O comércio, a agricultura e o desenvolvimento das atividades econômicas no município
Partícipe do desenvolvimento do município, o empresário ainda enxerga mais progresso mais para o futuro de Campos Novos.
Multitarefa, o empresário, exerceu diversas atividades no decorrer dos anos. Economista, especialista e mestre em administração ele já foi contador, administrador de empresas, produtor rural, corretor de seguro e professor universitário, lembrando que algumas dessas atividades foram exercidas simultaneamente. Além disso, ele também já foi presidente da CDL Campos Novos por dois mandatos, presidente da Associação Empresarial Camponovense (Acircan) por vários anos e vice-presidente da Copercampos. Em Campos Novos há 50 anos, Guido chegou quando o município despertava lentamente para o desenvolvimento, testemunhando e participando deste processo evolutivo. Em conversa com o jornal O Celeiro ele conta sobre o início de desenvolvimento do comércio e do agronegócio local.
Trabalhar provavelmente é um dos hobbies do empresário Guido Riffel. Empreendedor nato, aos 11 anos ele começou a trabalhar, e até hoje, mesmo aposentado, ele continua em atividade, trabalhando como corretor de seguros na empresa ao qual é proprietário. Guido foi mais um jovem que chegou ao município para trabalhar, aos 25 anos, após receber a oferta para administrar uma concessionaria de automóveis que inauguraria em Campos Novos. Logo se desmembraria da empresa para investir num negócio próprio junto com alguns associados. Desde então ele continuou aqui onde casou-se e teve três filhos e quatro netos. Sua trajetória é composta de ações voltadas ao crescimento pessoal, profissional e fortalecimento do desenvolvimento local.
Para chegar onde chegou não foi fácil, ele queria qualificação e mesmo trabalhando conseguiu alcançar sua graduação. “Em 1974 me formei em economia aqui em Campos Novos. Não existia universidade nas redondezas e fiz o curso a distância, apenas as provas e trabalhos eram presenciais. Também fiz vários cursos, tenho muitas certificações”, contou.
Campos Novos completou 140 anos, mas as coisas só começaram a acontecer quando pessoas visionárias apostaram na mudança e saíram do marasmo vivido por décadas. O agronegócio e o comércio local despontaram aos poucos. Guido conta um pouco como era a Campos Novos do passado, como ocorreram estes fatos e os fatores que contribuíram para uma agricultura e um comércio forte.
“Quando eu cheguei aqui o município estava despertando para o agronegócio. Até então os fazendeiros tinham a propriedade e criação de animais, sem nada profissionalizado. Os campos eram nativos. Agricultores de outras regiões arrendaram terras aqui. Na época os fazendeiros achavam um sacrilégio transformar os campos em lavouras. As mudanças no campo chocaram a princípio. A partir de 1970 o crescimento foi surgindo e chegou no que temos hoje. Neste ano foi fundada a Copercampos. No início da transformação da agricultura os arrendadores não tinham condições de financiar o calcário. A terra dependia de insumos, como o calcário para torna-la menos ácida”, relatou, relembrando o que foi feito para ajuda-los neste sentido. “Eu, o Athos de Almeida Lopes e o Valdemar Sauchuk, que era o gerente do Banco do Brasil à época, juntamente com outras autoridades locais lutamos para conseguir o financiamento de calcário para arrendatários pelos bancos. Fomos o primeiro Município no Brasil a ter o financiamento de calcário para agricultores arrendatários. Isso dava condições para produção e pagamento de arrendo”. Campos Novos é o celeiro do estado por merecimento e por ações e empenho dos envolvidos”, completa. Ao comparar agricultura de ontem e a de hoje, Guido vê um salto enorme. “A agricultura hoje é moderna, na minha opinião é uma das melhores do mundo em termo de produtividade.
Paralelo a agricultura, o comércio foi aos poucos deixando sua característica familiar e abraçando novos formatos. “O comércio passou por várias fases. No início era estritamente familiar. Havia os famosos ‘bodegões’ que vendia de tudo, mas não geravam emprego no município. Quem queria alguma coisa diferente ia comprar fora, principalmente em Joaçaba. Com o crescimento da agricultura passaram a vir pessoas de fora e surgiram os nichos de mercados diferentes. Essas novas instituições despertaram o comércio de modo geral. Com a vinda da faculdade, em 1992, as coisas foram se movimentando ainda mais. A construção da Usina trouxe muita gente de fora que mudou a cultura local, antes disso os bares fechavam cedo, e os que vieram de fora não estavam acostumados a ficar em casa e fomentaram a prestação de serviço, desde bares a restaurantes. A CDL e a Acircan participaram ativamente deste crescimento”, afirmou.
A chegada da CDL em Campos Novos foi um movimento que agregou e rendeu frutos aos empreendedores locais. “O início do movimento logista foi de grande impulso ao comércio. Houve resistência para implantação da Câmara e existiam poucos comerciantes. Pessoas como José Luiz Debastiani, Luiz Carlos Capelari, Hugo Klein, Sergio Gris, Ernani Luiz Zortéa, Domingos Fioravante e Ariovaldo Bernardon, foram alguns dos que trabalharam para montar a CDL. A entidade trouxe cursos voltados a formação de empreendedores, vendas e assim aumentamos o leque de pessoas envolvidas no comércio de Campos Novos”, relata.
É sabido que o agronegócio é a principal a atividade econômica do municipio, mas o empresário não deixa de dar créditos ao comércio como parte importante da economia local. “O comércio de Campos Novos é responsável pelo grande número de empregos no município. Aqui oferecemos tudo que as pessoas precisam. Tivemos a pandemia e passamos por uma crise, mas de modo geral houve uma boa sobrevida das empresas. Algumas não se atualizaram e fecharam. Assim como a agricultura está se adequando às novas tecnologias o comércio também está neste mesmo processo”, defendeu.
Guido viveu inúmeras experiências marcantes, entre elas, a mais recente foi presenciar a morte da mãe, falecida com 103 anos, no dia 7 de abril. Ainda em luto, Guido segue tendo o trabalho como uma terapia. “Os últimos vinte e dois meses foram dedicados integralmente aos cuidados da mãe com 103 anos. Assisti a mãe morrer sem nenhum sofrimento, ela teve uma morte tranquila. É uma experiência que vai me marcar pelo restante da vida, e me deixa com a sensação de dever cumprido. Muitas lições foram apreendidas durante este período em que vivi com ela”.
Apesar de ter visto muitos acontecimentos importantes, ele ainda espera ver muito mais, pois acredita que Campos Novos tem muito potencial para crescer. “Campos Novos sempre teve uma resistência no desenvolvimento, mas nós últimos dez anos aconteceu um crescimento em todos os setores. Eu acompanhei e participei disso. Hoje digo com orgulho, aqui é uma cidade boa de morar com um futuro promissor de crescimento por temos uma indústria do agronegócio. A UTI trará uma visibilidade para o município. Temos jovens a frente dos negócios e eles estão aceitando as novas condições e tecnologias de trabalho. Dentro da minha avaliação deve despertar grandemente”, conclui confiante o empresário.
*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1678 de 27 de maio de 2021.


