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Projeto de arborização com extremosas completa 41 anos em Campos Novos

Projeto de arborismo na cidade não passa despercebido aos olhos, mas demanda de atualização.

Há 41 anos, uma iniciativa voluntária liderada por jovens do Rotaract Clube de Campos Novos marcou a paisagem urbana do município. Em 1985, cerca de 300 mudas de árvores ornamentais da espécie extremosa foram plantadas em ruas centrais da cidade, em um projeto inédito à época, idealizado pelo então presidente do Rotaract, Luiz Fernando Rambo.

O Jornal O Celeiro conversou com Rambo, que relembra os detalhes da ação, os objetivos do projeto e o impacto ao longo das décadas.

Luiz Fernando Rambo integrou o Rotaract Clube por aproximadamente 10 a 12 anos, período em que o grupo reunia entre 30 e 40 jovens envolvidos em ações comunitárias.

Durante esse tempo, ele ocupou a presidência do clube em três ocasiões. Foi justamente em seu último mandato, em 1985, que surgiu a ideia de promover uma arborização urbana em Campos Novos, voltada especialmente ao embelezamento da cidade por meio do plantio de árvores ornamentais.

Segundo ele, até então o município não havia desenvolvido nenhuma ação estruturada nesse sentido. A proposta foi apresentada ao Rotaract, aceita pelos membros e transformada em projeto. Na sequência, o grupo buscou uma parceria com o poder público municipal, levando a iniciativa ao Paço Municipal. Após reuniões e tratativas, a parceria entre o Rotaract Clube e a Prefeitura de Campos Novos foi.

O projeto previa o plantio de mudas de extremosa, árvore ornamental conhecida pela floração e pela característica de ter poucas folhas. O trabalho se estendeu por cerca de um ano e resultou no plantio de aproximadamente 300 mudas, distribuídas em quatro ruas do centro da cidade: Marechal Deodoro, Nereu Ramos, Coronel Lucidoro e Duque de Caxias.

A execução contou com trabalho voluntário dos integrantes do Rotaract. Nos fins de semana, especialmente aos sábados e domingos, os jovens percorriam as residências para conversar com os moradores, explicar o projeto e solicitar autorização para o plantio das mudas em frente aos imóveis.

Além disso, os proprietários eram convidados a “adotar” as árvores, comprometendo-se a auxiliar nos cuidados básicos, como rega e manutenção.

Também fazia parte da ação a medição dos espaços adequados para o plantio, respeitando um distanciamento médio de cinco a seis metros entre as mudas. A Prefeitura Municipal colaborou com a disponibilização de dois funcionários, responsáveis pela abertura dos locais onde as árvores foram plantadas.

De acordo com Luiz Fernando Rambo, a proposta inicial ia além daquela primeira etapa. A ideia era que, com o passar dos anos, tanto o Rotaract quanto o poder público dessem continuidade ao projeto, ampliando a arborização para outras regiões da cidade. No entanto, isso não ocorreu. Com o tempo, muitas mudas foram perdidas em razão de quebras, vandalismo e falta de reposição.

Ele destaca que caberia ao município, por meio do Horto Municipal, realizar o replantio das árvores danificadas ou arrancadas, o que, segundo ele, não aconteceu. Atualmente, estima-se que restem entre 20 e 30 extremosas daquele plantio inicial. Ainda assim, Rambo afirma sentir satisfação ao ver que parte do projeto permanece viva mais de quatro décadas depois.

O ex-presidente do Rotaract avalia que, se a iniciativa tivesse sido mantida ao longo dos anos, o centro de Campos Novos poderia apresentar hoje uma paisagem urbana significativamente diferente, com maior arborização, sombra e valorização estética.

Luiz Fernando Rambo explica que sua participação no Rotaract se encerrou naturalmente ao atingir a idade limite do clube, por volta dos 28 a 30 anos. Após esse período, seguiu outros caminhos, incluindo a atuação política. Ele relembra que, na década de 1990, quando exerceu mandato como vereador, foi autor de legislações voltadas à organização urbana, como a exigência de calçadas e a previsão de espaços para o plantio de árvores em novas edificações, sejam elas frutíferas ou nativas.

Segundo ele, embora a lei exista, a aplicação efetiva nem sempre ocorre.

Ao refletir sobre o projeto de 1985, Luiz Fernando Rambo avalia que ainda há tempo para retomar iniciativas semelhantes. Para ele, tanto o Rotaract quanto o Rotary, em parceria com o poder público, poderiam novamente promover ações de arborização, contribuindo para o embelezamento da cidade, a oferta de sombra e o fortalecimento da consciência ecológica, especialmente entre os jovens.

*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1914 de 05 de fevereiro de 2026.

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