Agressões estão diretamente relacionadas ao alcoolismo, à dependência química e propriamente ao machismo.
O “Agosto Lilás” é uma campanha de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher, criada com o objetivo de intensificar a divulgação da Lei Maria da Penha, sensibilizar e conscientizar a sociedade sobre o necessário fim da violência contra o público feminino, divulgar os serviços especializados da rede de atendimento à mulher em situação de violência e os mecanismos de denúncia existentes. A campanha nasceu em 2016 para comemorar os 10 anos da Lei Maria da Penha, prevendo ações de mobilização, palestras e rodas de conversa.
Em Campos Novos, a Secretaria de Assistência Social, por meio da equipe de trabalho do Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS, não está medindo esforços para levar o tema à discussão, incentivando que seja debatido de forma contínua, para que cada vez mais estes índices de violência contra a mulher venham a diminuir. O objetivo maior do grupo é de conscientizar e fazer com que o público feminino se sinta empoderado e saia deste estado de repressão.

Dentro da rede de apoio do CREAS, existe o público de mulheres que são vítimas de violência doméstica e familiar, tendo origem muitas vezes nas proibições de roupa, de estudar, e até mesmo de ir para o mercado de trabalho. É importante ressaltar, que estes tipos de violência não são apenas de forma física, é comum acompanhar casos de violência que acontecem antes mesmo da agressão, tendo início na violência psicológica, humilhações, o que é conhecido popularmente por relacionamento abusivo ou tóxico.
Conforme a Pedagoga Daiane Etges, só neste ano o Observatório da Violência contra mulher de Santa Catarina registrou de janeiro a junho, mais de 11 mil pedidos de medidas protetivas e já foram registrados 29 feminicídios no estado. Já em Campos Novos, o CREAS já recebeu de janeiro a julho deste ano, o total de 39 encaminhamentos de mulheres que pediram medidas protetivas. Os maiores fatores associados ao crescimento dos índices de violência contra mulher está o alcoolismo, a dependência química e propriamente o machismo.
Num comparativo ao mesmo período do ano passo, nos primeiros sete meses do ano houve uma crescente no número de encaminhamentos para o CREAS de casos de violência contra mulher. Para a pedagoga, esta crescente não deixa de ter um aspecto positivo, pois entende que as mulheres estão procurando mais a delegacia e não estão se calando.
“Os encaminhamentos que a gente recebe vem principalmente da DPCAMI (Delegacia de Proteção à Criança, Mulher e Idoso), geralmente são daquelas mulheres que fazem o pedido de medida protetiva contra os agressores, o que não significa que sejam obrigadas a aceitarem a nossa ajuda, mas que na maioria das vezes as mulheres aceitam o nosso suporte. Contudo, sabemos que existem muitas mulheres que passam por este problema e não se manifestam, por medo ou por ter perdido a esperança e até por não entenderem que estão passando por relacionamentos abusivos, seja moral, físico ou sexual”, explicou Daiane.
A Coordenadora do CREAS, Letícia Kato, explica que as mulheres não passam apenas por um atendimento, por uma orientação, elas passam a ficar em acompanhamento pela equipe técnica do CREAS onde elas vão receber orientações sempre que necessário. A equipe técnica faz a busca pela mulher, realizam visitas e viabilizam os encaminhamentos.
“As próprias mulheres precisam se permitir a mudar esse quadro de violência familiar, elas precisam se abrir a vir nestes atendimentos apesar de todos os fatores de impedimento que possam existir, deve prevalecer a força e a vontade de mudar este cenário de violência vivenciado por elas”, ressaltou Letícia.
No CREAS o trabalho oferecido por uma equipe especializada segue muito a linha do empoderamento, da psicologia, e até mesmo auxiliando em questões profissionais, como por exemplo, no encaminhamento ao mercado de trabalho. Readquirindo a sua autonomia, a vítima estará mais próxima de se libertar destes relacionamentos abusivos. Caso a decisão for a de permanecer na relação, o CREAS continua oferecendo ajuda, orientando e, dando todo o suporte familiar, inclusive para os filhos que muitas vezes também sofrem dentro do lar.
A Psicóloga do CREAS, Catia Viáter, também lembra que as violências domésticas não ocorrem apenas entre homens e mulheres, podem ocorrer entre mães e filhos, entre irmãos, bem como relacionamentos homoafetivos entre mulheres. “Procuramos trazer a consciência destas mulheres, trazer a reflexão para a vítima, que ela tem os seus próprios direitos e ninguém pode interferir na sua liberdade”, sintetizou Cátia.
O CREAS está situado na Avenida Caetano Bellincanta Neto, atrás do posto de Saúde Edilamar Salvador, e o número para contato é o 3090-2142.
“Nós também recebemos denúncias e diante da vontade daquela mulher de participar de nossos acompanhamentos a gente vai fazer as mesmas orientações e encaminhamentos dos casos que vem da DPCAMI. É importante ressaltar que existe o canal de denúncia que é o 180, as quais, podem ser de forma anônima. O que o agressor mais quer é que a vítima fique sozinha, sem ninguém para intervir por ela, e por isso falamos para amigos e familiares, não abandonem e continuem dando apoio, caso contrário a vítima estará cada vez mais frágil e o agressor com mais autoridade e poder sobre ela”, concluiu a Pedagoga Daiane Etges.
*Reportagem publicada no Jornal ‘O Celeiro’, Edição 1743 de 25 de agosto de 2022.







