
Todo mundo fala sobre as maravilhas de se tornar mãe. Do amor incondicional, da emoção do parto, do momento de cumplicidade na amamentação… O que quase ninguém comenta, porém, é que depois que o bebê nasce a mulher não fica em estado total de graça.
Não!
Há uma tendência social de apresentar as grávidas embelezadas, infantilizadas e romantizar a gravidez e a maternidade como sendo somente contos de fadas. As mulheres são congeladas nesta fantasia de que a gravidez é uma “doce espera” e o pós-parto é um espaço de entrega total na relação mãe-bebê, onde essa mãe irá amar incondicionalmente seu filho e se encontrará num estado de plenitude e graça.
A realidade chega, o bebê nasce, e essas mães se chocam brutalmente entre o estado de embelezamento da barriga e em torno da maternidade e o ser real de carne e osso que depende inteiramente desta mulher por 24 horas do seu dia. Aí, o bebê real é bem diferente do bebê idealizado. O estado que ela se encontra é bem diferente do que ela imaginava. E então, se perguntam, por que não lhe contaram sobre essas dificuldades. Muitas se permitem dizer que amam seus filhos, mas odeiam ser mães. Depois dessas exposições, o que ainda sobra para essas mulheres é o julgamento.
Além da explosão hormonal no pós parto, as mães sentem diversas emoções inexplicáveis, desde tristeza, medos, insegurança com essa realidade nem um pouco conhecida (mesmo a partir da segunda experiência, pois nenhuma gestação ou pós parto é igual a experiência anterior), mudanças no corpo e na sexualidade do casal, desentendimentos com o marido ou companheiro, por não compreenderem o que está se passando, a solidão, o distanciamento afetivo das pessoas que acreditavam serem as mais próximas, e um bebê de verdade que chora muito. Tudo isso provocado pela falta de informação e pela própria frustração, por não estar acontecendo o que imaginavam.
A mulher realmente se encontra desestruturada emocionalmente. Para ajudá-la, as pessoas ao seu redor precisam olhá-la com carinho, sabendo que o que se passa não é “frescura” ou algo que “é bobagem e já vai passar”, é um processo natural que a mulher vive no seu pós-parto e que se tratado com cuidado pelos familiares ou rede de apoio, ela passará por ele junto com seu bebê de uma maneira mais saudável, podendo aceitar seus sentimentos, sendo eles bons ou ruins.
A ideia principal é a de que uma mulher puérpera (no pós-parto) não deve ficar sozinha durante muito tempo. Precisa de assistência, de companhia, e da disponibilidade de outra pessoa, que não interfira e nem abuse de sua autoridade, que não a julgue e nem se intrometa, mas que esteja presente. Que se encarregue das tarefas como cuidar dos filhos maiores, limpar, cozinhar, lavar, arrumar a casa, etc., e tenha a capacidade de atender as necessidades sutis de uma mãe com um bebê nos braços. Ela precisa que cuidem dela para que ela cuide do bebê.
Por isso a rede de apoio, sendo ela familiares disponíveis, amigos, vizinhos e também profissionais (babá, psicólogo, médico, enfermeiro, acompanhante, doula) é muito importante.
Para você, futura mãe, gestante e já mãe puérpera (no pós-parto), se informe, não se culpe por estar sentindo coisas que acha que não deveria estar, converse com alguém, não fique sozinha e não fique calada, o seu bebê precisa de você. Então, se você tem ou teve a oportunidade de poder estar neste mundo tão sagrado da maternidade, se permita falar sobre o que está sentindo e sobre suas expectativas, você se sentirá mais aliviada e poderá vivenciar este momento com muito mais consciência da realidade e conexão com seu filho.
Por: Daniela Reis Dadalto
Psicoterapeuta Corporal e Psicóloga
CRP 12-14481
*Artigo publicado no jornal “O Celeiro”, Edição 1485 de 29 de junho de 2017.







