Com custo alto, sem pastagens e consequentemente, queda na produção, valor pago ao produtor deveria ser maior.
Nesta época do ano, é sempre a mesma história, mas o susto ao olhar o preço do leite na prateleira do supermercado é inevitável. Para se ter uma ideia desta evolução dos preços do litro do produto, em alguns supermercados de Campos Novos, em 14 de janeiro, por exemplo, o litro custava R$ 2,20 e na segunda-feira, 27 de junho, o preço do litro de leite foi vendido a R$ 3,85, com uma variação de preço de 75% a mais.
Mas o aumento do leite é visível e todos os consumidores se espantaram com o aumento, porém, esse aumento do leite, segundo o Conselho Paritário Produtor/Indústria de Leite do Estado de Santa Catarina (Conseleite), é reflexo do elevado custo de produção, lá na fazenda. A chegada do frio, aumento nos insumos para a alimentação das vacas (milho e farelo de soja) e a redução das pastagens, devido às geadas, por exemplo, na região de Campos Novos, o excesso de chuvas no Sul do Brasil e a seca no Centro-Oeste reduziram a oferta de leite no mercado interno, forçando para cima os preços do produto.

De acordo com o vice-presidente do Conseleite e também vice-presidente regional da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (FAESC), Adelar Maximiliano Zimmer, a diminuição na oferta, decorrente basicamente da menor produção de leite, pode se manter nos próximos meses, no mínimo até setembro, confirmando o viés de alta. Segundo ele, o consumidor deve acostumar com o valor, porque é impossível produzir um leite que possa chegar a R$ 2,00 na prateleira do mercado.
Mas o Jornal O Celeiro foi ouvir os pecuaristas, produtores de leite de Campos Novos. Para Fernando Rupp, o preço deveria ser ainda melhor do pago até hoje. “O preço do leite começou a subir para o produtor há três meses, com aumentos de R$ 0,04 por mês. Hoje estamos vendendo a R$ 1,32/litro, mas se formos colocar todo o custo para se produzir, com alimentação, manejo e mão de obra, o litro deveria sair da fazenda a um custo de R$ 1,58 ou R$ 1,60, por exemplo. Hoje produzimos leite porque não dá de parar, a produção está no vermelho devido ao valor do milho e consequentemente, a ração e a falta de pastagem, que foram prejudicadas com as geadas”, afirmou.
Com o custo alto e pouca comida para os animais, relacionado às pastagens, a produção está em queda. Na propriedade de Fernando Rupp, a produção caiu significativamente. “Tivemos uma queda de 35% na produção, mas com um custo fixo. O preço do farelo de soja, que substitui a ração de milho hoje está até mais cara que um saco de soja, e não há trigo no mercado, que pode substituir esse milho que também está escasso. O consumidor identifica que o litro do leite está caro porque o preço sempre foi baixo, mas o custo para se produzir sempre esteve acima do valor pago ao produtor”, ressaltou.
Produtor prospera mais
Com um aumento de custo real e baixa produção de leite neste período, as expectativas na Fazenda Santa Rita, de propriedade de Hélio Almeida e Filhos é de que o preço do leite seja melhor nos próximos meses. Somado a isso, João Batista Ramos de Almeida (Tita), filho de seu Hélio e administrador na fazenda, espera uma melhora na produção com o gado indo até as pastagens de inverno.

“As geadas mataram as pastagens que tínhamos e isso reflete em mais custo. Para suprir essa falta de pastagens, o consumo de ração é alto e com custo maior. Agora que vamos colocar esses animais na pastagem de aveia, esperamos um incremento de até 4 litros/dia por animal. Nós estamos com uma produção média de 22 litros/dia/animal, mas deveríamos estar produzindo neste período, uma média de 30 litros/dia para cada vaca”, ressaltou Tita.
Se a produção é baixa e é por isso que o preço do leite está mais caro no mercado, o retorno financeiro ao pecuarista leiteiro ainda não veio. Tita reforça que com o custo alto de ração, em média de R$ 1,50/kg, somado ao custo de silagem, energia elétrica, medicamentos e mão de obra, o leite deveria ter um preço melhor ao produtor. “O preço do leite deveria ser de R$ 1,80 ao produtor, para cobrir esses custos de produção. Se não bastasse o valor da ração, a energia elétrica encareceu muito neste ano. Há expectativa de que o litro de leite suba mais para o produtor e gostaríamos muito de que chegasse a esse valor, mas é difícil e enquanto isso, nós precisamos fazer contas e investir para não diminuir a produção, para evitar maiores prejuízos”, afirmou.
Com investimento alto em genética, cada vaca, para iniciar a produção tem um custo de no mínimo R$ 6 mil. “Nós precisamos estar em constante investimento e melhorando o plantel, mas isso tem um custo. Vemos hoje muitos produtores saindo da atividade leiteira porque se torna inviável, com preço do leite baixo. O produtor só permanece na atividade ou no meio rural quando se tem tecnologia e renda, mas se não há retorno financeiro, o produtor deixa o campo. Nós temos um alto custo para preparar uma terneira até entrar no período de lactação e se o leite não tiver preço, não podemos fazer isso, então, nós esperamos que o produto tenha preço, se sustente esse valor e consequentemente, dê lucro ao produtor”, finalizou.
*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1435 de 30 de Junho de 2016.






