A Quaresma é um tempo de reflexão, conversão e preparação para a Páscoa. Dentro desse contexto, a Campanha da Fraternidade surge anualmente como um convite da Igreja para que a sociedade volte seu olhar para questões relevantes. Em 2025, o tema escolhido pelos bispos do Brasil é “Fraternidade e Ecologia Integral”.
O Jornal O Celeiro conversou com o padre

, pároco da Paróquia São João Batista de Campos Novos, que explicou a proposta do tema e sua relação com o meio ambiente.
Segundo ele, a escolha foi inspirada em marcos como os 10 anos da Carta Encíclica Laudato Si, os 800 anos do Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis, a COP 30 que acontecerá em Belém/PA e o Jubileu da Encarnação de Jesus Cristo.
“A Ecologia Integral nos chama a uma mudança na forma como nos relacionamos com o meio ambiente e uns com os outros. Tudo está interligado, e os impactos ambientais refletem diretamente na vida das pessoas”, afirmou o padre Dirceu Rocco.
A Campanha da Fraternidade 2025 traz um debate sobre a relação entre sociedade e meio ambiente. O papa Francisco menciona que o mundo é um “mistério gozoso que contemplamos na alegria e no louvor”, ressaltando a necessidade de observar essa conexão com atenção.
REFLEXÃO E AÇÃO: O PAPEL DA COMUNIDADE
Além da reflexão, a Campanha da Fraternidade propõe iniciativas práticas. O padre Dirceu sugere que a Igreja atue como agente de conscientização.
“As crianças da catequese, os grupos de jovens, as pastorais sociais podem promover ações de educação ambiental, como o descarte correto do lixo e o incentivo à preservação da natureza”, destacou.
A proposta também inclui parcerias com escolas, entidades industriais e o poder público. Muitas vezes, percebe-se mudanças no clima e buscamos explicações, mas é importante também discutir o papel das ações humanas nesses processos.
Entre as ações concretas sugeridas, estão campanhas de conscientização sobre o descarte correto de resíduos, programas de reciclagem e incentivo ao replantio de árvores em áreas de preservação ambiental. Além disso, a criação de projetos educativos dentro das escolas pode ajudar as novas gerações a desenvolverem uma consciência ambiental mais sólida.
Outro ponto destacado pelo padre Dirceu é a necessidade de envolver toda a comunidade. “Não basta que apenas alguns se engajem. Precisamos de um esforço coletivo. As famílias podem adotar práticas simples, como reduzir o desperdício, economizar água e optar por um consumo mais sustentável”, explicou.
A Igreja também pretende estimular ações permanentes, como mutirões para limpeza de espaços públicos, reflorestamento de áreas degradadas e campanhas para reduzir o consumo excessivo de plástico. Algumas comunidades já têm iniciativas similares, como hortas comunitárias e feiras de troca de produtos sustentáveis, e podem servir de exemplo para outras paróquias que queiram aderir ao movimento.
Além disso, a Campanha da Fraternidade reforça a importância do compromisso da Igreja com questões sociais e ambientais, buscando ampliar o diálogo com diferentes setores da sociedade. O envolvimento de lideranças comunitárias, educadores e organizações ambientais pode fortalecer ainda mais essa mobilização.
Os desafios ambientais contemporâneos exigem uma resposta coletiva. A degradação do meio ambiente, o desmatamento e as mudanças climáticas são questões que impactam diretamente a vida de todos. A Igreja propõe que a Campanha da Fraternidade seja um momento de despertar para a responsabilidade individual e coletiva na construção de um mundo mais sustentável.
Paróquias de diversas regiões do Brasil já começaram a planejar atividades que envolvem desde palestras sobre sustentabilidade até ações de recuperação de áreas verdes. A ideia é que essas iniciativas se tornem permanentes e façam parte do cotidiano das comunidades.
A Campanha da Fraternidade 2025 não se limita ao período quaresmal. A ideia é que o tema inspire ações contínuas e reflexões sobre práticas ambientais que possam ser incorporadas ao dia a dia das pessoas. A passagem bíblica “Deus viu que tudo era muito bom” (Gênesis 1,31) remete ao cuidado com a criação e ao compromisso com o meio ambiente. Com esse propósito, a Igreja busca incentivar uma mudança de atitude que vá além da teoria e se torne parte da realidade de cada um.






