Reciclar também é saúde

Destino correto de lâmpadas e eletrônicos evitam contaminações ao meio ambiente e danos á saúde humana.

lixo-eletronicoVisando a destinação correta de eletrônicos e lâmpadas, a Associação dos Municípios do Planalto Sul de Santa Catarina – Amplasc, aderiu ao projeto Recicla CDL, desenvolvido há cerca de 5 anos em Campos Novos pela Câmara de Dirigentes Lojistas, com apoio do Rotary Club.

Os eletrônicos podem ser entregues nos coletores instalados na Eletrônica Paulista próximo ao Terminal Rodoviário Municipal e no Supermercado Copercampos, no Bairro Aparecida. As lâmpadas, o ideal é que sejam devolvidas nos locais onde foram adquiridas, atendendo a lei da logística reversa. O material entregue pela comunidade é armazenado em um barracão cedido pelo empresário Clayton Moraes, do Rotary e posteriormente é encaminhado pela empresa HQI Reciclagem de São Francisco do Sul, para sua correta destinação.

Rodrigo da Silva, engenheiro ambiental da Amplasc
Rodrigo da Silva, engenheiro ambiental da Amplasc

De acordo com o engenheiro ambiental da Amplasc, Rodrigo da Silva, a parceria com a CDL fortaleceu a ação e zerou os custos. “A gente resolveu juntar em função do custo da destinação. A CDL tinha um custo para fazer a destinação das lâmpadas, os eletrônicos eram levados de graça, mas as lâmpadas eles cobravam para levar e descontaminar. Então a Amplasc conseguiu essa empresa que faz o recolhimento, a destinação correta e não cobra nada”, informou o engenheiro.

O lixo eletrônico e lâmpadas são coletados em todos os municípios da Amplasc. Para melhorar a logística do projeto, Amplasc e CDL apresentaram projeto visando a aquisição de container para armazenar o material coletado. A ideia seria a implantação de dois containers. Um projeto foi encaminhado para a Enercan e outro está sendo avaliado pela própria Amplasc para aquisição pelos municípios associados. “Cada município tem um espaço que vai armazenando, vem o caminhão e leva, o que não é o ideal. Então estamos trabalhando para comprar um container e armazenar este material. A hora que encher o container o caminhão vem e leva”, explicou Rodrigo.

A maior dificuldade na coleta, explicou ainda o engenheiro ambiental, é a entrega da lâmpada desembalada. O correto é que a lâmpada seja devidamente embalada pela população antes de ser entregue, a fim de evitar que se quebre durante o transporte. Quanto a computadores e televisores, Rodrigo da Silva orienta que não ocorra o desmonte.

Os danos ao meio ambiente e à saúde do descarte incorreto

Rodrigo da Silva realizou levantamento sobre o que o descarte incorreto pode ocasionar. Quando, por exemplo, lâmpadas fluorescentes são descartadas inadequadamente no meio ambiente e se quebram, elas emitem vapores de mercúrio que, inalados, podem causar muitas doenças, como: dor de estômago, diarreia, tremores, dentes moles com inflamação, sangramento na gengiva, insônia, falhas de memória e câncer, entre outros riscos. Sem contar os perigos de contaminação do meio ambiente.

As lâmpadas fluorescentes, tanto compactas, quanto tubulares, as de vapor metálico, de vapor de mercúrio, de vapor de sódio e as de luz mista são exemplos de lâmpadas que apresentam mercúrio e que, por isso, precisam receber tratamento adequado pós-uso. Entretanto, estima-se que apenas 5% do total consumido no Brasil vão para a reciclagem.

Ainda é preciso sensibilização da população. “Muito pouca adesão, porque a gente sabe que tem muita coisa jogada nos cantos. Naquela coleta na ação do Maio Amarelo em Campos Novos, poucas pessoas entregaram, foram mais empresas mesmo”, afirmou Rodrigo.

Apenas as lâmpadas contendo mercúrio necessitam de um tratamento especial antes de seus componentes serem reciclados. As demais lâmpadas, incandescente e leds, não precisam ser descontaminadas antes da reciclagem, porém devem ser recicladas.

O levantamento mostra que essas lâmpadas são extremamente toxicas, podem contaminar o lençol freático com o mercúrio e contaminar também os humanos. O mercúrio tem efeito acumulativo e a exposição prolongada causa danos pulmonares, renais e neurológicos, e assim, doenças como o mal de minamata.

Quando a lâmpada é quebrada, libera o gás toxico. O interior do tubo das lâmpadas fluorescentes é revestido com uma poeira fosforosa contendo diferentes metais, entre os quais vapor de mercúrio.

Rodrigo da Silva se referiu ainda à pilhas e baterias. “Bateria de celular e pilha é muito pouco que vem para reciclagem. Porque geralmente o pessoal joga dentro do saco de lixo e vai para o aterro, onde permanece por 50 a 100 anos degradando. Poucos sabem que celulares tem metal pesado, chumbo, cádmio e mercúrio”, alertou.

Uma pilha pode contaminar o solo por cerca de 50 anos. Alguns objetos muito comuns no dia a dia doméstico têm, em sua composição, elementos químicos considerados perigosos, como mercúrio, cádmio, níquel, zinco, manganês e chumbo. Esses materiais estão nas lâmpadas fluorescentes, pilhas, tintas, restos de produtos de limpeza, embalagens de aerossóis – coisas sem as quais não conseguimos viver – e podem causar grandes estragos no meio ambiente e na saúde humana, caso não sejam descartados apropriadamente.

No Brasil, são produzidas aproximadamente 800 milhões de pilhas comuns por ano. Cada uma tem o poder de contaminar o solo por cerca de 50 anos. Nem todos os tipos de pilhas e baterias apresentam o mesmo risco ambiental, mas lançá-las ao lixo comum é um erro recorrente e grave.

O importante é buscar o descarte correto para esses materiais em postos especiais de coleta em supermercados, estabelecimentos comerciais e redes de assistência técnica.

No caso do lixo eletrônico nos enganamos redondamente pensando que são apenas os equipamentos de alta tecnologia como computadores, câmeras e celulares que poluem o ambiente. Rádios, tv’s, aparelhos de som, aparelhos elétricos, lâmpadas eletrônicas, entre outros, também contém inúmeros elementos altamente poluentes.

Ao olhar um computador, um celular e outros equipamentos externamente não se tem a noção da diversidade de materiais que ele contém, inclusive vários materiais nobres (ouro, platina, etc.) e que acabam indo parar no lixo, podendo contaminar a água do subsolo, o próprio solo e a atmosfera, caso sejam queimados.

*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1436 de 07 de Julho de 2016.

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