
Delegado regional Adriano Almeida fala sobre números de prisões e apreensões relacionadas ao tráfico de drogas em Campos Novos nos primeiros seis meses de 2017 e faz uma análise da conjuntura envolvendo o submundo das drogas.
Para Adriano Almeida, a problemática requer mais investimentos na educação para ser solucionada. Nos primeiros seis meses do ano foram apreendidos pela Polícia Civil de Campos Novos mais de 25 kg de drogas com aproximadamente 25 prisões de homens e mulheres pela prática de tráfico de drogas e associação ao tráfico. O envolvimento de adolescentes com a criminalidade também preocupa em Campos Novos.
Confira a entrevista concedida por Adriano Almeida ao Jornal O Celeiro.
O Celeiro – Números de prisões e apreensões de envolvidos com o tráfico em Campos Novos no primeiro semestre de 2017?
Somente no primeiro semestre de 2017, no curso de investigações realizadas pela Polícia Civil, foram apreendidos mais de 25 kg de drogas, dentre maconha (grande maioria), cocaína e crack, bem como algumas unidades de drogas sintéticas.
Ocorreram, ainda, aproximadamente 25 prisões de homens e mulheres pela prática dos crimes de tráfico de drogas e associação ao tráfico, bem como, a apreensão de 07 adolescentes que também efetuam tais condutas.
Somente durante a deflagração da “Operação Avalanche”, realizada no dia 25 de maio, foram efetuadas 11 prisões no mesmo dia, todas de pessoas envolvidas com o tráfico de drogas.
O Celeiro – Droga apreendida em maior número e qual origem? Campos Novos é considerado um corredor para o tráfico?
A droga apreendida em maior número em Campos Novos é a maconha, cuja produção, geralmente, ocorre no Paraguai. Na sequência, grandes traficantes trazem a maconha para o Brasil e, em seguida, distribuem para pequenos traficantes.
A cidade de Campos Novos é sim um corredor para o tráfico de drogas, pois a BR 282 passa pelo município e, grande parte das drogas oriundas da região de fronteira do Mato Grosso do Sul (cidade de Ponta Porã) e Paraguai (cidade de Pedro Juan Caballero), passam pela referida rodovia com destino ao litoral catarinense.
Ressalto, ainda, que no ano de 2017 a Polícia Civil, por meio da Diretoria Estadual de Investigação, já realizou a apreensão de mais de 15 toneladas de maconha em solo catarinense.
O Celeiro – Em comparação com o primeiro semestre de 2016, o que os números apontam?
Houve um aumento significativo na apreensão da droga conhecida popularmente como crack, o que tem nos preocupado, haja vista o caos social que ela provoca. Trata-se, sem dúvida, de uma droga devastadora, cujos efeitos ao usuário são sentidos logo nas primeiras vezes em que ela é utilizada.
O Celeiro – Com base nestes números, Delegado Adriano, o que se pode dizer em relação à realidade do tráfico de drogas em Campos Novos, considerando que o município não tem uma margem de vulnerabilidade social gravíssima?
Não considero que o município possui uma margem de vulnerabilidade gravíssima, mas como eu disse, os números nos preocupam. Precisamos do engajamento de todos, em especial, no desenvolvimento de ações que busquem a recuperação dos usuários de drogas pesadas, como é o caso do crack.
Praticamente 90% dos autores de pequenos furtos ocorridos no munícipio são usuário de crack, razão pela qual, eu insisto, precisamos abrir os olhos e enxergar esse problema como sendo de saúde pública e, não sob a ótica de repressão, de atuação policial tão somente.
O Celeiro – E quanto ao envolvimento de adolescentes, cada vez mais presentes em ocorrências relacionadas ao tráfico, o que se vê são menores com uma longa ficha criminal, seja por tráfico, furto, roubo…
Há sim o envolvimento de adolescentes na prática de diversos delitos no município, dentre eles, o tráfico de drogas.
O que vemos, na grande maioria, são jovens oriundos de famílias desestruturadas, com problemas sociais graves, que buscam na prática de crimes um meio de obter dinheiro.
A conclusão é de que todos os meios de controle social falharam, o que conduz esses jovens, cada vez mais cedo, a ingressarem na marginalidade, sempre, na intenção de ascender socialmente. O
Celeiro – A possibilidade de instalação de um Centro Socioeducativo em Campos Novos (CASE), é uma alternativa para reduzir a criminalidade envolvendo menores?
A construção de um Centro Socioeducativo em Campos Novos (CASE) não resolve o problema, pois reforço que esses jovens são fruto de famílias desestruturadas, geralmente pobres, que buscam na prática de crimes incrementar a renda familiar.
No dia 13 de julho, apreendemos crack e cocaína com um jovem de 14 anos de idade, cujos pais estão desempregados, o qual chegava a auferir R$ 1.500,00 por mês com a traficância.
Portanto, não é com punição, apenas, que haverá a redução da “criminalidade envolvendo menores”, precisamos muito mais do que isso, como por exemplo, políticas públicas eficazes, que façam com que esses jovens não ingressem no mundo e, portanto, não precisem ser internados em uma instituição como o CASE.
No dia em que o Brasil investir mais em escolas do que em presídios teremos um país melhor!
O Celeiro – A responsabilidade civil e social quando se fala em criminalidade?
Todos precisam colaborar, como eu ressaltei acima, é um problema social e não de Polícia, somente, o qual precisa ser enfrentado.
*Reportagem publicada no Jornal “O Celeiro”, Edição 1489 de 27 de Julho de 2017.






