Índios caingangues estão “hospedados”, no terminal rodoviário de Campos Novos.
Uma cena comum? É normal encontrar índios dormindo em terminal rodoviário? Em Campos Novos isso é. Há mais de 30 dias, indígenas vindos de Cacique Doble, no Rio Grande do Sul, buscam comercializar seu artesanato na região de Campos Novos. Homens, mulheres, adolescentes e crianças que buscam recursos para adquirir entre outras coisas, alimentos e material escolar.
Ao menos quatro famílias estão atualmente na cidade, mas o que não pode passar aos olhos da comunidade é onde eles dormem ou fazem suas refeições. ‘Alojados’ na área desembarque de ônibus, os índios caingangues utilizam o banheiro da rodoviária para suas necessidades básicas e um terreno próximo ao terminal para confeccionar o artesanato e fazer as refeições.
Entre os cestos de vime, saboneteiras e filtros dos sonhos, as famílias inteiras se dividem na hora do sono. Durante toda a noite, alguns permanecem acordados, olhando o movimento de entrada e saída de pessoas e de ônibus do local.
O descaso do poder público foi questionado por Margarida Pinto. Mãe de quatro filhos, o mais velho com 14 anos, dona Margarida afirma que ninguém da prefeitura esteve no local, a fim de saber se eles precisavam de algo. “Nós estamos aqui há um mês fazendo nosso artesanato e negociando. No final do ano nós encontramos essa opção para ter renda, nas férias da escola das crianças, mas logo temos que voltar pra casa. Ninguém da prefeitura veio aqui”, afirmou dona Margarida.
Com mãos ágeis confeccionando cesto, dona Margarida gostaria de ser melhor atendida na cidade. “Se tivesse um espaço para nos abrigar, seria muito bom. Muitas vezes eles não querem que a gente fique na rodoviária e quem cuida vem brigar. Nós cuidamos do espaço, limpamos, mas se tivesse um local para ficarmos seria bom. Nós vivemos do artesanato e não podemos deixar nosso sistema, de viver disso”, ressaltou a mulher.
O índio José Darfaz está acostumado a viver sem luxos. “Estou há oito dias aqui e não vi ninguém da prefeitura aqui. Se tivesse um local melhor para ficar seria muito bom, mas somos acostumados a dormir em rodoviária ou armar lona e ficar. Venho para vender o artesanato por alguns dias. Nós saímos para outras cidades tentando vender nossos produtos”, afirmou o homem que está com os cinco filhos e esposa na cidade.
Poder público busca amparar famílias
Mesmo sem fornecer um espaço adequado, a administração de Campos Novos está prestando auxílio às famílias, informou a secretária de Assistência Social Celina Maria Manfroi Cassiano Barros. Segundo a secretária, foram entregues roupas e agasalhos às famílias e mantido contato com a Fundação Nacional do Índio (Funai) para identificar o porque destes índios estarem na cidade e se Campos Novos é rota de comercialização dos produtos.
De acordo com Celina, o vice-prefeito Gilmar Marco Pereira esteve em contato com os indígenas para auxiliar as famílias. “Nós estamos buscando uma solução a pequeno e a longo prazo, inclusive o Marco está em tratativas para encontrarmos solução, se eles migram pra cá neste período, o que podemos fazer para oferecer um lugar melhor para que eles possam ficar. A legislação que determina o tratamento e forma de ver o índio, é diferente e estamos buscando com a Funai esse subsídio para isso. Fizemos doações de roupas por aqui, mas estamos buscando com a Funai formas de resolver”, informou a secretária.
A ideia da secretária é ter um plano em longo prazo para receber os indígenas na cidade, com uma estrutura adequada.
O cacique da tribo foi procurado pela administração camponovense para identificar as necessidades dessas pessoas para resolver o problema. “Nós temos que ter uma política na cidade para atender os índios e ter um atendimento para as crianças também que vem, mas para isso temos que fazer juntamente com a Funai”, finalizou Celina.
*Reportagem publicada no Jornal “O Celeiro”, Edição 1464 de 02 de Fevereiro de 2017.






