Os preços do algodão seguem em trajetória de baixa no mercado internacional e nacional, refletindo o cenário de oferta elevada e demanda enfraquecida. Nesta quinta-feira (4), o contrato para dezembro de 2025 na Bolsa de Nova York recuava 0,50%, sendo negociado a US$ 65,83 centavos por libra-peso. Especialistas apontam que a pressão deve continuar nos próximos meses.
Fatores globais que impactam o algodão
Segundo análises do Itaú BBA, a queda está relacionada a uma combinação de fatores: excesso de oferta, baixo crescimento econômico mundial e incertezas comerciais. Além disso, tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos têxteis de países asiáticos — como Vietnã e Bangladesh — tornam os produtos mais caros no mercado americano, reduzindo a demanda por vestuário e, consequentemente, pelo algodão.
Outro ponto é o enfraquecimento do mercado de petróleo, que afeta a competitividade das fibras naturais frente às sintéticas. Para a safra 2025/26, espera-se que os estoques globais atinjam 16,8 milhões de toneladas, o maior volume desde a pandemia, quando o mundo acumulava 18,2 milhões.
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Produção em diferentes países
Nos Estados Unidos e no Brasil, a expectativa é de crescimento da produção. Já China e Índia devem registrar safras menores, mas ainda robustas o suficiente para não ampliar significativamente suas importações. Isso contribui para um mercado sem estímulos para elevação de preços no curto prazo.
Reflexos no mercado interno brasileiro
No Brasil, o efeito também já é sentido. Pelo terceiro mês consecutivo, agosto fechou em queda, com o indicador Cepea/Esalq (pagamento em 8 dias) recuando 5,49%, encerrando o mês a R$ 3,90 por libra-peso. A média mensal foi de R$ 3,97, representando queda de 3,49% em relação a julho e de 3,44% frente a agosto do ano passado — o menor valor real desde novembro de 2024.
Pesquisadores destacam que, devido ao atraso da safra, boa parte dos lotes disponíveis está sendo direcionada ao cumprimento de contratos a termo, o que reduz a oferta, principalmente de fibras de qualidade superior.
Recomendações para produtores
Diante desse cenário desafiador, a consultoria Markestrat recomenda que os agricultores considerem alternativas de comercialização. Entre as opções estão as travas de preços e a busca por contratos diferenciados que minimizem riscos. A recuperação, segundo especialistas, dependerá de uma retomada mais consistente da demanda, seja no Brasil ou no exterior.


