O inverno parece distante, mas para quem cria gado de corte ou leite agora é a época certa de garantir o “prato cheio” dos animais na temporada de frio. A boa notícia é que neste ano os produtores terão à disposição 600 toneladas de sementes de azevém-anual SCS316 Altovale.
O cultivar foi desenvolvido pela Epagri e pela Cooperativa Regional Agropecuária Vale do Itajaí (Cravil) e disponibilizado em 2021 para assegurar pasto de alta produtividade e qualidade. O objetivo é possibilitar rentabilidade ao produtor de carne e leite durante as estações mais frias do ano, quando espécies que são ótimas no verão, deixam de produzir.
Os produtores enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) poderão acessar as sementes por meio do kit forrageiras, com estoques limitados. Basta procurar os escritórios municipais da Epagri. Os demais podem adquirir sementes na Cravil, licenciada para produção da semente do Altovale, e em cooperativas que fazem compra direta para seus associados. Algumas agropecuárias do Oeste e Meio-Oeste também estão comercializando as sementes.
O volume de sementes oferecido em 2026 é quase dez vezes maior do que foi disponibilizado no ano passado (62,5 toneladas) e suficiente para cobrir até 30 mil hectares de pastagens. A utilização do Altovale tem grande impacto na produção forrageira nos períodos mais frios do ano, sendo uma opção importante para altas produtividades animais em função de ser uma forrageira de alta qualidade.
“A produtividade obtida com o Altovale pode ser comparada aos melhores cultivares disponíveis no mercado, incluindo os importados. A procura é muito alta, mas devido a frustrações na multiplicação de sementes, não se tem conseguido atender toda a demanda, estimada em 900 toneladas anuais”, afirma Ulisses de Arruda Córdova, engenheiro-agrônomo e pesquisador de Forragicultura e Pastagens da Estação Experimental da Epagri em Lages.
Pasto com alta produtividade
Ulisses foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento do azevém Altovale junto com os colegas da Epagri Ana Lúcia Hanisch, Jefferson Araújo Flaresso, Humberto Bicca Neto e Dediel Junior Amaral Rocha. Segundo o pesquisador, o que o diferencia dos demais cultivares de inverno é a precocidade do primeiro pastejo, em torno de 40 a 50 dias, aliada a um ciclo intermediário de produção, cerca de dois meses a mais. O cultivar também tem alto teor de proteína, entre 25% e 30%, o que implica em elevado ganho de peso ou maior produção de leite.
Há ainda uma série de outras características do Altovale que trazem benefícios aos produtores rurais. Entre elas, a rápida capacidade de rebrota, que contribui para maior número de pastejos; a tolerância à doenças, principalmente a brusone; a resistência à geadas; a adaptação a clima mais quente, mesmo sendo um cultivar de clima temperado; a alta produtividade e a ótima cobertura de solo. Todas estas qualidades resultam em menos perdas e menores custos aos produtores, além de melhor rendimento da produção de forragem e, consequentemente, maior produção de carne e/ou leite.
“Como é originário de clima mais quente, a região do Alto Vale do Itajaí, o cultivar tem alta tolerância ao calor. Por isso, pode ser cultivado em todas as regiões de Santa Catarina, do litoral até aos locais de maior altitude”, explica Ulisses. Segundo o pesquisador, o Altovale também é uma ótima opção para o sistema integração lavoura-pecuária (ILP), propiciando palhada para o plantio direto ou silagem pré-secada de alta qualidade e rendimento.


