Mais uma vez Campos Novos lidera a lista de maior produtor agropecuário de Santa Catarina.
Nesta última semana Campos Novos encabeçou a lista de cidades que dominam a produção agropecuária em Santa Catarina. Campos Novos, Abelardo Luz e São Joaquim, juntas foram responsáveis por 12% do faturamento total do setor catarinense em 2022, que somou R$ 20,1 bilhões, segundo a pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM) divulgada pelo IBGE.
De acordo com a pesquisa a produção de soja se destaca, em 2012 o município plantava 44 mil hectares (ha), já em 2022 foram 62 mil ha. A produção em 2022 foi de 260 mil toneladas (t) com rendimento médio de 4.194kg/ha. O valor da produção na cultura chega a R$ 665,6 milhões. Já a produção de milho teve área plantada de 11.400 com rendimento médio de 11.404 kg/ha e produção de 130 mil t. O valor da produção do milho ficou em R$ 214,5 milhões.
Na cultura de inverno, o trigo teve área plantada em 2022 de 14,5 mil ha com rendimento médio 4.138kg/ha e produção de 60 mil t. O valor da produção ficou em quase R$ 83 milhões.
Ao todo, o município fechou 2022 com faturamento de R$ 992,7 milhões no agronegócio e crescimento de 43,9% frente a 2021. Atualmente, a cidade conta com 2,4 mil produtores rurais. Campos Novos já foi líder no agronegócio em outros anos anos, 2015 e 2021.
Diante de mais esta conquista, a reportagem do Jornal O Celeiro esteve conversando com os Presidentes das duas maiores cooperativas agropecuárias da cidade, Luiz Carlos Chiocca (Copercampos) e João Carlos Di Domenico, o Paco (Coocam), a fim de entender o potencial agrícola local.
Luiz Carlos Chiocca:

Presidente da Copercampos
- A Copercampos atua há 53 anos no município, como você vê esse crescimento?
Campos Novos conta com uma área extensa de terras agricultáveis. Na safra passada, por exemplo, foram plantados 62 mil hectares de soja e 14 mil hectares de milho, e além disso, temos um setor de serviços, além da produção, que dão subsídios para que a cidade se desenvolva com base na agropecuária. A Copercampos é a cooperativa pioneira, nossos associados contribuem muito para o desenvolvimento socioeconômico do município e ficamos felizes por este reconhecimento, mas o que mais desperta nossa alegria é ver o desenvolvimento do produtor, o seu crescimento como produtor de grãos, pois temos utilizado tecnologias que estão oportunizando maiores produtividades, e assim, poderemos construir um negócio cada vez mais sustentável.
- De que forma o agronegócio de Campos Novos teve incentivo do cooperativismo para a obtenção de dados como esses?
- Qual a participação da Copercampos dentro desses números?
- Na sua opinião, o setor agropecuário da cidade mesmo com esses números pode ou precisa evoluir? De que forma podemos fazer isso?
- Em que patamar está atualmente o produtor rural e quais são as suas principais necessidades?
João Carlos Di Domenico:

- Como você recebe estes dados tão expressivos da produção de Campos Novos?
Espetacular! Essa é a palavra que define este resultado, o qual serve para fomentar e incentivar o crescimento do setor, tanto nas atividades primárias, como na cadeia alimentar em sua totalidade. Desde que Campos Novos iniciou fortemente o agro, evoluímos. Por exemplo, temos no município o frigorífico iniciado pelo sistema cooperativista, no entanto, não se faz implantação de uma agroindústria ou de criação de suínos ou aves, onde não tenhamos a principal matéria prima, ou seja, temos essa condição, através dos empresários rurais. Indiferente do tamanho da propriedade, administramos nossos negócios como empresa, avaliamos e estudamos para trabalharmos em cima de dados, números e produtividade.
De acordo com a pesquisa do IBGE, a produção de soja se destaca. Em 10 anos a área da leguminosa aumentou 18 mil hectares (ha), passando de 44 mil para 62 mil ha, com rendimento médio de 4.194kg/ha, em 2022. A produção de milho na safra passada foi de 130 mil t, com acréscimo de área ultrapassando 11 mil ha. O trigo já teve seus altos e baixos, por ser uma cultura mais sensível, no entanto, em 2022 chegou a quase R$ 83 milhões de produção. Contribuímos desta maneira, expressivamente com os resultados. Estamos colhendo o que plantamos.
- A Coocam atua há 30 anos no município, como você vê esse crescimento?
Entre o final da década de 1980 e início de 1990, época em que a Coocam iniciou as atividades, Campos Novos entrou em uma nova fase, onde diminuiu a produção madeireira e pecuária. A partir desse período, fomos fortalecendo a agropecuária e buscando novos desafios com o setor agrícola. No início foi difícil, pois, enfrentamos problemas de tecnologia, adaptações e o próprio clima, mas conseguimos nos aperfeiçoar e estamos vivenciando os resultados, com muitas lutas, safra após safra. A Coocam vem crescendo em números e nos orgulhamos por fazer parte desse resultado, seja na produção de sementes, grãos ou agregação de valor através da Fábrica de Ração. Desde a fundação de nossa cooperativa em 1993, o crescimento do setor foi acelerado, com resultados satisfatórios. Hoje temos no município grande produção de gado, ovos, aves, suínos, leite e madeira também, isso porque diversificamos a produção.
- De que forma o agronegócio de Campos Novos teve incentivo do cooperativismo para a obtenção de dados como esses?
Quase que na totalidade, os produtores camponovenses recebem suporte das cooperativas, desde o plantio, colheita, armazenamento e venda, além de facilidades de processos e créditos rurais. Atuamos de maneira associativista, a diferença no modelo cooperativista é que o principal intuito está voltado à união das pessoas, com benefícios igualitários. Eu lembro quando as cooperativas iniciaram as atividades em Campos Novos, que a Acaresc – atual Epagri, era a grande incentivadora e essa realidade mudou. As cooperativas agrícolas se aperfeiçoaram e se tornaram o grande suporte dos empresários rurais, tanto em tecnologia agrícola e administrativa, quanto em cuidados ambientais com sustentabilidade e conceitos avançados de conhecimentos.
- Quais são os principais desafios da categoria?
Um dos grandes desafios dos produtores camponovenses, é agregação de valor, com investimentos e evolução na área industrial e diversificação das fontes pois, as condições de produção agrícolas são caras e grande parte das cooperativas estão atuando com margens apertadas. O que precisamos são melhores condições para que o produtor consiga produzir e as empresas cooperativas agreguem valor e condições com o desenvolvimento local. As inseguranças tributárias, jurídicas, a questão logística e mesmo pessoal além da situação financeira, criam mal-estar e fazem com que as empresas se resguardem de novos investimentos.
- Com relação às políticas públicas. Os governantes colaboraram para o setor suficientemente ao longo dos anos?
Sobre as políticas governamentais, eu acredito que os políticos precisam fomentar as empresas para a evolução. As autoridades precisam estar presentes nas atividades, sendo o elo do produtor, cooperativas e consumidores. Se os governantes olharem os números perceberão que poucas atividades conseguem dar um retorno tão rápido, quanto o agronegócio. Reforço, os bons resultados vêm com estabilidade social, econômica, judiciária e políticas públicas a longo prazo, os quais fomentam e criam ambientes para investimentos em produção e produtividade.
*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1798 de 28 de setembro de 2023.







