Sucessão familiar: Iniciativa estadual prevê projetos de apoio a empresas familiares

Agente de Inovação regional falou sobre a importância de promover orientação para a transição de gestão em propriedades rurais e outros negócios familiares, estimulando o desenvolvimento regional.

Ana Kantovick, Agente Regional de Inovação

A continuidade de uma propriedade rural ou de uma empresa familiar não depende apenas da transferência do patrimônio. Preparar quem vai assumir a gestão, planejar a transição e conciliar diferentes visões de negócio são desafios que exigem tempo e organização.

No Planalto Sul, onde o agronegócio movimenta a economia e impulsiona atividades ligadas à produção, esse tema chamou a atenção do SC Mais Inovação, iniciativa do Governo do Estado voltada ao desenvolvimento regional.

A partir de visitas a empresas e propriedades rurais, o programa identificou uma demanda relacionada à sucessão familiar. Segundo Ana Kantovick, Agente Regional de Inovação, muitas famílias conduzem esse processo de maneira intuitiva, sem um planejamento estruturado para preparar a próxima geração.

A proposta, neste momento, é desenvolver mecanismos que possam apoiar essas famílias na organização da sucessão. A necessidade não se restringe a pequenas propriedades rurais: também foi identificada em grandes propriedades e indústrias familiares.

PREPARAÇÃO ANTES DA TRANSIÇÃO

Um dos principais desafios é conciliar as diferenças entre as gerações. Enquanto quem está à frente do negócio acumulou experiência ao longo dos anos, os sucessores podem chegar com outra formação, novas ideias e uma maneira diferente de enxergar o mercado.

Sem preparação, essas diferenças podem provocar conflitos e dificultar a continuidade da empresa. Em alguns casos, a transição não acontece como esperado, e a família precisa recorrer a alguém de fora para assumir a gestão. A falta de planejamento também pode comprometer a relação com os funcionários e colocar em risco a continuidade do negócio.

Para Ana, a sucessão precisa ser planejada com antecedência, considerando tanto as competências técnicas quanto as habilidades humanas de quem vai assumir a responsabilidade. “Quando você não prepara, você não faz essa transição, às vezes essas ideias entram em conflito e isso acaba prejudicando a empresa, a saúde da empresa ou da propriedade”, explica.

A preparação envolve mais do que conhecer a atividade. Quem assume uma propriedade rural, por exemplo, precisa estar preparado para gerir pessoas, tomar decisões e conduzir o negócio. As competências necessárias variam conforme o porte da empresa e o mercado em que atua.

Outro ponto é respeitar os interesses de quem poderá assumir a gestão. Nem sempre os filhos ou outros familiares desejam seguir a mesma profissão. Por isso, a sucessão precisa considerar a realidade de cada família, sem tratar a continuidade do negócio como uma obrigação para a próxima geração.

Segundo a agente de inovação, o ideal é que essa preparação comece ainda na juventude, com o desenvolvimento gradual das habilidades necessárias para assumir a gestão no futuro.

INOVAÇÃO PODE FAZER PARTE DO PROCESSO

O projeto pretende aproximar o planejamento da sucessão das possibilidades de inovação nos negócios. Enquanto prepara o sucessor, a família também pode avaliar os processos internos, os produtos e as oportunidades de melhorar a gestão. Quando a transição acontece de forma organizada, a introdução de mudanças pode encontrar menos resistência entre quem administra e quem trabalha no negócio.

O papel do agente de inovação, nesse contexto, é compreender a necessidade apresentada e conectar a empresa a possíveis soluções. Isso pode envolver especialistas para apoiar a transição ou parceiros capazes de contribuir com projetos de inovação.

CRESCIMENTO REGIONAL ALÉM DO AGRONEGÓCIO

Embora a sucessão familiar seja uma das demandas identificadas na região, a atuação do SC Mais Inovação abrange diferentes áreas. O programa busca criar conexões que ajudem empresas a superar desafios, identificar oportunidades e desenvolver soluções por meio da inovação.

A iniciativa pode atender desde empreendedores que estão estruturando um negócio até empresas já consolidadas que precisam resolver problemas ou buscar novas possibilidades de crescimento. Projetos ligados ao desenvolvimento regional também podem ser apresentados por empresários e gestores públicos, para que seja avaliado de que forma o programa pode contribuir.

A proposta é aproximar quem enfrenta um desafio de quem pode ajudar a encontrar uma solução. O objetivo é gerar valor e contribuir para o desenvolvimento da região. Ana Kantovick atua na região para orientar pessoas que precisam de apoio para estruturar negócios e fomentar o empreendedorismo.

Interessados em obter mais informações podem entrar em contato pelo telefone (49) 99942-1856 ou pelo Instagram @scmaisinovacao.

*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1951 de 22 de Outubro de 2026.

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