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Julho Verde alerta para os sinais do câncer de cabeça e pescoço

Campanha reforça a importância do diagnóstico precoce; feridas que não cicatrizam, rouquidão persistente e caroços no pescoço merecem atenção.

Julho é o mês dedicado à conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço. A campanha Julho Verde tem como objetivo informar a população sobre os fatores de risco, os principais sintomas e a importância do diagnóstico precoce.

Embora muita gente associe esse tipo de câncer apenas à boca, ele também pode atingir a língua, os lábios, a garganta (faringe), a laringe, a cavidade nasal, os seios da face e as glândulas salivares.

Médico Gabriel Massoud

Em entrevista com o médico Gabriel Massoud, ele diz que um dos grandes desafios, se tratando do tema é que, na maioria das vezes, os tumores nessa região começam de forma silenciosa. Os primeiros sintomas costumam ser leves e facilmente confundidos com problemas comuns, como uma afta, uma irritação na garganta ou uma rouquidão passageira. Isso faz com que muitas pessoas demorem para procurar atendimento.

“O Julho Verde nos lembra que o câncer de cabeça e pescoço pode ser prevenido e, principalmente, diagnosticado cedo. Quanto mais cedo a doença é descoberta, maiores são as chances de cura e menores os impactos do tratamento”, destaca.

Os números mostram a importância do tema. De acordo com o médico, cerca de 900 mil novos casos são registrados todos os anos no mundo, provocando mais de 400 mil mortes. A doença é mais frequente em homens, principalmente acima dos 40 ou 50 anos, mas esse perfil vem mudando. “Hoje também observamos casos em pessoas mais jovens, especialmente aqueles relacionados ao HPV, que está associado ao câncer de orofaringe”, explica.

Por isso, o médico reforça que ninguém deve ignorar sintomas persistentes apenas porque nunca fumou ou acredita não fazer parte do grupo de risco.

Os principais fatores de risco são o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Quando esses dois hábitos estão associados, o risco de desenvolver a doença aumenta significativamente.

Além disso, a infecção pelo HPV está relacionada a alguns tipos de câncer da garganta. Má higiene bucal e algumas exposições ocupacionais, como ao formaldeído e à poeira de madeira, também podem contribuir para o desenvolvimento da doença em situações específicas.

Feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente, dor ou dificuldade para engolir, caroços no pescoço, dor constante na garganta, sangramentos pela boca ou pelo nariz sem explicação, dor de ouvido sem causa aparente e perda de peso sem motivo estão entre os principais sinais de alerta.

Dr. Gabriel explica que esses sintomas não significam necessariamente que a pessoa tenha câncer, mas não devem ser ignorados quando são persistentes. “Muitas vezes o paciente acredita que é apenas uma afta ou uma irritação na garganta e espera que passe sozinho. O problema é quando esse sintoma permanece por semanas ou volta repetidamente. Nesses casos, é fundamental procurar avaliação médica.”

Como orientação, o médico recomenda que uma ferida na boca que permaneça por mais de 15 dias, uma rouquidão que dure mais de duas ou três semanas, um caroço no pescoço que não desapareça ou uma dificuldade persistente para engolir sejam avaliados por um profissional de saúde. “Esperar meses pode atrasar o diagnóstico”, alerta.

PREVENÇÃO E CONSULTAS DE ROTINA FAZEM A DIFERENÇA

A boa notícia é que muitas dessas doenças podem ser prevenidas. Não fumar, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, manter uma boa higiene bucal, adotar uma alimentação rica em frutas e verduras e manter a vacinação contra o HPV em dia são atitudes que reduzem significativamente o risco.

Outro ponto importante é não deixar de realizar consultas de rotina. Segundo o Dr. Gabriel Massoud, muitas lesões iniciais não provocam dor e acabam sendo descobertas durante uma avaliação clínica, especialmente pelo dentista, que examina toda a cavidade oral.

Quando identificado no início, o câncer de cabeça e pescoço costuma exigir um tratamento menos agressivo, além de apresentar maiores chances de cura e menor risco de comprometer funções importantes, como a fala e a deglutição. “O diagnóstico precoce continua sendo a principal arma para aumentar as chances de cura”, afirma o médico.

Diante de qualquer sinal suspeito, a orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde, um médico ou um dentista para avaliação. Se necessário, o paciente será encaminhado para exames e atendimento especializado.

*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1939 de 30 de julho de 2026.

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