Crise no agro? Pandemia do Coronavírus tem causado forte impacto na economia nacional

Carro chefe da economia no Brasil setor do agronegócio reflete sobre desafios gerados pela pandemia.

O problema é na saúde, mas os efeitos chegam a todos os setores em caráter mundial. No cenário nacional vemos as entidades representativas do setor se posicionando e mostrando sua preocupação com os portos e com as bolsas de valores de que estão em constante oscilação. No estado de Santa Catarina, que tem o agronegócio como sua força motriz, a pandemia tem gerado um cenário de instabilidade econômica causando incerteza e insegurança nos produtores rurais.

Os produtores rurais reconhecem os perigos, mas sabem da importância de suas atividades para levar alimento ao mundo. A pandemia somada a estiagem fez de 2020 um ano atípico para o setor. Mas, bom ou ruim, o trabalho não pode parar. “Se faltar comida, a situação que é dramática fica caótica, defendeu José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura no estado (Faesc), ao apelar ao governo para que se mantenham as atividades agrícolas e pecuárias.

Presidente da Copermap, Jaison Passos

Produtores e presidentes de cooperativas da região refletem sobre esse momento, sobre desafios e oportunidades que se apresentam com este panorama que foi imposto ao mundo. Apesar da preocupação com o futuro, a maioria acredita na força do agronegócio. O presidente da Copermap, Jaison Passos, deixou claro sua visão sobre a pandemia e seus efeitos. “O problema é sério. O agro está sofrendo os impactos dessa pandemia. Já temos problemas de logística no escoamento da produção nos portos para a agroindústria. Os caminhões estão sem o suporte de mecânicas e não conseguem viajar. São medidas extremas, mas necessárias para manter as pessoas em suas casas. Porém o agro não pode parar, pois é a produção diária de alimentos. Como o produtor vai parar de produzir? Este é o momento de abastecer o mercado. É um momento crucial”, poderá o presidente que considera importante a atuação do governo para ajudar o setor.

Ainda sobre os impactos, Jaison alistou outras situações relevantes. “Temos uma alta da taxa de câmbio, e por isso devemos ter um impacto negativo no momento de compras de matéria prima para as próximas safras, mas favorece o momento de exportação, principalmente a soja. Porém, o maior impacto é a insegurança que surge porque as empresas vêm passando por momentos difíceis e no agro não é diferente, e isso gera incertezas na economia. Teremos um ano com baixo crescimento no agronegócio, os produtores deverão reduzir os investimentos e consequentemente passará para as cooperativas e empresas também. Será um ano com desafios para o mundo em todos os segmentos e todos precisarão se reinventar e juntos encontrar maneiras de lidar com a situação”, conclui.

Diretor-presidente da Copercampos, Luiz Carlos Chiocca

O diretor-presidente da Copercampos, Luiz Carlos Chiocca, também falou sobre o trabalho no campo durante este período de pandemia. “No campo o trabalho não para e torcemos para que os impactos econômicos causados pelo coronavírus, não prejudiquem tanto o agronegócio, tão pouco as demais atividades. Acontecerá um impacto no crescimento do PIB mundial e brasileiro, com fuga de capitais, desvalorização de ativos, encarecimento dos insumos em dólar e crise de confiança, mas por outro lado surgem oportunidades, como deveremos visualizar menores taxas de juros, menor gasto de energia, com queda de preços e custos, fretes mais baratos, bem como o aumento de receitas de exportação com a desvalorização do real”, iniciou.

Chiocca ainda elencou alguns desafios e oportunidades em virtude da desvalorização da moeda brasileira. Temos a soja e milho em valorização por conta do dólar e não devemos ter redução no consumo de alimentos e o aumento da demanda por soja e carnes na China que podem favorecer o agro brasileiro, pois com o país asiático retomando atividades industriais, vai exigir maior demanda de matéria prima. Vemos como fragilidade a questão da logística. Transporte interno e portos sendo impactados pela pandemia e com isso, é preciso se planejar para aquisição de fertilizantes e agroquímicos para a próxima safra. A alta do dólar é favorável para venda de commodities, porém, impacta negativamente na compra de insumos para a próxima safra”, dissertou.

João Carlos Di Domenico, diretor da Coocam

Por sua importância a população, já que é essencial a vida, o agronegócio se mostra um setor intocável, que vai sofrer, porém não perderá o seu valor e jamais poderá paralisar. João Carlos Di Domenico, diretor da Coocam, pondera que esta crise os deixara mais fortes e com mais conhecimento preparando-os para o futuro. Sobre o atual momento ele falou que a cooperativa está cumprindo todos os contratos, surgiram apenas com alguns problemas de logística. No entanto ele analisa esta situação numa visão de futuro. “O agro é um negócio de longo prazo. Levar um animal ao frigorifico leva tempo. Nosso negocio não para porque estamos colhendo agora. Temos um ciclo na natureza que nos obriga a seguir em frente. Nunca passamos por uma crise de saúde. Essa alterou nossa maneira de viver. Temos que rever uma gestão melhor dos recursos para prevenir. São lições para aprender a valorizar o que temos. é preciso melhorar e mudar muitas coisas e só na crise é que fazemos isso. Temos que pensar no futuro. Vamos estar preparados para enfrentar uma outra crise dessas? Devemos pensar e agir tendo uma gestão econômica bem feita”, conclui.

Recentemente a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) emitiu um boletim sobre a análise dos mercados internacionais.

MERCADO (China): Não se identificou a interrupção de importações de bens agropecuários devido à pandemia da Covid-19. Mas o cancelamento de rotas marítimas já resulta em atrasos no transporte internacional. O escritório também apurou que comércio de grãos, óleos e alimentos registrou aumento de 9,7% entre os meses de janeiro e fevereiro de 2020 – apesar da queda das vendas totais do varejo em 20,5% nos dois primeiros meses do ano.

PRODUTOS: Para as principais commodities agrícolas, como soja, milho e café, houve queda nos preços internacionais. No entanto, em função da alta do dólar, os preços reais não foram impactados. Para o setor sucroenergético e o algodão, o maior problema foi a guerra do petróleo entre Rússia e Arábia Saudita, que derrubou os preços nestes setores.

*Reportagem publicada no Jornal ‘O Celeiro’, Edição 1619 de 26 de março de 2020.

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