de apoio que possa oferecer suporte, informação, orientação e acolhimento para a gestante e a puérpera (mulher que acabou de dar à luz). Ela é fundamental para ajudar a mulher a lidar com as questões emocionais que envolvem a maternidade, que podem ser intensas e complexas, como: Mudanças na identidade, autoimagem, rotina, relações afetivas e no papel social da mulher, adaptação à nova realidade, expressão dos sentimentos e das emoções vivenciados nesse período, busca por autocuidado, autoconhecimento e autoconfiança.
“Para que o aleitamento materno ocorra de forma continuada, muito importante considerar que a mãe precisa de apoio não só de profissionais da saúde como da família, do parceiro e do ambiente de trabalho. Esse auxílio social é chamado de rede de apoio e é muito importante para o sucesso da amamentação. Essa contribuição social impacta na vida das mulheres que amamentam, no desenvolvimento dos filhos e, consequentemente, um retorno para sociedade na medida em que a amamentação é fundamental para a saúde do bebê e da mãe, sendo que o leite, além de alimento, contribui para o desenvolvimento da criança e a protege de doenças, como infecções, diarreia e até asma, favorecendo um contato mais íntimo entre a mãe e o bebê. Ainda, sugar o peito é um excelente exercício para o desenvolvimento da face da criança, ajuda a ter dentes bonitos, a desenvolver a fala e a ter uma boa respiração” destacou.
*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1841 de 08 de agosto de 2024.







