Quase quatro em cada dez adolescentes do Sul já experimentaram cigarro eletrônico

No Dia Nacional de Combate ao Fumo, médico da Tempo Med alerta para avanço do vape entre jovens, riscos da nicotina e importância de buscar ajuda para abandonar o hábito

Parar de fumar continua sendo uma das principais medidas para reduzir os riscos associados ao tabagismo. Mas o desafio ganhou uma nova dimensão nos últimos anos: enquanto o consumo do cigarro tradicional recua entre adolescentes, cresce rapidamente a experimentação dos cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes ou pods. Na Região Sul, 38,3% dos estudantes de 13 a 17 anos já experimentaram cigarro eletrônico, um dos maiores percentuais do país. O dado é da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, do IBGE. No Brasil, o percentual de adolescentes que já experimentaram esses dispositivos passou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024.

Para o médico de família João Paulo da Silveira, da Tempo Med, o cenário exige atenção porque muitos jovens estão tendo o primeiro contato com a nicotina por meio do vape, sem nunca terem fumado o cigarro convencional. “Hoje temos jovens que nunca fumaram o cigarro convencional, mas já consomem nicotina pelo vape. O formato mudou e muitas vezes existe uma percepção de que, por não ser o cigarro tradicional, o risco seria menor”, alerta o médico. A fala e esse enfoque estavam na versão que trabalhamos no histórico.

DADOS

Além da preocupação com quem começa a consumir nicotina cada vez mais cedo, o Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, também reforça a importância de quem já fuma buscar ajuda para abandonar o hábito. A dependência de nicotina pode dificultar tentativas isoladas de parar, e o acompanhamento profissional permite avaliar o grau de dependência e definir estratégias para cada paciente.

Segundo João Paulo, trocar o cigarro convencional pelo eletrônico não deve ser encarado como uma solução automática para deixar de fumar. O objetivo do tratamento é reduzir a dependência da nicotina e os riscos associados ao consumo. “Parar de fumar não precisa ser uma decisão enfrentada sozinho. Há acompanhamento e estratégias que podem ajudar esse processo. Quanto antes a pessoa procura orientação, maiores são as possibilidades de construir uma mudança que se mantenha no longo prazo”, reforça.

A proposta da Tempo Med para a data é justamente ampliar o alerta para uma mudança no perfil do tabagismo: além de incentivar quem já fuma a abandonar o cigarro, é preciso impedir que uma nova geração desenvolva dependência de nicotina por meio dos dispositivos eletrônicos.

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