Bom pra todos

Mercado agrícola surpreende positivamente. Estoques baixos de milho elevaram preço. Clima prejudica safra de soja na Argentina e preços se mantém estáveis na bolsa. Mesmo com produção inferior à esperada, feijão proporciona bons lucros ao produtor. E o que mais vem por aí? Confira reportagem com o diretor executivo da Copercampos, Clebi Renato Dias.

Clebi Renato Dias
Clebi Renato Dias

A produtividade de grãos na região de Campos Novos, safra 2015/216 deve se manter na média obtida na safra anterior, porém, neste ano, o mercado agrícola pesou muito no momento de comercialização dos produtos.

E para explicar os movimentos do mercado agrícola e as expectativas futuras, o Diretor Executivo da Copercampos e Operador de Mercado, Clebi Renato Dias concedeu entrevista a reportagem do O Celeiro.

Milho a preço de ouro, sim!

As projeções apontadas no início de colheita da safra de que os preços do milho se manteriam elevados foram confirmadas. Os baixos estoques do cereal garantiram a alta e com isso, os produtores da região aproveitaram o momento para comercializar seus produtos.

“O que fez o preço do milho chegar neste nível foi a decisão do produtor em 2015 de plantar ou não plantar a cultura em agosto e setembro, quando os preços estavam entre R$ 22,00 a R$ 24,00 o saco, e com custo de produção na faixa de R$ 3 mil a R$ 3,5 mil dependendo da tecnologia e com isso, o custo da lavoura ficou muito alto e o produtor optou pela soja, mesmo que a cooperativa ofertasse vendas futuras a R$ 30,00 e no decorrer disso veio um fator determinante a nível de Brasil, que foram alterações que ocorreram no milho safrinha, quando a agroindústria contando com milho safrinha em bons estoques e na realidade as empresas exportaram um bom volume em Goiás, Mato Grosso e do Paraná e esse milho acabou não vindo, fechando de janeiro de 2015 a janeiro de 2016 em 31 milhões de toneladas de milho exportado e naturalmente faltou milho no mercado interno, com pressão grande em março e abril, porque as empresas se viram sem produto com estoques curtos, precisando de milho em uma semana. Com isso o preço que se pedisse no milho, vendia. Foram comercializados assim, milho até R$ 53,00 o saco e ao produtor R$ 46,00. Historicamente em reais são valores altos e em dólar também, sendo assim, preços excelentes ao produtor e isso claro, deve mexer no mercado futuro. Na Copercampos tivemos redução de 40% no plantio na safra passada e teremos o pior recebimento de milho de 2010 até hoje, que não deve chegar a 1,8 milhões – expectativa era de receber 2,5 milhões – e já estamos assim, comprando milho futuro da segunda safra do Mato Grosso, Goiás e do Paraguai para suprir a demanda da nossa indústria de rações”, explicou Clebi.

O milho safrinha, a segunda safra praticada nos estados do centro-oeste e Paraná deve ter queda de produção devido à seca, por outro lado, a indústria já investe em outros grãos para produzir rações. O diretor da Copercampos comenta: “As indústrias de ração e de alimentação tem uma dependência muito grande da segunda safra de milho, que é até maior do que a primeira e esses problemas de seca e geada que pegou alguns lugares vai prejudicar a produção, mas o que sabemos e justifica os preços é que o milho safrinha tem um bom volume exportado. Temos contratos com preços abaixo dos praticados hoje, a valores de R$ 36,00 e esperamos que se cumpram esses contratos, que na época não eram tão baixos, mas isso nos dá uma segurança para receber o produto e realmente é uma incógnita muito grande da produção do milho, pois empresas já estão comprando trigo e trigo bom para suprir a demanda de rações e a expectativa é que na safrinha se colha acima de 50 milhões de toneladas para que possa se cumprir os compromissos de exportação e a demanda do mercado interno”.

O planejamento da safra 2016/2017 de milho já está ocorrendo e produtores de regiões do Paraná já mudaram seu pensamento, visando produzir o cereal para atender o mercado. Porém, muitos acreditam que deve faltar milho nas indústrias de rações. “Muitos produtores do Paraná já mudaram o planejamento e ao invés de plantar trigo, estão nessa janela plantando muito milho. O detalhe é a oportunidade de mercado, mas com visão no custo de produção, pois temos sementes com alto custo e o produtor deve optar por tecnologia. Eu acho que as empresas devem fazer algo bem feito e ter um preço remunerador ao produtor de milho na próxima safra, senão ocorrerão riscos de desabastecimento sim do mercado no segundo semestre deste ano e início de 2017”, ressaltou.

