ONU aponta recorde global no consumo de drogas e alerta para impacto nos municípios

Relatório mostra avanço das drogas sintéticas, aumento da cocaína e dificuldade de acesso ao tratamento

O Relatório Mundial sobre Drogas 2026, do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), aponta que 331 milhões de pessoas usaram drogas em 2024. O número representa alta de 34% em uma década e confirma a aceleração de um cenário que já preocupa governos, serviços públicos e redes de atenção social em diferentes países.

Além do aumento no consumo, o documento chama atenção para mudanças no mercado ilícito, com a expansão de drogas sintéticas mais potentes, como os nitazenos, e o pico na produção de cocaína. Esse movimento também favorece o crescimento de derivados como o crack, cuja presença já era registrada em 98% dos municípios brasileiros, segundo pesquisa da Confederação Nacional de Municípios (CNM).

Outro ponto destacado pelo relatório é a dificuldade de acesso ao cuidado. Hoje, apenas 1 em cada 12 pessoas com transtornos por uso de substâncias recebe tratamento. Entre as mulheres, o cenário é ainda mais grave: o índice cai para 1 em cada 23, evidenciando desigualdade no atendimento e na resposta dos sistemas de saúde.

A CNM avalia que o problema vai além da assistência individual e exige políticas integradas. Para a entidade, o avanço das substâncias mais potentes e a transformação rápida do mercado de drogas pressionam áreas como saúde, assistência social, segurança e educação, tornando insuficiente uma resposta baseada apenas na repressão.

O relatório da ONU também relaciona a dinâmica das drogas a efeitos concretos sobre a segurança e a ordem pública. Entre os principais fatores estão episódios violentos e surtos ligados ao uso de estimulantes, furtos e roubos associados ao custo contínuo da dependência, além das disputas territoriais do crime organizado, que ampliam a percepção de insegurança nas cidades.

No Brasil, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 reforça essa leitura ao indicar crescimento das ocorrências de tráfico de drogas, que chegaram a 207.058 em 2025, alta de 18,5% em relação ao ano anterior. Enquanto isso, as ocorrências de posse e uso caíram 18,3%, movimento associado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública à decisão do STF sobre o porte de maconha para consumo pessoal.

Para a CNM, a pressão sobre as prefeituras tem aumentado, especialmente sobre as Guardas Municipais, que passaram a atuar em frentes que vão além de suas atribuições originais. A entidade afirma que essa ampliação de funções não veio acompanhada da devida destinação de recursos, capacitação e suporte técnico.

Os dados citados pela confederação mostram ainda que as despesas da União com segurança pública recuaram 17,7% no último ano, em sentido oposto ao aumento dos gastos municipais, que crescem mais rápido que os estaduais e muito acima dos federais. Nesse contexto, a CNM defende atuação coordenada entre União, estados e municípios para enfrentar o avanço das drogas e seus desdobramentos nos territórios.

*INFO: REDE CATARINENSE DE NOTÍCIAS

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