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Camponovense compartilha, jornada pelo Caminho de Santiago de Compostela

Rafael Carvalho falou ao Jornal O Celeiro relatando experiência de vida e fé.

O camponovense Rafael Carvalho compartilhou com o jornal O Celeiro a experiência de caminhar o Caminho de Santiago de Compostela, uma das peregrinações mais antigas e conhecidas do mundo.

A rota, que combina história, fé e turismo, tem como destino a cidade de Santiago de Compostela, cujo centro histórico é Património Mundial da UNESCO desde 1985.

“Eu conheço o Caminho desde a minha adolescência. O Caminho está aqui há mais de mil anos: começou como rota comercial e se transformou num caminho de peregrinação e fé. Hoje é uma mistura de muitas coisas: religiosidade, misticismo, desafio desportivo, reencontro pessoal”, comenta.

A ROTA ESCOLHIDA

O Caminho Francês, a rota mais conhecida do percurso, foi a opção escolhida por Rafael. Ela tradicionalmente parte de Saint-Jean-Pied-de-Port, na França, e segue pelos Pireneus até a Espanha.

“Eu fiz o caminho francês. Ele se inicia em Saint-Jean-Pied-de-Port e vai até Santiago de Compostela. Dizem que dá 856 quilômetros, mas essa precisão eu vou ter só quando chegar lá, estou monitorando pelo GPS do relógio”, explica.

Ele descreve o traçado como dividido em etapas: “Eles dividem o caminho em 33 etapas, 33 dias”, e ressalta a diversidade do terreno, que inclui estradas de pedra, trilhas por florestas e trechos de serra.

“A primeira parte foi a mais difícil: de Saint-Jean a Roncesvalles foram quase 30 quilômetros, muitos morros, subida parecida com a nossa Serra do Rio do Rastro. Peguei muita chuva, vento, frio… cheguei todo molhado e cansado. Mas é uma experiência marcante.”

ENCONTRO E TROCAS PELO CAMINHO

O que torna a peregrinação tão especial não é apenas a paisagem ou a história, mas principalmente o convívio com outros caminhantes.

“O encanto do caminho está nas pessoas. Você encontra gente do mundo inteiro: australianos, neozelandeses, taiwaneses, coreanos, chineses, malaios, muitos americanos, italianos, suecos, ucranianos”, comenta.

Em um único dia, ele tomou café com um canadense, encontrou uma brasileira de Americana (SP), outra de Blumenau que mora há 17 anos na Austrália e conversou longamente com uma peregrina da Coreia do Sul. Os donos do albergue eram italianos, e o jantar coletivo que ali aconteceu se transformou em uma oportunidade de trocas culturais e histórias de vida entre os caminhantes.

Ao longo da jornada, Rafael também conheceu um casal da Nova Zelândia que reencontrou várias vezes, uma família americana com duas filhas de 9 e 10 anos que seguiu em ritmo das meninas, e um casal que faz o caminho de bicicleta com um filho pequeno.

“Tem italiano de 79 anos que vai fazer 80 no final de setembro. Em Logroño, um recepcionista comentou que este ano até duas pessoas com mais de 90 anos passaram por ali. Você olha para isso e pensa: por que eu reclamo?”

UMA JORNADA DE AUTOCONHECIMENTO

Mais do que uma viagem, o Caminho tem sido para ele um exercício de fé e autoconhecimento.

“Muitos vêm em busca de um reencontro com Deus, outros por desafio, outros por algo místico. Eu saí de Campos Novos sem uma resposta completa. Caminhando, às vezes sozinho e enfrentando frio, chuva e longos trechos, a resposta foi chegando.”

Ele reconhece o impacto da experiência na vida familiar: ficar longe do filho de 10 anos, embora difícil, tem sido também um processo de independência para ambos.

O planejado é que a chegada a Santiago coincida com o seu aniversário, transformando o destino em um marco pessoal.

Ele ainda pretende permanecer na Europa por cerca de cinquenta dias, visitando outros lugares e, talvez, realizando outra caminhada.

Apesar da ideia inicial de manter a viagem discreta, ele acabou compartilhando momentos no Instagram e planeja, após o retorno, produzir um material mais completo com as histórias que não cabem nas redes sociais.

O DESTINO FINAL: A CATEDRAL E O TÚMULO DE SANTIAGO

O percurso culmina na Catedral de Santiago de Compostela, onde, segundo a tradição cristã, estão os restos do apóstolo Tiago Maior (Santiago). A catedral e os monumentos ao redor formam o núcleo histórico que transformou a cidade em um dos destinos de peregrinação mais importantes da Europa.

“É uma experiência de vida incrível. Você encontra peregrinos de todas as idades e volta para casa com outra visão do mundo. Se todos tivessem a oportunidade de viver isso, acredito que muita gente mudaria a forma de encarar a vida”, conclui.

*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1898 de 02 de Outubro de 2025.

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