Coordenadora do “Projeto Meu Melhor Amigo” fala sobre as ações sociais realizadas no município.
Nesta semana, a reportagem do Jornal O Celeiro entrevistou a Médica Veterinária Maria Angélica Soares. Formada há 17 anos, pela UNIPINHAL/SP, Angélica é funcionária de carreira do Município de Campos Novos, responsável pelo serviço de Inspeção Municipal e Coordenadora do “Projeto Meu Melhor Amigo”.
Na entrevista, a médica veterinária fala da atuação do Projeto Meu Melhor Amigo, fala sobre o surto de Cimonose em Campos Novos e esclarece os sintomas da doença, bem como aborda as ações sociais realizada no município, como por exemplo, o mutirão de castração, como veremos em detalhes a seguir:
Projeto ‘Meu Melhor Amigo’
O Projeto Meu Melhor Amigo surgiu em 2018, numa parceria entre a Prefeitura de Campos Novos e a UNOESC, com o intuito de promover o controle populacional de cães e gatos através de cirurgias de castração. Essa parceria durou dois anos, no entanto, grande era a demanda e os pedidos de ajuda não só para castrações, mas também para atendimentos clínicos e cirúrgicos. Desse modo, a partir de 2020 a Prefeitura passou a estabelecer convênio com as clínicas veterinárias do município para a prestação de tais serviços. Somente no ano de 2022 foram investidos o montante de R$ 222.809,12 na causa animal.
O projeto desenvolve várias atividades, além dos atendimentos veterinários para animais de rua e de tutores de baixa renda, atua em conjunto com as Polícias Civil e Militar no combate às situações de maus-tratos aos animais em Campos Novos.
Caracteriza-se por maus-tratos toda conduta humana que acarreta sofrimento físico ou psíquico. Trata-se de violência praticada por indivíduos contra um ser que esteja sob a sua vigilância e cuidados. Dessa maneira, manter cães e gatos em condições adversas ao seu bem-estar, assim como negar-lhes socorro em caso de acidente ou doença, praticar atos de abusos e zoofilia, ferir ou mutilar, promover rinhas, praticar o abandono, dentre outros, o tutor poderá ser enquadrado na Lei nº 14.064/20, a qual prevê pena de 2 a 5 anos de reclusão, além de multa e proibição de guarda.
Fiscalização
Somente nas últimas semanas com o aumento do frio e dias de chuva foram registradas mais de uma dezena de denúncias de maus-tratos a cães e gatos no município. As denúncias geralmente são recebidas através do whatsApp e redes sociais do projeto. Os denunciantes são orientados a registrarem Boletim de Ocorrência relatando a situação. Este B.O pode ser presencial ou online, no www.delegaciavirtual.sc.gov.br, neste último podendo ser de forma anônima.
Grande parte das denúncias diz respeito às péssimas condições em que os animais são mantidos. Cães acorrentados em espaços diminutos e anti-higiênicos, expostos ao sol, chuva, frio, sem abrigo adequado, com ausência de água limpa e alimentação de qualidade.
Das denúncias atendidas nas últimas semanas, duas diligências resultaram no recolhimento de três cães, os quais se encontram no Centro de Reabilitação Animal da Prefeitura. Em um dos casos foi registrado Boletim de Ocorrência contra o tutor e instaurado inquérito para averiguação de crime de maus-tratos dos animais. Também tem sido recorrente as situações em que o tutor muda de residência e não leva consigo os animais de estimação, além de diversas denúncias de abandono de animais nas rodovias e estradas do interior.
Surto de Cinomose
Nas últimas semanas recebemos muitos pedidos de ajuda para cães e gatos acometidos por Cimonose no município. A Cimonose é uma doença viral, infecciosa, altamente contagiosa entre os cães. Afeta principalmente os cães jovens (menores de 01 ano), mas podem também afetar cães mais velhos, sobretudo os que não foram devidamente vacinados ou que apresentam o sistema imunológico debilitado.
A transmissão ocorre quando o cão sadio entra em contato com o vírus presente nas secreções, salivas, urina e fezes de um animal infectado, ou através de superfícies contaminadas, como casinhas, cobertores e comedouros. É possível que o cãozinho afetado não manifeste sintomas, mas seja portador do vírus. Mas quando se manifestam, os sintomas tendem a ser bastante agressivos, com alto índice de mortalidade. Cerca de 15% dos cachorros conseguem sobreviver, embora na maioria dos casos apresentem sequelas.
