Coordenador do curso de Medicina Veterinária da unidade de Campos Novos comanda equipe que realizará o estudo.
Desde que a pandemia da Covid-19 se instalou, muitas dúvidas sobre o tema surgiram, entre elas se é possível a transmissão por parte de animais domésticos. A ideia de que animais adoecem de Covid e a suspeita de que eles podem ser transmissores da doença fez com que algumas pessoas abandonassem seus pets. A fim de esclarecer o assunto, o médico veterinário, Fábio José, que é coordenador do curso de Medicina Veterinária na Unoesc de Campos Novo, está comandando uma equipe de profissionais de saúde para realizar a pesquisa intitulada Investigação Epidemiológica e Associação de Transmissão de Sarscov-2 entre humanos e animais de companhia’. “Será que eu posso passar para o pet e depois ele passar para nós novamente? Essa é a grande questão que queremos responder”, diz o veterinário.
A ideia da pesquisa surgiu no início do ano de 2021. “Queríamos esclarecer algumas questões que já haviam sido sinalizadas através de alguns estudos fora do Brasil vinculado a ocorrência dos vírus Sarscov-2 em pets”, conta.
Apesar do interesse ter iniciado há oito meses, a pesquisa ainda está em fase inicial. “Nós estávamos esperando a aprovação no comitê de ética humano e animal e aprovação de fomento. A Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) nos ajudará na realização da metodologia da pesquisa. O edital prevê que a Fapesc contribuirá em partes iguais com a Unoesc, juntando o valor recebemos mais de R$ 140 mil de fomento. Ainda não temos nada muito avançado, temos apenas definido a parte inicial no qual vamos levantar os dados de pacientes do Hospital Santa Terezinha”, explicou, Fábio. Neste projeto estão envolvidos dois médicos veterinários, um zootecnista, um farmacêutico e um fisioterapeuta.
Como procederá a estudo? Fábio explica as etapas a serem seguidas: “Vamos avaliar as pessoas para verificar, por exemplo, se os animais podem transmitir a doença para os seres humanos. No mapeamento, se a pessoa estiver na fase inicial da contaminação e o pet estiver numa fase mais avançada pode ser um indicativo que houve a transmissão. Neste primeiro momento vamos verificar as pessoas que estão tendo sintomas até o sétimo dia e verificaremos quais delas tem pet em casa. Aplicaremos um questionário, faremos testes nos animais para analisar se ficaram ou não positivos ou responderam imunologicamente. A partir desta cronologia do avanço da doença vamos tentar determinar se o animal teve a contaminação antes e se possivelmente transmitiu para as pessoas”.
Os animais que farão parte da pesquisa são os cães e gatos. Mas o veterinário afirma que os gatos são ainda mais interessantes para o estudo. “A origem do vírus é indeterminada, mas o coronavírus tem cepas de diferentes famílias e diferentes espécies, e parte do Sarscov-2 é similar ao vírus presente nos felinos, por isso os gatos estão mais suscetíveis a desenvolver a Covid-19 do que os cães, eles são alvo chave da pesquisa. Aproximadamente 300 animais farão parte desta pesquisa, mas esperamos conseguir mais”, esclarece.
De acordo com o veterinário, ao que tudo indica, os humanos apresentam mais riscos aos animais do que o contrário, mas ainda não há nada comprovado. “Alguns trabalhas indicam que os humanos tem a capacidade de transmissão para os pets, mas não foi realizado nenhum tipo de tratativa de contaminação. As pessoas apresentam uma carga viral maior do que os pets, a replicação do vírus dentro dos animais é baixa, e por ser menor a capacidade de transmissão também é baixa. Os seres humanos tem uma aptidão maior na transmissão. Os animais também apresentam sintomas, como, por exemplo, problema respiratório, mas de forma mais branda”, declara. A intenção do professor é apresentar resultados preliminares até o primeiro semestre de 2022. O objetivo do veterinário é levar a pesquisa para outros hospitais, além do HUST.
*Reportagem publicada no Jornal ‘O Celeiro’, Edição 1700 de 28 de outubro de 2021.







