Epagri prevê trimestre com chuvas e temperatura fora da normalidade

Cenário de estiagem não terá melhora significativa conforme relatório do Ciram.

Cenário de estiagem não terá melhora significativa

A estação verão já se despediu dando início ao outono que trouxe consigo a esperança de que a situação de estiagem vivido pelo estado se modifique. O mês de abril mal começou e já vimos uma temperatura amena e alguma chuva. Será este o cenário para este trimestre? Em recente relatório feito pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), através do Centro de Informações de recursos ambientais e de Hidrometereologia de Santa Catarina (Ciram), foi previsto um panorama de chuvas abaixo da média histórica para o período. O meteorologista Clóvis Corrêa disse que para reverter esta situação de estiagem será preciso uma quantidade bem maior de chuva. “Temos algumas chuvas nesse período devido a presença de uma frente fria, mas logo vai passar. Essa chuva do dia 06 foi boa para este período, principalmente no meio Oeste catarinense, mas daqui a alguns dias ficaremos sem chuva. Há a necessidade de longas chuvas com volumes significativos para repor a água no lençol freático e solucionar o problema da estiagem especialmente nos rios. Para a agricultura será bom, mas para a concentração chegar ao lençol e beneficiar o deslocamento de água pelos rios será mais complicado porque terá que chover muito mais e não é esta a previsão. Neste trimestre teremos chuvas abaixo da média histórica, esporadicamente em algum ponto pode acontecer, mas no geral a tendência é que fique abaixo da média”, destacou.

Ainda segundo o relatório está previsto para os meses de abril, maio e junho chuvas mal distribuídas, como já vem acontecendo nos últimos meses, sendo que poderá haver chuvas intensas em curto espaço de tempo. No outono, a chuva diminui em relação aos meses de verão. No trimestre, os maiores volumes de chuva se concentram no Oeste e Meio Oeste. As frentes frias chegam com mais frequência ao Sul do Brasil, sendo responsáveis pela maior parte da chuva em Santa Catarina, e a média mensal fica em torno de 100 a 130 mm do Meio Oeste ao Litoral e varia de 150 a 170 mm no Oeste e parte do Meio Oeste. Em geral as frentes frias passam pelo litoral, e intensificam a instabilidade no Oeste e Litoral. De abril a junho ciclones extratropicais atuam com mais frequência no litoral do Uruguai, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, provocando vento intenso, mar agitado com ressaca e perigo para a navegação no litoral catarinense, é o que diz a previsão climatológica do relatório.

A temperatura também estará acima da média no estado. As primeiras massas de ar frio surgem em abril como menos intensidade em 2020, mesmo assim deverá ocorrer geada e nevoeiros, principalmente nas localidades do Planalto Sul. Em maio, a intensidade das massas de ar frio aumenta gradativamente, com temperatura mais baixas que no mês anterior estendendo a área de ocorrência de geada, que tendem a ficar mais amplas em junho, atingindo mais regiões do Estado. No outono, massas de ar quente, com dias consecutivos de temperatura elevada (acima de 30ºC), quentes e úmidos, devem ocorrer com mais frequência no outono de 2020, caracterizando os “veranicos” especialmente no mês de maio. Ressalta-se que neste ano serão mais frequentes os dias com maior amplitude térmica (diferença entre as temperaturas mínima e máxima do dia).

O secretário municipal de agricultura, João Batista de Almeida, relata que a situação dos produtores rurais da região é preocupante, pois eles estão sem água para os animais e isso tem um impacto muito grande na renda das famílias. Alguns produtores também estão sem água potável por dias, e para ajuda-los a secretaria está distribuindo em torno de 30 mil litros de água por dia para o interior. Na última reportagem publicado no jornal ‘O Celeiro’, alguns produtores afirmaram que para o agronegócio a estiagem foi mais impactante para o produtor do que a pandemia. Por se tratar de um fenômeno natural, o setor agropecuário precisa lidar com uma situação que está além do seu poder. No entanto, como disse o meteorologista da Epagri, a agricultura é a que mais se beneficiará da quantidade de chuva que está prevista. A expectativa do secretario é que este trimestre haja mudança e as chuvas deem um novo ar para os produtores.

O Poder Público e associações regionais estão se reunindo para pensar estratégias para ajudar o homem do campo a se reerguer e lidar com os prejuízos. São quase seis meses de trabalho e dificuldades. Os prejuízos são muitos e ainda estão sendo contabilizados, pois este ainda é um momento não superado. Apesar de não haver uma previsão de reversão total do cenário de seca, ainda assim esta nova estação gera uma esperança de que dias melhores virão para o agronegócio local e estadual.

*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1621 de 09 de abril de 2020.

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