Ano foi desafiador para produtores, autoridades comentam sobre cenário.
O agronegócio em Santa Catarina é um dos pilares da economia estadual, caracterizando-se pela sua diversidade e robustez. O estado se destaca como um dos maiores produtores de alimentos do Brasil, especialmente na produção de carnes, leite, grãos e hortifrutigranjeiros. Santa Catarina é líder nacional na produção de suínos e aves, o que não apenas contribui para a segurança alimentar do país, mas também gera uma significativa quantidade de empregos e renda para a população local.
Além da produção animal, a agricultura desempenha um papel crucial na economia do estado. Culturas como milho, soja e tabaco são fundamentais, e a presença de cooperativas agrícolas fortalece a organização dos produtores, permitindo melhor acesso a mercados e promovendo práticas colaborativas que beneficiam todos os envolvidos.
Nos últimos anos, o setor agrícola enfrentou desafios significativos, como a necessidade de inovação tecnológica e práticas sustentáveis, além da adaptação às mudanças climáticas.
No entanto, Santa Catarina tem investido em pesquisa e desenvolvimento para melhorar a produtividade e a qualidade dos produtos agropecuários. A integração entre as cadeias produtivas e o foco na exportação têm sido tendências importantes que ajudam a consolidar o estado como um ator relevante no agronegócio brasileiro e internacional.
Durante a 30ª edição do Michuim da Coocam, um encontro que reuniu cerca de mil pessoas entre associados, produtores, autoridades e imprensa de diversos estados como Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso, o presidente da Coocam, João Carlos Di Domenico que também ocupa cargos na Aprosoja Brasil e na Aprosoja de Santa Catarina fez uma análise do cenário atual da produção de soja no estado.

SOJA EM SC
João Carlos destacou que Santa Catarina está finalizando o plantio de soja e que o plantio de trigo está quase concluído. Embora o plantio normalmente se encerre em novembro, ele mencionou que dezembro é um mês atípico para essa atividade.
As lavouras estão se desenvolvendo bem este ano devido às boas chuvas e ao clima favorável. Ele observou que, apesar de alguns pequenos percalços, nada se compara aos problemas enfrentados nos anos anteriores com secas severas. A expectativa é otimista para uma grande safra tanto de soja quanto de milho no Brasil.
EXPECTATIVAS
Em relação aos preços da soja, João Carlos comentou que as oscilações são inevitáveis devido à dinâmica entre oferta e demanda. Ele acredita que não haverá grandes aumentos nos preços e enfatizou a importância de focar na produção.
Para ele, é essencial cuidar dos custos operacionais para garantir uma boa colheita. Um preço alto não é vantajoso se o produtor não tiver soja suficiente para vender devido a uma safra ruim. Ele afirmou que os produtores estão se adaptando continuamente para reduzir custos e aumentar a produtividade, reconhecendo que essa tarefa é desafiadora.
INVESTIMENTOS E DESAFIOS
João Carlos observou que os investimentos na importação de soja neste ano não superaram os do ano anterior. No ano anterior à atual safra, os altos custos impactaram negativamente as vendas.
Contudo, ele notou uma melhoria nas relações de troca entre produtos como fertilizantes e defensivos agrícolas devido à queda nos preços de muitos insumos. Apesar dessas melhorias, as despesas fixas permanecem elevadas.
Por fim, ele ressaltou que a rentabilidade dos produtores brasileiros ainda está abaixo do ideal para a produção de grãos. O câmbio volátil também continua sendo uma fonte de incerteza para os agricultores catarinenses.
Esse panorama revela tanto as potencialidades quanto os desafios enfrentados pelo agronegócio em Santa Catarina, destacando a resiliência dos produtores locais diante das adversidades.
PALAVRA DO SECRETÁRIO

