‘Capão do Amor’ se transforma em depósito de lixo a céu aberto no bairro São Sebastião

Jogar lixo em espaços públicos é configurado como crime ambiental.

A área verde localizada no bairro São Sebastião, popularmente conhecida como ‘Capão do Amor’, deveria mudar de nome e passar a ser chamada de Capão do Lixo. O espaço rodeado de arvores é o local preferido de alguns para o descarte de lixo. Moradores informam que a coleta acontece três vezes na semana, mas os apressadinhos preferem depositar o lixo no local, fato que provoca um odor terrível. Para piorar a situação, os animais de rua costumam rasgar e espalhar o lixo ao longo do caminho. Na área também é possível verificar a presença de roupas, sapatos e colchões velhos. É uma situação feia, desrespeitosa, desagradável, perigosa, e que também é considerada um crime ambiental.
Além da imagem negativa, que já era motivo suficiente para evitar tal ato, o lixo a céu aberto também traz consequências a curto e longo prazo, tanto a saúde quanto ao meio ambiente. Ratos, baratas, escorpiões e moscas são atraídos e a presença deles pode ocasionar sérios riscos.

Os mesmos mosquitos que estão pousando sobre os dejetos, podem sair de lá e pousar nos alimentos. Os ratos, por sua vez, podem transmitir a leptospirose, uma doença perigosa. Dentre os objetos jogados encontram-se recipientes que podem manter água parada abrindo portas para o Aedes Aegypt, o transmissor da dengue.

Sibeli Wrubel, bióloga e proprietária da SW Ambiental, reforça a importância de encarar este assunto com seriedade. “Há uma série de problemas envolvidos. Os resíduos expostos começam a se deteriorar criando um chorume, um líquido que é um grave poluente ao meio ambiente, pois pode atingir o lençol freático ou algum curso de água ao redor. Além disso, alguns materiais levam muito tempo para se decompor. Isso também gera um gasto maior ao município para que haja o recolhimento do lixo”, alistou a bióloga.

Hoje o município oferece um serviço de coleta semanal e conta com um sistema de coleta seletiva que não permite a desculpa de não ter onde fazer o descarte correto. De acordo com Sibeli, “a maioria das coisas que são descartadas poderiam ser reaproveitados de alguma forma. Até mesmo os resíduos orgânicos podem virar compostagem”. A Secretaria de Obras recebe o lixo da construção civil, além de receber objetos velhos como sofá, cama e fogão, que serão descartados corretamente.

O que fazer quando presenciamos lixo a céu aberto? “Denunciar é difícil porque nem sempre presenciamos o responsável. A população pode solicitar a limpeza do local. Se houver prova do autor, os órgãos públicos podem notificá-lo. Isso é um crime ambiental que resulta em multa e prisão”, explica.

Saber de todas as consequências do descarte inapropriado do lixo pode influenciar a atitude de cada cidadão em relação ao que descartam ao meio ambiente. “Sou bem otimista de que as pessoas podem mudar seu comportamento. Este é um tema que deve ser trabalhado nas escolas, nas redes sociais, nas mídias e na comunidade. Bater nessa tecla pode ajudar as pessoas a se conscientizar. Esse trabalho pode gerar um impacto positivo. A população precisa saber que existem os espaços adequados para o descarte correto dos resíduos”, declarou Sibeli. É preciso entendimento e compreensão para que a comunidade aja pensando no bem coletivo.

*Reportagem publicada no jornal ‘O Celeiro’, Edição 1703 de 18 de novembro de 2021.

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Jornal Celeiro
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