Campanha desenvolvida pelo Creas, em parceria com o Caps em Campos Novos alerta para a demanda crescente de suicídios em Campos Novos.
O Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas), juntamente com o Centro de Atenção Psicossocial (Caps), desenvolveram durante o mês de setembro, ações pela valorização da vida, voltadas à campanha Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio. Durante todo o mês, a equipe do Creas visitou órgãos públicos, comércio e entidades, para entrega de panfletos com orientações sobre os sinais de alerta quanto ao suicídio, fatores de risco e onde procurar ajuda.
A equipe também levantou junto à Polícia Militar de Campos Novos e Hospital Dr. José Athanázio, números referentes às tentativas e suicídios cometidos no município. Conforme a coordenadora do órgão, assistente social Diandra Maria Mazo Ribeiro, o crescente aumento no número de casos de suicídio preocupa, conforme mostram as estatísticas da Polícia Militar entre os anos de 2014 e 2017.
Em 2014 foram 4 tentativas para dois suicídios consumados. Em 2015, duas tentativas para quatro suicídios. Em 2016 foram 6 casos de suicídio e em 2017 foram sete suicídios para uma tentativa.

No hospital Dr. José Athanázio foram informadas ao Creas 13 tentativas de suicídios por intoxicação exógena (exposição a substâncias químicas como agrotóxicos, produtos de uso doméstico, medicamentos, cosméticos e higiene pessoal, produtos químicos de uso industrial, drogas, plantas, alimentos e bebidas). Pelo levantamento feito na instituição de saúde, na faixa etária entre os jovens, com até 20 anos, se concentra o maior percentual de tentativas de suicídio com 38%, seguida da faixa etária entre 30 a 40 anos e acima de 40 anos, ambas com 31%.
A psicóloga Simone Fávero Oneda alerta que é preciso falar sobre o suicídio. “Geralmente a pessoa que tem pensamento suicida já está passando por algum problema, já está evoluindo para uma depressão, simplesmente a vontade de se matar não aparece do dia para a noite. Por isso que é importante não deixar chegar ao limite, que é tirar a própria. É preciso mesmo falar sobre o suicídio, porque ainda é um mito e a pessoa guarda isso para ela mesma. Tem que conversar mais sobre o assunto”.
A psicóloga reforça que entre os sinais de alerta para o suicídio estão o isolamento, perda de interesse por atividades que até então a pessoa sentia prazer em executar, mudanças drásticas, comportamentos letárgico incomuns, comportamento autodestrutivo, falta de esperança no futuro, busca de meios letais para tirar a vida e simulação de melhora repentina. Ente os fatores de riscos estão doenças mentais como depressão, esquizofrenia, transtorno bipolar, transtornos mentais pelo uso de álcool e drogas e transtornos de personalidade.
“É preciso deixar de ter medo de falar sobre o assunto, derrubar tabus e compartilhar informações ligadas ao tema”, alertam as profissionais.
*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1498 de 28 de Setembro de 2017.