Garantir um preço ao produtor é uma das soluções e Clebi Renato Dias acredita que outras ações devem ser tomadas. “Nós vemos que o governo não tem como incentivar porque não tem dinheiro para nada, e as empresas devem se movimentar para fazer alguma coisa. Uma coisa que saiu foi de isentar o imposto de importação de produtos fora do Mercosul, como milho dos Estados Unidos da América. Mas a grande briga é para que se isente Pis e Cofins que é 9,75% e que atinge nós aqui que temos uma produção grande e se vier milho da Argentina e Paraguai, vamos continuar pagando 9,75% e isso pesa bastante e tem essa briga para que neste período de falta de milho se isente, mas o governo com falta de caixa, deve ser difícil de liberar. Por outro lado, para incentivar o produtor, existem programas em cooperativas e Governo do Estado para que se aumente 100 mil hectares em Santa Catarina, mas isso tudo deve ser posto em pratica, com preço justo ao produtor”, ressaltou Clebi Renato Dias.

Soja

O mercado de soja balançou após a queda do dólar, que chegou em fevereiro a custar em real 4,10. Com os preços da commoditie em US$ 9,00, os valores eram de R$ 67,00 a R$ 68,00 o saco da oleaginosa. Com a desvalorização da moeda internacional frente ao real, chegando a R$ 3,49 para US$ 1, com preços de R$ 64,00 o saco. “O produtor de soja está com sorte nos últimos anos. Quando não é o câmbio é o aumento da soja em Chicago, que subiu bem e muitas empresas não esperavam essa elevação do produto, mas tivemos diversos problemas climáticos na Argentina, com excesso de chuvas, enchente e inundações e isso no mercado se fala que de 3 a 5 milhões de toneladas de soja devem se perder da safra no país vizinho e isso fez o mercado internacional reagir, com preços excelentes hoje ao produtor – R$ 73,00/saco -. Salvos por um problema climático e imagine se tivesse 1 dólar a R$ 4,00, estaria melhor ainda ao produtor”, comentou.

A previsão de recebimento de soja na Copercampos é de 5,6 milhões de sacos. “A produtividade não foi a top, porque o clima e doenças prejudicou um pouco o desenvolvimento da cultura, mas mesmo assim, é uma boa produção”.

Feijão do tarde com boa produção

A cultura do feijoeiro é de alto risco e quem planta sabe disso, porém, a safra 2015/2016 teve particularidades e quem apostou no tarde, ganhou. “O feijão do cedo teve uma produção baixíssima, com até 8 sacos/hectare, mas no tarde, a produtividade foi de até 45 sacos/ha e com isso, temos dois cenários, mas com preços bons ao produtor, que vendeu de R$ 200 a R$ 240,00 o saco do produto e aqueles que colheram bem, tiveram um bom resultado. Em média o produtor está satisfeito e quem plantou no tarde, teve um melhor resultado, devido ao clima, pois o feijão não gosta de muita chuva”, destacou Clebi.

Culturas de Inverno: Trigo ou Cevada?

Na última safra de inverno, a produção de trigo foi abaixo do esperado em toda a região sul, assim como as culturas da cevada e de aveia. Clebi destaca que a produção foi baixa e o recebimento 50% menor na safra 2015 na Copercampos. “Na safra 2014/15 recebemos 70 mil toneladas de trigo e na última 35 mil toneladas. Mas nós somos preocupados com o produtor, que plantou e teve um prejuízo sério mesmo. Neste ano de La Niña tem tudo para ter uma boa produção com tecnologia para produzir de 70 a 80 sacos/ha, mas o trigo por ter problema de crédito, deve diminuir área nos estados vizinhos e nós incentivamos o produtor a produzir porque é uma cultura de boa produção, por mais que os preços não sejam bons. Nossa recomendação é plantar cevada, porque tem um preço garantido, mas mesmo assim, o produtor não gosta muito. Devemos plantar 1,5 mil hectares, quando deveríamos estar plantando 4 mil hectares”, finalizou Clebi Renato Dias.

*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, edição 1427 de 05 de maio de 2016.

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