Os números que não vemos!

É motivo de alegria saber que os dados estatísticos da pobreza em Campos Novos são bem baixos em comparação com a realidade vista no Brasil e no mundo. Porém, mesmo sendo uma porcentagem baixa, ela existe. É importante lembrar que não são apenas números em uma tabela, por trás do 0,99 e do 2,70 existem pessoas.

Ficamos felizes pela maioria das famílias que trabalham, tem seu sustento garantido e possuem as qualificações necessárias para ir busca de uma situação melhor. Mas existem aqueles que ainda vivem a sombra da precariedade e não sabem fazer outra coisa além de esperar ajuda. É realmente triste constatar este fato.

O editorial desta semana não tem intuito de promover um discurso sobre caridade, até porque as ações de graça são claramente vistas no município. Mas, em alguns casos, principalmente nos casos de pessoas que vivem em situações de pobreza, a caridade vira um ciclo sem fim. Se dermos o pão hoje, amanha ele acaba e a fome bate a porta novamente. É precioso mais do que isso.

O objetivo da matéria de capa não é expor um problema, que alguns talvez considerem pequeno apenas porque os números são inexpressivos. Na verdade, nosso objetivo é fomentar a discussão justamente por ser uma estatística baixa. Essas famílias precisam de ações efetivas. Que essas pessoas possam sair desse ciclo. Seria maravilhoso para a comunidade e para cada uma dessas famílias que elas não precisassem mais de auxilio e caridade.

Deve-se levar em consideração que existe a possibilidade de alguns acharem que a comunidade e o Poder Público sejam obrigados a sustenta-los. E mais uma vez isto exige um trabalho educativo firme para descontruir este pensamento limitante e cruel. É preciso unir forças para que todas as pessoas em situação de pobreza possam se reerguer para recuperar a dignidade e esperança no futuro. Se elas tiverem a isca e o anzol em mãos elas poderão pescar seus próprios peixes.

Por: Priscila Nascimento, Jornalista

*Editorial publicado no Jornal ‘O Celeiro’, Edição 1700 de 28 de outubro de 2021.

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