“Bom senso, por favor.

Antonio Gavazzoni
Antonio Gavazzoni

Todos temos o direito natural de buscar a felicidade com todas as forças e energias. Nada mais legítimo que se manifestar e reclamar algo melhor para si. Assim como é dever do Estado garantir o mínimo essencial para que o ser humano possa buscar a sua felicidade. Mas há situações que requerem bom senso.

Está estampado em todos os jornais e não há quem ignore o momento de severa crise econômica que o país atravessa. Os estados não pagam mais os salários dos seus servidores. A saúde pública brasileira virou um caos determinado pela insuficiência de recursos para manter as estruturas funcionando. Aqui ao lado, nosso querido Rio Grande do Sul é o exemplo mais próximo, mas outros tantos estão em situação igualmente dramática.

Santa Catarina sobrevive arduamente à crise, mas não sem consequências graves. Basta olhar o quadro que se agrava na saúde pública. Já alertei que os recursos baixos da arrecadação são insuficientes para cobrir as demandas da área. Somos um dos únicos Estados a não aumentar impostos nem atrasar salários de servidores. Mas faltam recursos para tantas demandas. A conta não fecha.

Ainda assim, basta ligar o rádio para ouvir acusações em série contra este Governo. Algumas categorias declaram estado de greve e falam em “insensibilidade do governador”, que não repõe a inflação nos salários. Fora do serviço público, onde a realidade é diferente, existe uma nação de 11,5 milhões de pessoas desempregadas. Sindicatos e empregadores fizeram 246 acordos no país para reduzir jornada e salários nos últimos doze meses.

Enquanto pôde, o Estado valorizou o funcionalismo público. Inclusive vem sendo criticado nacionalmente por isso, apontado como o segundo maior crescimento de folha salarial. Foi uma opção de um Governo que aposta em servidores públicos valorizados para ter serviço público de qualidade. Todas as áreas e empresas tiveram aumentos salariais superiores à inflação. Mas agora é hora de muita cautela. A racionalidade precisa prevalecer.

A economia de nosso País murchou tanto nos últimos anos que o tamanho dela em 2016 é igual ao de 2011. Isso é muito sério, muito grave. A sociedade que paga impostos (ou melhor, “recolhe” impostos) conviverá nesse ano com atividade econômica menor que a do ano passado. Ou seja: é menos dinheiro que entra nos caixas do poder público para a prestação dos serviços. Os dados publicados no final de julho mostram que a tendência de queda de arrecadação se mantém e que rumamos para termos uma receita igual à do ano passado.

Mesmo com toda a conjuntura negativa, não julgo aqui se os pleitos por aumento são justos ou não. O que ocorre é que não é plausível reajustar salários. Simplesmente não há margem para essa matéria. De que adiantaria conceder aumento se não há condições de pagar?

Se a opção desses servidores é pela greve, ela é contra a população. O Estado está lutando para manter em dia o pagamento de servidores e aposentados e preservar minimamente as estruturas funcionando com insumos à disposição da sociedade. 2017 vem aí com desafios, talvez mais amargos. Já estamos antecipando a vedação de toda e qualquer nova despesa para poder garantir os salários. Falar em greve, reclamar aumento num momento desses, isso sim é falta de sensibilidade.

Por:Antonio Gavazzoni, Doutor em Direito Público
Secretário de Estado da Fazenda – contatogavazzoni@gmail.com

*Artigo publicado no jornal “O Celeiro”, Edição 1441 de 11 de Agosto de 2016.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Jornal Celeiro
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.