Cenário sombrio deve excluir ações egoístas e abrir espaço para o afeto mútuo.
Boas ações sempre foram bem-vindas entre as pessoas, mas neste período de pandemia elas se fazem ainda mais necessárias. A empatia, de grande valor nos últimos dias, tem se mostrado escassa nos últimos dias em que poucos sabem se colocar no lugar do outro. O sentimento e ações egoístas demostram que o senso de solidariedade e empatia tem se perdido com o tempo. Quem acompanhou nos meios de comunicações, no início da pandemia, reportagens de pessoas que esvaziaram as prateleiras de álcool em gel, sem pensar que outras pessoas também iriam precisar?. No mundo todo pessoas brigavam nos supermercados porque se apossavam de uma quantidade de exagerada de suprimentos sem pensar nos demais? Que tipo de sentimentos e atitudes esta pandemia deve despertar na humanidade?
“A empatia é a capacidade de entender emocionalmente outra pessoa. É conseguir se colocar no lugar dela e sentir o que ela poderia estar sentindo em determinada situação. Demonstramos empatia quando somos sensíveis a alguém e quando nos aproximamos da forma mais verdadeira possível, sem preconceitos ou julgamentos”, define o psicólogo Alesson Gomes. Que qualidade diferente da demostrada por alguns acima descritos, e quão importante ser colocada em pratica no dia a dia. A determinação do distanciamento social põe em ‘xeque’ a empatia de muitos, afinal porque devo ficar em casa? Estão cerceando meu direito de ir e vir ou estão pensando no bem da população? É tão mais fácil ficar zangado e pensar que essa recomendação nos entedia e nos desagrada do que pensar no quão ela pode ajudar na prevenção da doença. Quem tem empatia vai compreender que sair de casa poderá disseminar um vírus perigoso. Quem tem empatia se coloca no lugar do outro.
A empatia para a sociedade é muito importante, mas ela precisa sair do discurso e ser praticada, conforme explica Alesson. “Na prática, ser empático significa se interessar genuinamente pelo próximo, buscando entender o mundo sob outra perspectiva. Ao exercitar a empatia, é possível entrar em consensos, buscar cooperação, oferecer apoio na medida certa e estabelecer conexões com diferentes pessoas. É um ato de respeito constante por quem te rodeia”. Neste exato momento precisamos nos comprometer a buscar a empatia nos tratos com outros. “Neste sentido, com o contexto vivenciado atualmente, com a pandemia do coronavírus, podemos aprender ainda mais sobre a empatia. Pois todos dependemos de todos para que a situação de forma geral possa ser minimizada ou até erradicada. “Quando nos preocupamos com os outros, geralmente, temos a tendência de pensar nas pessoas dentro do nosso núcleo: nós mesmos, nossa família e nossos amigos. O momento atual nos traz a oportunidade de expandir nossa mente, exercitar o altruísmo e se preocupar pelo bem de todos os seres”, reforçou.
Para o psicólogo “a grande dificuldade em praticar a empatia está na necessidade que sentimos de estarmos sempre certos ou de comparar os comportamentos dos outros com os que teríamos na mesma situação, sem aceitar que cada pessoa é diferente. “Muitas vezes, a gente se apega demais às nossas convicções e, assim, não resta abertura para a diversidade de opiniões, culturas, crenças e ideais. Além de saber compreender o outro, se posicionar de forma a ser compreendido é igualmente importante e difícil. Explicar a nossa percepção de forma clara e coerente, sem imposições, é o essencial para alcançar o outro no discurso. Enfim, é preciso saber argumentar, e não apenas levantar bandeiras.
Dessa forma, a postura empática pode gerar respostas também empáticas dos que estão à nossa volta. O resultado? Relações interpessoais muito mais saudáveis, em todos os setores da nossa vida.
Dicas valiosas que nos ajudam a exercitar a empatia no dia a dia:
• Ter uma escuta sensível, ou seja, um real interesse pelo que o outro tem a dizer;
• Manter um diálogo empático, com frases como “entendo o seu ponto de vista” ou “compreendo o que você quer dizer”;
• Ter uma abertura verdadeira para críticas construtivas;
• Construir feedbacks humanizados na hora de apontar pontos de melhoria;
• Fazer contato visual;
• Saber interpretar a linguagem não-verbal do outro.
* Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, edição 1626 de 14 de maio de 2020







