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Qual é a melhor educação para a formação de bons profissionais?

Camila Borges

Sempre compactuei que precisamos desenvolver além do que nos é pedido. Aprofundar, dar o melhor de si e buscar fazer coisas que as outras pessoas não fazem. Procurando diferenciais, não medindo esforços, tentando surpreender e deixar uma marca pessoal em tudo o que colocarmos a mão. E no futuro, precisaremos de pessoas que façam além do que é necessário, afinal, diploma vários podem ter, mas apenas os que fizerem o melhor trabalho garantirão um bom emprego.

Pensando nisto, lembrei-me que ouvi entre uma conversa e outra, minha mãe, que é pedagoga, discorrendo sobre as competências gerais da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), que dentre elas citam dez capacidades para a formação de um profissional que se dará bem em qualquer área que resolver seguir e as achei extremamente interessantes. “As competências foram definidas a partir dos direitos éticos, estéticos e políticos assegurados pelas Diretrizes Curriculares Nacionais e de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores essenciais para a vida no século 21”.

A primeira competência é o conhecimento, utilizado para a compreensão do meio que nos cerca, pondo-o em prática para a construção de um local mais justo, democrático e inclusivo. O pensamento científico, crítico e criativo vem em seguida, com a capacidade de julgarmos, dar nossa própria opinião, pensar fora da caixa, elaborar hipóteses, abordar o mesmo tema de maneiras diferenciadas, com a capacidade de criar soluções para problemas complexos das mais diversas áreas. Um pensamento aberto, que fará um profissional de excelência. Einstein diz que A lógica pode levar de um ponto A para um ponto B, mas a imaginação (criatividade) pode levar a qualquer lugar.

A terceira é a valorização do repertório cultural. A mistura e comparações entre diversos costumes, manifestações artísticas e a valorização dos próprios. Um povo sem cultura, é um povo morto. A capacidade da comunicação também está entre as competências, enaltecendo linguagens corporais, sonoras e digitais, expressando e partilhando sentimentos e conhecimentos para o entendimento mútuo.

A cultura digital se faz presente para compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. O trabalho e projeto de vida, funda-se na valorização de experiências e conhecimentos diversificados que possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.

A argumentação com base em fatos, dados e conhecimentos de fontes confiáveis é utilizada para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.

O conhecimento e o autocuidado, de forma a conhecer-se, apreciar-se e cuidar da saúde física e emocional, compreendendo a diversidade humana e reconhecendo as próprias emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.

A cooperação e empatia, exercitando assim, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.

E por último, a responsabilidade e cidadania, agindo pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

Na prática, as pessoas, no caso alunos, são convidados a deixarem de apenas seguirem regras, padrões e rotinas e são desafiados a desenvolver capacidades que não se medem com notas de zero a dez, mas os dignificam como pessoas sobretudo humanas. Que não se utilizam somente da razão em que dois com dois são quatro, mas são incitados a formarem uma visão ampla dos fatos, com sensibilidade, flexibilidade cognitiva, criatividade e aprendem a como lidar com as outras pessoas.

Capacidades as quais, vão além da teoria e tocam o coração, condicionando um profissional de sucesso, que jamais será substituído pela inteligência artificial e terá seu trabalho valorizado e garantido aonde quer que vá.

Por: Camila Soares Borges, Estudante

*Coluna publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1570 de 21 de março de 2019.

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