Nova geração Agro: Eles escolheram ficar no campo

Nova geração de agricultores aposta em conhecimento, tecnologia e inovação para dar continuidade ao trabalho construído pelas famílias “O que você quer ser quando crescer?” “- Produtor rural.”

Enquanto alguns sonham em ser médicos, advogados ou engenheiros, há quem escolha dar continuidade ao trabalho da família e faça do campo seu território profissional. Para algumas famílias, a sucessão familiar não é uma preocupação, mas a certeza de que o trabalho construído ao longo de gerações terá continuidade — agora com uma nova visão, mais tecnologia, conhecimento e novas formas de produzir.

É o caso de Mateus Chiochetta e Bruno Machado. Filhos e netos de agricultores, os dois jovens cresceram acompanhando a rotina do campo e escolheram fazer dela também o seu futuro. Ambos cursam Agronomia e se preparam para, no futuro, assumir novas responsabilidades dentro das propriedades das famílias.

A escolha vai além de simplesmente seguir os passos dos pais ou uma obrigação herdada. Para essa nova geração, permanecer no campo significa também estudar, buscar conhecimento, acompanhar as transformações do setor e encontrar maneiras de produzir mais e melhor.

Para Mateus, a decisão de trabalhar com agricultura começou cedo. Desde pequeno, ele já tinha o desejo de seguir na atividade e, com o passar dos anos, a convivência com a propriedade reforçou a escolha. “Meu sonho sempre foi trabalhar com a agricultura, uma paixão que carrego desde a infância”, conta.

O gosto pela atividade se juntou à vontade de aprender. Atualmente, Mateus cursa Agronomia na Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul, e busca qualificação para, no futuro, contribuir ainda mais com o negócio da família.

Enquanto estuda, ele também vai conquistando espaço na propriedade e aprendendo com o pai, o irmão e as pessoas que fazem parte da rotina do campo.

“Eu me orgulho todos os dias. Poder estar trabalhando e aprendendo diariamente com meu pai, meu irmão e meus amigos reforçam que fiz a escolha certa para a minha vida”, afirma.

A formação, para ele, é parte importante desse processo. O objetivo é retornar à propriedade com conhecimento técnico suficiente para avaliar novas propostas, tecnologias e formas de melhorar a produção.

UMA HISTÓRIA QUE ATRAVESSA GERAÇÕES

A relação de Bruno Machado com a agricultura também começou dentro de casa. O bisavô já era agricultor, assim como o avô e o pai. Agora, ele se prepara para dar continuidade à história da família. “Meu pai sempre foi agricultor, então eu segui esse pensamento. Sempre gostei de trabalhar com agricultura e permaneci no campo”, relata.

A sucessão, no entanto, não acontece de uma hora para outra. Segundo Bruno, as responsabilidades vão sendo assumidas aos poucos, conforme o jovem adquire experiência e conhecimento. “Vamos adquirindo no dia a dia, com as atividades. Conforme passa o tempo, vamos assumindo outros cargos dentro da propriedade”, explica.

Bruno também cursa Agronomia. A faculdade é uma ferramenta para compreender melhor as necessidades da propriedade e tomar decisões com mais segurança. A ideia é aliar o conhecimento passado pela família às informações e tecnologias disponíveis atualmente.

UM CAMPO CADA VEZ MAIS TECNOLÓGICO

Se os jovens estão chegando para continuar o trabalho das famílias, também chegam com uma visão diferente sobre a produção. Para eles, tecnologia e agricultura caminham cada vez mais juntas.

Mateus lembra que o campo mudou muito nos últimos anos. Hoje, por meio de um celular, é possível acompanhar operações de máquinas, verificar onde um trator trabalhou, a velocidade da operação e uma série de outros dados.

“O agro de hoje não é o mesmo de 10 anos atrás. Muitas tecnologias surgiram para agregar valor ao trabalho, e precisamos adquirir conhecimento para implantá-las na propriedade”, afirma.

Bruno também vê na tecnologia uma aliada para tornar a produção mais eficiente. Um dos exemplos citados por ele é a agricultura de precisão, que permite identificar diferentes necessidades dentro de uma mesma área e aplicar os produtos de acordo com a necessidade de cada local.

Na prática, isso significa evitar desperdícios e direcionar melhor os investimentos. “Você não está desperdiçando dinheiro jogando o que não precisa. Coloca o que precisa e isso vai retornar em mais lucro e produtividade para a família e para a empresa”, explica.

Para os dois jovens, portanto, a modernização não significa abandonar os conhecimentos das gerações anteriores, mas acrescentar novas ferramentas ao que já foi construído.

FICAR TAMBÉM EXIGE PREPARO

A decisão de permanecer no campo não significa que os desafios sejam poucos. Mateus aponta a própria sucessão familiar como uma das questões que precisam ser trabalhadas.

Para ele, é importante que as diferentes gerações tenham objetivos alinhados. Afinal, assumir uma propriedade também significa apresentar novas ideias, que nem sempre serão aceitas de imediato por quem está há mais tempo na atividade.

Outro desafio está na própria rentabilidade. Com margens cada vez mais apertadas, decisões de compra e venda podem fazer diferença para garantir a permanência na atividade.

De acordo com Mateus e Bruno, a nova geração do agro chega com os pés no mesmo chão em que seus pais e avós trabalharam, mas com os olhos voltados para novas possibilidades. Mateus acredita que gostar da atividade é fundamental para permanecer. Para ele, uma geração cada vez mais conectada às telas acabou, em alguns casos, perdendo parte da ligação com o campo e buscando outros caminhos. “É preciso gostar da atividade para permanecer nela. Quem não estiver atento, buscando conhecimento e se dedicando, pode acabar se afastando do setor”, avalia.

Bruno, por sua vez, entende que o futuro da agricultura será cada vez mais moderno e inovador. A agricultura de precisão é apenas um exemplo de como o produtor pode utilizar tecnologia para reduzir desperdícios, aumentar a produtividade e melhorar os resultados.

No fim, os dois jovens têm algo em comum: não estão no campo apenas porque nasceram em uma família de agricultores. Estão ali porque fizeram uma escolha. Uma escolha que envolve orgulho pela história construída por quem veio antes, mas também responsabilidade para continuar construindo o que vem pela frente.

*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1941 de 13 de agosto de 2026.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Jornal Celeiro
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.