O Secretário de Agricultura de Santa Catarina, Valdir Colatto, que esteve presente no Michuim, destacou a relevância do evento para a Coocam e a região. Ele ressaltou que sua participação visava coletar informações sobre o setor agropecuário e discutir temas importantes, como normas ambientais e trabalhistas.
- Desafios: Colatto apontou que um dos principais desafios do setor são as regulamentações que não refletem a realidade do campo, elaboradas por pessoas distantes da produção rural. Ele enfatizou a necessidade de aumentar o investimento na agricultura, que representa 30% do PIB nacional, mas recebe apenas 2% do orçamento estadual.
- Infraestrutura e sucessão rural: Ele destacou a importância de melhorar a infraestrutura rural e abordou uma preocupação alarmante: menos de 5% das propriedades rurais têm sucessores jovens.
“Para garantir a continuidade da agricultura nos próximos anos, é essencial valorizar o trabalho no campo e assegurar a próxima geração de agricultores” comentou.
uPermanência: Sobre sua permanência no cargo, Colatto mencionou o compromisso do governador em permitir que o setor agro indicasse o secretário. Ele aguarda a decisão do governo sobre essa questão e enfatiza a necessidade de um profissional capacitado para lidar com as complexidades da agricultura em Santa Catarina.
- Programas e regularização fundiária: A Secretaria da Agricultura tem implementado diversos programas, com mais de R$ 400 bilhões em incentivos, e está focada na regularização fundiária por meio do georreferenciamento das propriedades. Colatto afirmou que Santa Catarina é um exemplo na produção agrícola e que está trabalhando para fortalecer a equipe da secretaria, garantindo assim a excelência na produção rural.
AVALIAÇÃO DA FAESC/SENAR

Para José Zeferino Pedroso, Presidente da Faesc (Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina), e do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural).
“Apesar das adversidades que enfrentamos, o agronegócio catarinense segue consolidado como um dos principais polos agropecuários do Brasil. Neste ano fortalecemos nossa atuação junto ao produtor rural e promovemos diversas ações que trouxeram benefícios significativos ao segmento”.
“É gratificante saber que o Sistema contribuiu para promover avanços nos negócios do campo com ações de representação e defesa ao produtor e iniciativas que foram essenciais para o aperfeiçoamento da gestão, bem como para a implementação de tecnologias e inovações nas propriedades. Os relatos que recebemos nos mostram que impactamos positivamente na produtividade, na qualidade de vida e na melhoria da renda”.
“Mesmo em meio às adversidades, evoluímos e seguiremos em 2025 com o compromisso de promover o desenvolvimento sustentável e competitivo.
APOIO A TODA A AGRICULTURA
“Complexidade parece ser o termo que melhor define os novos tempos. Avanços da ciência e da tecnologia provocam mudanças e transformações em todas as áreas da atividade humana e em todos os setores da economia. No plano interno, algumas mudanças são revolucionárias, distópicas e disruptivas.
No plano externo, intermináveis conflitos bélicos rompem importantes cadeias de suprimento, tumultuam o comércio internacional e colocam o planeta em alerta, ao mesmo tempo em que uma crise climática e ambiental assola todos os continentes.
A agricultura catarinense – expressão do setor primário da economia – sofre essas influências em toda a sua plenitude, pois é área sensível e de intensa aplicação da tecnologia. Aqui, o conhecimento científico e sua racional utilização pelos empresários rurais, produtores e empreendedores do campo resultam em elevação da produção, da produtividade e da proteção dos recursos naturais.
Nesse contexto, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC) atuam de modo contínuo, intenso e articulado para a permanente qualificação técnica e profissional do imenso capital humano formado pelos produtores rurais e suas famílias, trabalhadores e empresários para o enfrentamento dos novos desafios.
Ao mesmo tempo, o Sistema Faesc/Senar promove a defesa técnica, política e institucional para que receba as melhores políticas públicas e a melhor atenção de todas as esferas da Administração Pública, visto que o sucesso do setor está diretamente ligado à paz social proporcionada pela oferta de alimentos fartos e acessíveis e ao crescimento econômico, pois a regularidade do abastecimento mantém a inflação sob controle e afasta o espectro da fome.
Produzir de modo eficiente e sustentável para a perenização das cadeias produtivas de grãos, lácteos, carnes, pescados, frutas etc. constitui-se em passaporte para que as futuras gerações tenham tranquilidade para evoluir.
Todo o apoio à agricultura e ao agronegócio é necessário porque, ao mesmo tempo em que é essencial, é vulnerável a múltiplos fatores incontroláveis e imprevisíveis como clima, mercado, pragas, epizootias e zoonoses, crises políticas e conflitos internacionais. Enfim, o sucesso da agricultura é o sucesso do País.
*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1860 de 19 de dezembro de 2024.






