O governo dos Estados Unidos se prepara para conduzir uma investigação inédita sobre a presença e o impacto dos investimentos chineses no setor agrícola brasileiro. A medida consta do Intelligence Authorization Act (IAA) para o ano fiscal de 2026, proposta legislativa que define o orçamento e as prioridades das agências de inteligência norte-americanas, como a CIA e a NSA.
Segundo reportagem do Valor Econômico, o texto aprovado pela Comissão de Inteligência do Senado no último dia 17, e de autoria do senador republicano Tom Cotton (Arkansas), inclui o Brasil na seção dedicada à China, apontando preocupações sobre possíveis implicações estratégicas para a cadeia global de suprimentos e a segurança alimentar.
Foco da investigação
O projeto determina que, até 60 dias após a promulgação da lei, a diretora nacional de inteligência, Tulsi Gabbard, deverá, em consulta com o secretário de Estado Marco Rubio e a secretária de Agricultura Brooke Rollins, elaborar um relatório detalhado sobre:
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O grau de envolvimento do governo chinês no setor agrícola brasileiro;
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A eventual participação direta do presidente Xi Jinping em negociações com autoridades brasileiras;
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O volume e a natureza dos investimentos de empresas controladas pelo governo chinês no Brasil, incluindo joint ventures com companhias nacionais;
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Possíveis impactos desses investimentos sobre o mercado global e a segurança alimentar.
O documento final deverá ser entregue em até 90 dias após a entrada em vigor da lei, em versão pública e com possibilidade de um anexo confidencial.
Trâmite legislativo
Após a aprovação na Comissão de Inteligência, formada por nove republicanos e oito democratas, a proposta segue para votação no plenário do Senado e, posteriormente, para a Câmara dos Representantes. O objetivo é concluir todo o processo antes de 1º de outubro de 2025, data de início do novo ano fiscal nos EUA.
Embora ainda possa sofrer alterações, a aprovação inicial com apoio bipartidário aumenta as chances de manutenção do texto.
Contexto Brasil–China
A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009. Em novembro de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu Xi Jinping no Palácio da Alvorada para assinatura de 37 acordos de cooperação, incluindo a abertura de quatro novos mercados agropecuários.
O aprofundamento da relação entre Brasília e Pequim, especialmente no agronegócio, é visto por Washington como um movimento de peso estratégico na disputa por influência global.
Fonte: Gazeta do povo / Foto: Freepik – slon e natanaelginting


