Terra do boi que se transforma em área de grãos, Ribeirão Cascalheira é o município sede da Agrocam.
Com vocação para criação de gado, o município vive uma transformação. As pastagens destinadas ao rebanho bovino são hoje cortadas por laminas afiadas do progresso. Vizinha da cidade de Querência, que conta com aproximadamente 360 mil hectares de lavouras de soja todo ano, o município de Ribeirão Cascalheira situado no Nordeste do estado de Mato Grosso foi escolhido por um grupo de agricultores camponovenses para ampliar suas áreas de produção de grãos.
A Agropecuária Camponovense – Agrocam, conta com seis famílias associadas a Cooperativa Agropecuária Camponovense – Coocam, que também está presente na cidade de Ribeirão Cascalheira com uma moderna unidade de armazenagem de grãos.
Na Fazenda Floresta, a Agrocam iniciou na safra 2014/2015, o projeto de expansão agrícola proposto pelos seus associados. Abrindo áreas de pastagens, o grupo de agricultores investiu para garantir uma produção eficiente e lucrativa.
Correções de solo e cuidados com a topografia das áreas foram necessárias, além de aquisição de máquinas e implementos para atender as exigências. Nesta safra 2015/2016, a área cultivada de soja foi de 5.700 hectares, e o objetivo é ampliar essa área já na próxima safra.
De acordo com Alexandre Di Domênico, coordenador da Agrocam no MT, a expectativa é que sejam cultivados na próxima safra, mais de 8 mil hectares de soja. Além do grão de ouro, os associados da Agrocam investem em milho safrinha, e no inverno milheto para semente e brachiaria para cobertura.
Com a estratégia definida de chegar a uma área de 20 mil hectares na região de Ribeirão Cascalheira, os associados da Agrocam investem para aumentar a produtividade das áreas e assim, aumentar a atuação, além de contar com suporte da Coocam, que disponibiliza todos os seus produtos, como na região sul do país, aos associados presentes no Mato Grosso.
Além disso, a Agrocam conta com uma equipe de consultoria técnica na condução das áreas agricultáveis. De acordo com o Engenheiro Agrônomo Felipe Saud, da empresa Impar, a região tem grande potencial de crescimento, já que conta com apenas 90 mil hectares de área de soja, no município que tem mais de 126 mil km² de extensão. “Nós visualizamos um crescimento da agricultura em Ribeirão Cascalheira, principalmente na conversão de pasto degradado em lavoura, pois há bastante área para ser aberta, mas é preciso tomar cuidado com fatores climáticos e correção de solo adequado”, afirmou.

O custo de transformação de área de pastagens em lavoura é alto, e de acordo com Saud, gira em torno de R$ 2.500,00 o hectare. “A região tem um potencial para produzir 55 sacos/ha, por exemplo, é normal de acordo com o investimento e igual a qualquer região do Mato Grosso”, lembrou.
Nesta safra, porém, o clima castigou a soja e a produtividade das áreas não foi à esperada. Segundo Felipe Saud, em áreas novas, a falta de chuvas interferiu no desenvolvimento da cultura. “Em áreas novas, a seca prejudicou muito, pois as áreas de cultivo estão no segundo ano, ainda não tendo perfil de solo corrigido, em formação com relação a fertilidade e estruturação de solo e a maior dificuldade foi a falta de chuvas, que reflete em uma menor produtividade”.
Segundo o produtor Alexandre Di Domenico, a produtividade das primeiras áreas ficou em 37 sacos/ha, porém, as áreas seguintes já tiveram melhor desenvolvimento e a produtividade foi maior, variando de 40 sacos a 50 sacos/ha.
“Nós tivemos períodos longos de seca neste ano e isso prejudicou um pouco o desenvolvimento da soja, mas mesmo assim, consideramos uma boa produtividade, pois há um trabalho por fazer no melhoramento da fertilidade do solo e assim, ampliar a média de produção nas áreas da Agrocam”, ressaltou.
Já a área de milho safrinha será menor do que a cultivada com soja. De acordo com o Engenheiro Agrônomo Felipe Saud, o milho é uma alternativa de renda ao produtor da região, porém, alguns fatores devem ser levados em conta, como época de plantio e expectativa de produção. “É diferente do sul, pois aqui é milho de segunda época e o produtor precisa estar atento aos custos e não elevar suas expectativas de produção, além de contar com a colaboração do clima para produzir bem o cereal”, informou Saud.

Para o consultor técnico Felipe Saud, a região em que a Agrocam está localizada é diferenciada. “A região é muito boa, por estar entre Ribeirão Cascalheira e a cidade de Querência, e a Agrocam vem investindo bastante em conservação e fertilidade de solo e a ideia é valida para o início do negócio, pois quanto antes se buscar renda, se evitam gastos ou perdas acentuadas no futuro e com exceção da adversidade climática deste ano que pesou para todo mundo, o caminho certo para a produtividade foi adotado e assim se estabelecer o sistema de produção que a Agrocam deseja. Já é investido bastante em cobertura de soja, com brachiaria, milheto, esse ano é o primeiro de milho safrinha e são tomadas de decisão buscando as melhores práticas e produtividades para frente. É preciso investir bem e com consciência é isso vem sendo feito”, destacou o profissional.
A agricultura que vem sendo adotada na Agrocam e por alguns agricultores de Ribeirão Cascalheira transformam e mudam os conceitos na região de Ribeirão Cascalheira. Segundo Felipe Saud, investir em conhecimento e tecnologia para produzir grãos é fundamental e isso vem sendo adotado. “É uma região promissora e que tem muitas áreas para serem abertas. O vale Araguaia tem grande potencial e há uma tendência de aumento na região e ela não vai deixar de ser pecuária por conta da agricultura, pois há muita condição de integração entre soja e boi”, finalizou.
· Nas próximas edições impressas e no site, você confere outras reportagens realizadas pela equipe do Jornal O Celeiro na região do Mato Grosso. Acompanhe o Especial MT.







