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Brasil e Índia discutem integração entre Pix e UPI para transações sem dólar

O Brasil e a Índia estão negociando a criação de um sistema que permita a integração direta entre o Pix e o UPI (Unified Payments Interface), seus respectivos meios de pagamento instantâneo. A proposta, revelada em portal Coingeek, visa permitir transações entre os dois países usando real e rúpia, sem necessidade de conversão em dólar.

A medida faz parte de uma estratégia mais ampla do grupo BRICS — formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — para fortalecer o uso de moedas locais e reduzir a influência do dólar em transações internacionais.

Pix e UPI: soluções digitais que revolucionaram seus países

O Pix, criado em 2020 pelo Banco Central do Brasil, já ultrapassou a marca de 160 milhões de usuários. No Brasil, tornou-se rapidamente o método de pagamento preferido da população, com bilhões de transações realizadas mensalmente.

Na Índia, o UPI surgiu em 2016 e se consolidou como um dos sistemas mais sofisticados do mundo. Movimenta volumes diários que, isoladamente, superam o Produto Interno Bruto de diversos países — um feito que reforça seu papel central na economia digital indiana.

Ambas as plataformas oferecem transferências instantâneas, gratuitas e operam 24 horas por dia, inclusive nos fins de semana. O plano conjunto é permitir que um usuário envie valores em reais no Brasil e que o destinatário receba diretamente em rúpias na Índia — e vice-versa — sem conversão prévia para dólar.

Acordo ganha força com apoio técnico e político

Segundo fontes diplomáticas, autoridades financeiras dos dois países estão em tratativas para estruturar a interoperabilidade entre os sistemas. A proposta já teria recebido apoio político e técnico e pode ser testada inicialmente em caráter experimental.

O piloto deve abranger:

  • remessas de recursos entre familiares,

  • compras online transnacionais,

  • pagamentos de serviços prestados remotamente.

Em uma segunda fase, a iniciativa poderá beneficiar empresas envolvidas em exportações e importações, contribuindo para redução de custos com câmbio e maior agilidade nas liquidações.

Comércio bilateral pode ganhar novo impulso

Atualmente, o comércio entre Brasil e Índia movimenta cerca de US$ 15 bilhões por ano. O Brasil exporta majoritariamente petróleo, óleo de soja e açúcar. Já a Índia envia para cá medicamentos, fertilizantes e bens industriais.

Com a integração entre Pix e UPI, as transações comerciais ganhariam:

  • mais previsibilidade,

  • menos exposição ao risco cambial,

  • e economia em taxas bancárias.

Economistas apontam que essa mudança pode incentivar novas empresas a explorar oportunidades na rota Brasil–Índia, especialmente pequenas e médias que hoje enfrentam barreiras de custo e complexidade.

Uma peça no quebra-cabeça da desdolarização

O projeto não surge isolado. Ele faz parte de um movimento mais amplo dentro do BRICS para reformular os mecanismos de pagamentos globais. Entre as propostas discutidas pelo bloco estão:

  • ampliação do uso de moedas locais,

  • criação de plataformas próprias de liquidação,

  • desenvolvimento de moedas digitais de bancos centrais (CBDCs).

Especialistas avaliam que, embora iniciativas como Pix-UPI não representem uma ameaça imediata ao dólar, elas enfraquecem gradualmente a dominância da moeda americana, ao criar redes alternativas para países emergentes.

Obstáculos técnicos e desafios regulatórios

Apesar da compatibilidade tecnológica entre Pix e UPI, alguns entraves precisam ser superados:

  • harmonização regulatória, principalmente em temas como compliance e combate à lavagem de dinheiro;

  • definição de taxas de câmbio estáveis entre real e rúpia;

  • governança operacional, incluindo regras de auditoria, segurança e gerenciamento de riscos.

Mesmo assim, o projeto avança como um gesto simbólico forte de cooperação sul-sul e independência econômica.

Tecnologia como diplomacia

A possível integração entre os dois sistemas também reforça o uso da inovação digital como ferramenta diplomática. Ao conectar soluções domésticas de sucesso, Brasil e Índia sinalizam que países em desenvolvimento podem tomar iniciativas próprias, práticas e eficazes, para enfrentar a centralização do sistema financeiro internacional.

Fonte: Coingeek – Imagem: Freepik – slon.pics

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