Medicamentos podem ser aliados no tratamento da obesidade, mas exigem indicação, acompanhamento médico e avaliação individualizada.

A perda de peso pode ser o sonho de muitas pessoas, mas alcançar esse objetivo também tem causado frustrações. “Preciso emagrecer, mas não consigo mudar meus hábitos alimentares. E agora, o que fazer?” Nos últimos anos, surgiram as chamadas canetas emagrecedoras, consideradas por muitos uma espécie de milagre para quem busca perder peso.
A medicação tem sido utilizada como uma aliada no processo de emagrecimento, especialmente pelos resultados que pode proporcionar. Apesar da popularidade, esses medicamentos não devem ser encarados como uma solução rápida ou utilizados por conta própria.
As canetas emagrecedoras são medicamentos injetáveis que atuam em vias hormonais, imitando hormônios como GLP-1 e GIP. Em entrevista, a Dra. Paola Sosa explica que esses medicamentos atuam no organismo aumentando a sensação de saciedade, retardando o esvaziamento gástrico e auxiliando no controle glicêmico e metabólico.
Entre os medicamentos mais conhecidos estão os à base de semaglutida e tirzepatida, que, quando bem indicados, podem ser ferramentas importantes no tratamento da obesidade. Mas, antes de chegar à aplicação, existe uma etapa fundamental: a avaliação médica.
Segundo a Dra. Paola, o primeiro passo é verificar se existe realmente indicação, entender o objetivo do tratamento, conhecer o histórico de saúde e avaliar se aquele medicamento é adequado para determinada pessoa. “Não é seguro simplesmente utilizar a medicação porque alguém conhecido está utilizando”, alerta.
Na consulta, o médico pode avaliar peso, altura, índice de massa corporal (IMC), composição corporal, histórico de ganho de peso, hábitos alimentares, nível de atividade física, qualidade do sono, medicamentos em uso, doenças associadas, histórico familiar, saúde mental e comportamento alimentar. Também são considerados tratamentos anteriores para emagrecimento, além das expectativas e dos objetivos do paciente. Por isso, duas pessoas com o mesmo peso podem ter indicações completamente diferentes.
O IMC é uma ferramenta utilizada na avaliação, mas não deve ser o único critério para decidir pelo tratamento.
Também é necessário conhecer as condições de saúde do paciente, os medicamentos que utiliza e se já apresentou determinados problemas gastrointestinais, pancreáticos ou biliares, além de outros fatores que possam modificar a indicação ou exigir maior cautela.
INFORMAÇÕES
- Qual a indicação? A indicação formal desses medicamentos está relacionada ao tratamento da obesidade e, em determinadas situações, ao sobrepeso associado a condições relacionadas ao excesso de peso, como hipertensão, diabetes e alterações nos níveis de colesterol e outros lipídios. Os critérios, porém, variam conforme o medicamento e devem ser avaliados individualmente.
Alguns medicamentos dessa classe, por exemplo, possuem contraindicação para pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide. A gravidez também é uma situação em que esses medicamentos não devem ser utilizados para emagrecimento.
- O risco da automedicação: Com a popularização das canetas, também cresceu o risco de pessoas iniciarem o tratamento sem orientação profissional, seja utilizando medicamentos indicados para outra pessoa, seja aumentando a dose por conta própria na expectativa de obter resultados mais rápidos.
Para a Dra. Paola, essa prática envolve mais do que o risco de utilizar uma medicação sem indicação. Uma dose inadequada, o aumento rápido da quantidade utilizada, possíveis interações medicamentosas e efeitos adversos podem comprometer a segurança do tratamento.
- Os efeitos colaterais: Os efeitos adversos mais comuns estão relacionados ao sistema gastrointestinal. Náusea, sensação de estômago cheio, redução importante do apetite, refluxo, desconforto abdominal, constipação, diarreia e, eventualmente, vômitos podem ocorrer, principalmente no início do tratamento ou durante os ajustes de dose.
Por isso, o início da medicação e a progressão das doses precisam ser feitos de maneira adequada, respeitando a resposta individual de cada paciente. Alguns cuidados também podem ajudar a reduzir o desconforto, como fazer refeições menores, comer mais devagar, manter uma hidratação adequada e evitar refeições muito gordurosas ou volumosas, especialmente no início do tratamento.
*Reportagem Publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1944 de 02 de setembro de 2026.






