Mulheres encontram na prostituição uma maneira de sustentar suas famílias. Conheça a história de vida de profissionais do sexo que trabalham na região.
Uma profissão como outra qualquer, mas que têm no preconceito e na discriminação, os piores sentimentos. Muitas mulheres encontram na prostituição uma forma de manter sua vida e sustentar seus filhos. Atuar como garota de programa é para muitas, o trabalho do momento e o desejo de sair, trabalhar em outra área e concluir os estudos é para elas, um objetivo de vida.
O Jornal O Celeiro buscou conhecer um pouco da rotina de mulheres que ganham a vida com sexo e descobriu o que elas pensam sobre a prostituição.
Em uma boate de Campos Novos, uma jovem de 22 anos, 1,66 de altura, olhos verdes e boa conversa atrai clientes a fim de um bom papo e alegria. Mãe de dois filhos, um com quatro e outro com dois anos, a Paranaense Jheniffer da Cruz, já foi casada.
Experiente na profissão, já que passou por mais de dez casas em mais de quatro anos atuando como garota de programa, Jheniffer conta que o que mais os homens procuram é atenção. “No começo, quando eu tinha 18 anos, não tinha facilidade de chamar atenção do cliente e sentia dificuldades em conversar ou me relacionar, mas depois que fiz meu primeiro programa e fui aprendendo técnicas para conversar, você não vê mais a aparência física do homem, mas sim o que ele tem e pode gastar. É um jogo de interesse e o que o homem quer é conversar, rir, escutar música e dançar”, afirmou.
Para ela, a ideia de que o homem procura uma boate para o ato sexual deve ser desmistificada. “Muitos vem aqui não pelo sexo, mas para ter um bom papo e atenção. Nós aqui somos muito mais psicólogas, médicas e até conselheiras do que propriamente garotas de programa”, ressaltou.
O desejo de sair desta profissão, estudar e atuar em outra área está em todas as cabeças das mulheres, segundo Jheniffer. “Eu já tentei sair, parar de trabalhar como garota de programa, mas é difícil principalmente pela renda que tenho. Eu entrei por não conseguir sustentar meu filho com o que ganhava na época trabalhando no comércio, e hoje sei que não vou conseguir sair sem estudar e ter uma profissão e é isso que pretendo fazer para largar a vida de garota de programa, porque a beleza acaba e o corpo cai e é preciso pensar no futuro”.
Mas nem tudo são flores nesta profissão. O trabalho duro, a rotina cansativa e o preconceito da sociedade são visíveis. Para Jheniffer da Cruz, as mulheres são as que mais discriminam as profissionais do sexo. “O que vemos é que as mulheres pensam que o homem vem até a boate para fazer sexo, mas não é bem assim. Existem homens e homens, e muitos vêm para se divertir. Existe uma diferença entre nós e as mulheres que não vivem da profissão. Muitas de nós não procuram o homem casado, ele vem até nós, e mulheres da “sociedade”, não fazem isso, elas ligam, incomodam e prejudicam o casamento do homem, por exemplo. É preciso separar as coisas, pois essa é uma profissão”, afirmou.
Sobre os filhos, a jovem afirma que eles são a maior alegria de sua vida. “Eu sou feliz porque faço tudo para meus filhos e tento dar tudo que eles querem e precisam. Um dos meus filhos mora com o pai dele e o outro com meus pais. Já pensei em trazer comigo, mas não vejo como bom para eles viverem comigo, que posso estar mudando de lugar sempre. O ruim da vida é ficar longe deles, mas eu sei que eles estão bem e é neles que penso quando trabalho”, finalizou.
A premissa de quem ganha muito, gasta mais ainda é compartilhada por Jheniffer. “Assim, temos, assim como todos, momentos de crise e esses dias, o mercado estava ruim e nós sentimos isso, mas sempre, o que ganhamos é pouco para o tanto que gastamos. Eu sou assim e é por isso, também que é difícil deixar a vida”, finalizou.
Uma ex-garota de programa realizada
Após sete anos trabalhando em diversas casas de prostituição, bares e boates de shows, Juliana Santana, 34 anos, largou a profissão antes mesmo de conhecer seu marido e pai de sua filha, que hoje tem cinco anos de idade.
Para ela, que hoje está desempregada, a maior dificuldade para sair da profissão foi financeira. “Eu não podia deixar de trabalhar porque não conseguia ganhar o mínimo para me sustentar. Hoje estou desempregada, mas trabalhei no comércio, como atendente, como frentista e hoje vivo feliz por ser casada, ter minha filha e saber que tudo que passei foi recompensado”, relembrou.
Juliana afirma que durante os anos que trabalhou como garota de programa, seus envolvimentos na maioria eram com homens casados. “Muitos casados procuraram as casas afim de sexo ou de atenção. Já tive relações com muitos homens e muitas foram por dinheiro, mas é claro que senti prazer algumas vezes”.






