Entidade se esforça em promover o melhor para seus alunos, mas da porta para fora, deficientes se deparam com ruas sem estrutura para recebe-los.
Atuante Campos Novos a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) tem aprimorado seus atendimentos para promover melhora na qualidade de vida dos deficientes e de suas famílias. A Apae atende pessoas de qualquer idade que apresentem deficiências intelectuais graves, moderadas e severas. A entidade tem como objetivo principal trabalhar a saúde, educação e a assistência a essas pessoas. No município a equipe tem desempenhado bem seu papel e atua de forma exemplar em dar apoio, atenção e carinho aos 106 alunos matriculados, além dos 15 que fazem atendimento na clínica da Apae. Além das atividades regulares, são realizadas atividades extras para promover o lazer e a orientação dos usuários. Recentemente a entidade realizou uma festividade especial em alusão ao Outubro Rosa para promover os cuidados das mulheres que integram a equipe da Apae.

Mas o foco da Apae é dar o suporte necessário para que seus alunos se desenvolvam e aumentem sua autonomia no dia a dia. O diretor Luiz Augusto Souza explica as fases e os atendimentos oferecidos pela entidade. Os primeiros atendimentos começam pela estimulação, que é considerada a principal fase. A Apae conta com uma equipe multidisciplinar com pedagogo, psicólogo, dentista, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e fisioterapeuta. Os alunos adultos também participam de oficinas preparatórias para o mercado de trabalho e fazem aulas de culinária, de capoeira, jardinagem e tapeçaria. Além disso, eles contam com um espaço na escola que representa seu próprio lar, e nesse ambiente eles cuidam de atividades domésticas para que aprendam a aplicar isso em seu dia a dia. “A nossa escola deve ser reconhecida pelas pessoas como transformadora de pessoas, mesmo com suas deficiências e limitações. Eles desenvolvem habilidades que os auxiliam no dia a dia em casa. Às vezes, a família subestima a capacidade deles e os induzem a ser dependentes de alguém, porque fazem tudo por ele. Quando ele chega aqui é instruído a ser independente. Também pensamos no futuro, quando essas pessoas perderem seus pais, eles precisam saber se cuidar sozinho. Nós os preparamos para que se virem sozinhos”, declara Luiz.
O trabalho desenvolvido pela Apae tem promovido a evolução de muitos alunos, inclusive, muitos conseguem se habilitar para ingressar no ensino regular e até no mercado de trabalho. Em 2019 já foram encaminhados 11 alunos para o mercado de trabalho. “Com a preparação alguns até deixam de frequentar a Apae. Antes nosso objetivo era apenas o assistencialismo, hoje temos o objetivo maior de ressocializar e encaminhar para o ensino regular e para o mercado de trabalho. As pessoas que são trabalhadas aqui recebem um atendimento que atinge 100% de suas necessidades. Oferecemos atendimentos entre a clínica e a escola, e as atividades incluem a parte pedagógica e a reabilitação. Estamos indo muito bem, graças ao apoio que temos”, continuou o diretor.
A entidade em Campos Novos vive um período de grandes conquistas e os projetos para melhorar e ampliar os serviços da Apae no município continuam sendo idealizados. O diretor conta que foram realizadas algumas reformas no local e na aparência do prédio. “Temos grandes parceiros e estamos vivendo uma fase muito boa. Com a ajuda dos vereadores, através das emendas impositivas, conseguimos fazer uma reforma na clínica, fizemos uma reforma na parte externa da escola, construímos um almoxarifado. Ainda temos a construção de mais uma sala e ampliação do refeitório. Nosso sonho ainda é adquirir mais áreas para ampliar nossa construção. Hoje temos uma área de 2.500 metros construídos, mas a cidade cresce e as pessoas com deficiência aumentam. Recebemos pessoas de outras cidades com deficiências e nascem pessoas assim”, reforçou Luiz.
Apesar da boa fase vivida pela entidade e dos muitos avanços alcançados para atender os deficientes, o diretor relata que ainda há muito o que melhorar. As ruas e avenidas deixam a desejar, principalmente a avenida aonde se localiza a Apae, que apresenta calçadas irregulares e que causam dificuldades de acesso. O diretor acredita que em breve essa situação se resolva e os deficientes sejam olhados com mais carinho e atenção. “Hoje vemos mais investimento, mas ainda faltam mais atitudes voltadas a essas pessoas. A rua da instituição apresenta muita dificuldade, não tem calçamento, ruas com paralelepípedos. Como o cidadão que tem dificuldade física vai ir e vir? É obrigação ter a cidade com acessibilidade para todos. Temos bastante apoio do poder público local. A instituição vai bem, mas a cidade como um todo ainda deixa a desejar, a avenida da Apae não oferece condições acessíveis. Os transportes, os prédios e as residências devem ser acessíveis a todos. Eles são cidadãos como nós, pagam seus impostos, e merecem nosso respeito”, ponderou Luiz.
*Reportagem publicada no Jornal “O Celeiro”, Edição 1603 de 07 de Novembro de 2018.


