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Queda no preço do arroz preocupa setor e pode afetar próxima safra, aponta SindArroz

A forte queda no preço do arroz no mercado interno tem acendido um alerta entre produtores e indústrias do setor orizícola. De acordo com o Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC), o cenário atual, marcado pelo aumento da oferta e pela retração da demanda, ameaça a sustentabilidade da cadeia produtiva e pode impactar diretamente a próxima safra.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que a produção brasileira atingiu 12,3 milhões de toneladas em 2024, superando a estimativa inicial de 11,7 milhões. No Mercosul, o volume também foi maior que o previsto: a expectativa era de 16,5 milhões de toneladas, mas o bloco ultrapassou 17 milhões, segundo números do AgroDados Inteligência em Mercados de Arroz.

Estoques elevados e consumo em queda

O presidente do SindArroz-SC, Walmir Rampinelli, e o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), Renato Franzner, destacam que a oferta elevada pressionou os estoques em todos os elos da cadeia. Ao mesmo tempo, há uma redução no consumo interno, especialmente entre as novas gerações, que têm substituído o arroz por outros alimentos.

Leia também: Santa Catarina tem safra recorde de grãos em 2025 com alta de 20,7%

A conjuntura internacional também influencia: a reabertura das exportações da Índia e o aumento da competitividade dos Estados Unidos reforçaram a pressão sobre o mercado global. Com o câmbio desfavorável, o Brasil reduziu suas exportações, levando os preços internos a cair para cerca de R$ 60 a saca de 50 kg em determinadas semanas.

Impactos para a safra 2025/26

A semeadura da próxima safra, prevista para começar entre agosto e setembro, pode ser comprometida. Segundo Rampinelli, muitos produtores podem reduzir investimentos em insumos essenciais, como adubos e ureia, devido aos preços baixos, o que afetaria a produtividade e a qualidade dos grãos.

“Santa Catarina poderá manter sua produtividade, desde que o clima se mantenha favorável. Porém, diante dos preços baixos, os agricultores devem buscar alternativas para reduzir custos, o que pode comprometer a eficiência produtiva”, alerta o presidente do SindArroz-SC.

Indústrias pressionadas

As indústrias orizícolas, elo central entre o campo e o consumidor, também enfrentam dificuldades. Com margens reduzidas e estoques elevados, operam em um ambiente de alta complexidade.

“Até a próxima safra devemos permanecer em um empate, mas precisamos de preços mais atrativos para o próximo ciclo. Queremos que o arroz se mantenha em um patamar justo, sem tantos picos de oscilação. Hoje, as margens estão muito apertadas”, afirma Rampinelli.

Caminhos para equilibrar o mercado

De acordo com a Abiarroz, duas alternativas estão em análise para tentar restabelecer o equilíbrio de preços:

  • Aumentar exportações – com o programa Brazilian Rice, em parceria com a ApexBrasil, já foram abertos mercados na América Latina, além de negociações com países da África e do Oriente Médio. 
  • Criar estoque regulador – por meio de compras governamentais realizadas pela Conab, que poderiam ser utilizadas em futuras safras com frustração de produção. 

Além disso, uma campanha nacional de incentivo ao consumo do arroz será lançada em setembro, com foco nas novas gerações, ressaltando o valor cultural, nutricional e social do grão.

“Estruturamos um fundo para essa ação e acreditamos que a sensibilização da sociedade é fundamental para garantir a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva”, conclui Franzner.

Fonte: Rádio Araranguá / Foto: Freepik – aleksandarlittlewolf

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