Ao apresentar os dados da Fundação Hospitalar Dr. José Athanázio, a atual gestão dá um passo importante: o de reconhecer os problemas.
Em uma cidade como Campos Novos, onde a relação entre poder público e comunidade é mais próxima, a transparência não é apenas uma obrigação, mas uma escolha que fortalece a confiança. Mais do que números, o que se apresentou foi um diagnóstico necessário.
A baixa ocupação de leitos, inclusive na UTI, e o não cumprimento de metas com o Governo do Estado são sinais de que algo precisa ser ajustado com urgência. Identificar os problemas é, sem dúvida, meio caminho andado. Mas a outra metade exige ação.
Um hospital com menos de 50% de ocupação levanta questionamentos importantes. Não se trata apenas de demanda, mas de fluxo, de oferta de serviços e da capacidade de atender e reter pacientes e profissionais no próprio município.
Da mesma forma, o descumprimento de metas contratuais acende um alerta financeiro. A possibilidade de redução de repasses do Estado coloca ainda mais pressão sobre a gestão.
A direção aponta caminhos: ampliar procedimentos, buscar novas especialidades, reestruturar setores e melhorar a produção hospitalar. São medidas necessárias, mas que precisam sair do papel com agilidade e consistência.
Também chama atenção a limitação de atendimentos de maior complexidade, que ainda obriga muitos pacientes a se deslocarem para outras cidades. Essa é uma realidade que precisa ser enfrentada com planejamento e articulação.
O anúncio de investimentos e o diálogo com o Governo do Estado são importantes. Como bem destacado pela própria administração, sem articulação e relações institucionais produtivas, as metas não saem do papel.
A saúde de Campos Novos tem agora um diagnóstico claro. O próximo passo é transformar esse reconhecimento em resultados.
Porque, no fim, é isso que a comunidade espera: que os problemas identificados se tornem soluções concretas.
Por: Priscila Nascimento
Jornalista / Jornal O Celeiro
*Editorial publicado no Jornal O Celeiro, Edição 1927 de 07 de maio de 2026.
