Entidade também estará ampliando foco em alunos com TEA.

A equipe do Jornal O Celeiro conversou com o diretor da APAE de Campos Novos, Luiz Augusto de Souza, e com a secretária da entidade, Juliana de Oliveira Espíndola, para conhecer o planejamento, as prioridades e as principais novidades da instituição para o ano de 2026.
A associação inicia o ano letivo com reforço no trabalho pedagógico, investimentos em estrutura, fortalecimento da equipe multidisciplinar e a ampliação de ações voltadas especialmente aos alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), além da manutenção de projetos sociais, de saúde e de inclusão que já são referência no município.
As atividades com os educandos começam oficialmente no dia 9 de fevereiro, enquanto os profissionais iniciam os trabalhos de planejamento e organização, a partir do dia 21 de janeiro com professores contratados e servidores efetivos retornando no dia 4 de fevereiro. Segundo Luiz, o foco principal da instituição é garantir um atendimento cada vez mais qualificado, especialmente diante do aumento no número de alunos com necessidades específicas.
Atualmente, a APAE de Campos Novos atende cerca de 118 educandos na escola, distribuídos em 16 turmas. Somando os atendimentos realizados pela APAE Clínica, o número ultrapassa 150 usuários.
Um dos destaques para este ano é o fortalecimento das ações voltadas aos alunos com TEA, cujo número vem crescendo na instituição. Hoje, já são mais de dez estudantes com esse diagnóstico sendo acompanhados.
“O nosso planejamento para 2026 é investir ainda mais na formação dos professores e na organização das atividades pedagógicas para atender esse público, que tem demandas específicas e exige um trabalho muito bem estruturado”, explica o diretor.
PLANEJAMENTO

Em 2025, a instituição também obteve conquistas importantes na área educacional. Um dos exemplos foi a participação de um educando da APAE em feiras de matemática, alcançando o primeiro lugar em nível estadual, resultado que, segundo a direção, demonstra a capacidade e o potencial dos educandos quando recebem o acompanhamento adequado.
Outro avanço significativo foi na área estrutural. No ano passado, a APAE concluiu uma ampla reforma na APAE Clínica e implantou uma sala sensorial, equipada com recursos adquiridos por meio de investimento de aproximadamente R$ 80 mil, além de recursos oriundos de emendas impositivas. O espaço já está sendo utilizado no atendimento aos usuários.
No entanto, a instituição ainda enfrenta entraves burocráticos para dar início a um projeto maior de ampliação da escola. A proposta prevê a construção de 11 novas salas e a criação de uma nova ala, com investimento estimado em mais de R$ 4 milhões. O projeto está temporariamente paralisado devido à necessidade de regularização e unificação das matrículas de quatro terrenos pertencentes à APAE.
“A gente precisa resolver essa questão documental para poder apresentar os projetos e liberar as emendas parlamentares. Assim que isso for resolvido, temos convicção de que essa obra vai sair do papel, porque a demanda cresce a cada ano”, destaca Luiz.
Atualmente, a instituição conta com 36 colaboradores nas áreas de educação, saúde e serviços gerais. Estão previstas novas contratações na área da educação, já que dois professores pediram desligamento. Um dos principais desafios é a falta de profissionais de Terapia Ocupacional (TO), não apenas no município, mas em toda a região. Mesmo assim, a APAE mantém uma equipe multidisciplinar com psicólogos, fisioterapeutas, orientadores e outros especialistas.
FUTURO E APOIO

Segundo a direção, o número ideal de profissionais ainda é maior do que o atual, mas a limitação de recursos impede novas contratações.
“Se tivéssemos mais condições financeiras, com certeza ampliaríamos a equipe, porque isso significaria mais atendimentos e mais qualidade para os nossos alunos”, explica o diretor.
Além da área educacional, a APAE de Campos Novos mantém uma ampla rede de serviços de saúde e assistência social. Entre eles estão o atendimento odontológico, considerado um dos diferenciais da instituição, o acompanhamento psiquiátrico, psicológico e terapêutico, além de atividades nas áreas de arte, música, educação física e projetos especiais.
Um dos projetos que se destacou no último ano foi o “Projeto Aquecer”, que produziu cobertores e acolchoados a partir da lã de ovelha para alunos e famílias em situação de vulnerabilidade social.
Na parte administrativa, a entidade também inicia 2026 com nova composição na diretoria. O antigo tesoureiro, Carlos Alberto Surdi, assumiu a presidência da associação. Segundo Luiz, a instituição está financeiramente organizada e possui reservas suficientes para garantir o pagamento dos colaboradores por alguns meses, mesmo em caso de atraso nos repasses.
A APAE mantém convênios com o município e com o Estado, que garantem parte do custeio de profissionais, transporte urbano e rural, alimentação, segurança, água e energia elétrica.
Ainda assim, os custos de manutenção da estrutura física que possui mais de 2.500 metros quadrados construídos exigem constante esforço financeiro. Para fechar o ano equilibrado, a instituição depende também de doações, promoções e eventos.
Entre as ações previstas para 2026 está a retomada do tradicional bingo da APAE, que não foi realizado no ano passado devido a reformas no salão paroquial. A expectativa é que o evento ocorra ainda este ano, além da continuidade de campanhas, rifas e parcerias com a comunidade.
Ao final da entrevista, Luiz deixou uma mensagem de agradecimento à comunidade de Campos Novos pelo apoio constante à instituição.
“A APAE não é do diretor, não é do presidente. Ela é da comunidade. E esse trabalho só existe porque muitas pessoas ajudam. Sem a APAE, muitos desses alunos estariam hoje em situações extremamente difíceis. Aqui, eles têm acompanhamento, cuidado, estímulo e, principalmente, dignidade”, conclui.
*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1912 de 22 de janeiro de 2026.