Normalmente a doença se manifesta em fases e os sintomas podem variar de cão para cão. Na fase inicial os sintomas mais comuns são diarreia, anorexia (perda do apetite), vômito e apatia. Na sequência tende a ter febre alta, corrimento nasal (presença de pus no canal respiratório), corrimento ocular abundante, tosse e dispneia (dificuldade respiratória), que podem estar ligados a um quadro de pneumonia secundária.
Numa fase mais avançada da doença, a qual o vírus já atinge o Sistema Nervoso Central, o animal tende a apresentar incoordenações (andar cambaleante) ou paralisia, Mioclonia (tiques nervosos) e até convulsões. Nessa fase geralmente muitos animais são sacrificados, devido à gravidade do quadro.
ão há medicamentos antivirais eficazes para combater a doença. O tratamento consiste na ingestão de medicamentos para tratar os sintomas e fortalecer o organismo para que o animal consiga combater a infecção e vencer a doença.
Diante do surto acometido no município, a melhor forma de prevenir a Cimonose é através de vacinação, a qual deve ser realizada em clínica veterinária. A vacina para a prevenção da Cimonose consiste nas vacinas V8, V10 e V11. Os filhotes devem receber três doses, com intervalo de 21 a 30 dias entre as aplicações, e o esquema vacinal deve ser iniciado a partir dos 45 dias de vida. Cães adultos podem receber a 1ª dose e um reforço após 21 dias.
Apenas após 30 dias da última dose da vacina o sistema imunológico do cão estará apto a combater o vírus caso haja contato com ele, sendo liberados os passeios na coleira. O esquema vacinal passa então a ser estabelecido com dose de reforço, anualmente.
Vale lembrar que a Cimonose não é uma zoonose, ou seja, não é transmitida ao homem. No entanto, devido à gravidade da doença, é importante que o cão seja levado ao veterinário assim que apresentar os primeiros sintomas.
Mutirão de Castração
O objetivo das ações de mutirão é a realização de controle populacional de cães e gatos, através de cirurgias de castração em massa. As cirurgias de castração, além de evitar o surgimento de crias indesejadas, aumenta a expectativa de vida de cães e gatos, visto que reduz a possibilidade de diversas doenças.
Nas fêmeas diminui a incidência de tumores de mamas, os quais muitas vezes são consequência de aplicação de vacina anti-cio, anula o surgimento dos tumores de útero e ovário e as infecções uterinas. Nos machos anula a possibilidade de tumores nos testículos e diminui consideravelmente as chances de desenvolverem câncer de próstata e hérnias perineais. Diminui ou anula o hábito de marcação de território através da urina e o animal tende a se tornar mais calmo.
O 4º mutirão de castração social está ocorrendo desde o último dia 07 de agosto e segue até o próximo dia 13 no Terminal Rodoviário de Campos Novos, sendo que no dia 11/08 ocorrerá em frente ao Posto de Saúde do Distrito do Ibicuí e no dia 12/08 em frente à Creche do Conjunto Habitacional Integração. Foram disponibilizadas 650 vagas para castração social (gratuita) e 150 vagas para castração particulares a preços reduzidos.
A castração social é assegurada para animais cuja renda familiar do tutor não ultrapassa o limite de três salários mínimos e o animal não possua raça definida, além do tutor obrigatoriamente residir no município de Campos Novos. Já para os tutores que não se enquadrarem nestes critérios, há a possibilidade da castração particular.
Ação Social
A Prefeitura de Campos Novos auxilia mensalmente com fornecimento de ração a diversos lares temporários e protetores, que abrigam e cuidam de animais de rua e animais comunitários, assim como o canil da Dona Liza, que atualmente abriga cerca de 20 cães.
Dessa maneira durante o mutirão de castração, serão recebidos, a nível de contribuição espontânea, para cada animal castrado, 1Kg de ração para cães e gatos. Todo o alimento arrecadado será doado aos tutores assistidos pelo “Projeto Meu Melhor Amigo”.
Para acessar as redes sociais do projeto, siga no Instagram “Meu Melhor Amigo CN” e no Facebook “Meu Melhor Amigo”. Telefone para contato é o (49) 9.9161-0653.
*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1791 de 10 de agosto de 2023.







