Psicóloga afirma que grande parte de pacientes que chegam aos consultórios de psicologia não se enquadram no diagnóstico de depressão e alerta para a importância de priorizar a qualidade de vida.
A depressão é a quarta principal causa de incapacitação em todo o mundo e, de acordo com projeções da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2030 ela será o mal mais prevalente do planeta, à frente de câncer e de algumas doenças infecciosas. A depressão afeta 322 milhões de pessoas no mundo, segundo dados divulgados pela OMS em fevereiro deste ano, referentes a 2015. Em 10 anos, de 2005 a 2015, esse número cresceu 18,4%.
A prevalência do transtorno na população mundial é de 4,4%. Já no Brasil, 5,8% da população sofre com esse problema, que afeta um total de 11,5 milhões de brasileiros. Segundo os dados da OMS, o Brasil é o país com maior prevalência de depressão da América Latina e o segundo com maior prevalência nas Américas, ficando atrás somente dos Estados Unidos, que têm 5,9% de depressivos.
É indiscutível que nas últimas décadas houve um aumento considerável na detecção de casos de depressão. Para a psicóloga da Secretaria de Saúde de Campos Novos e integrante do Núcleo de Psicologia (Nupsy), Ana Cristina Pedroso, é preciso refletir, porém, sobre a banalização do diagnóstico da doença e suas consequências para as pessoas que são diagnosticadas, sem necessariamente se enquadrarem num caso de transtorno depressivo maior.

“Na verdade a gente recebe muito encaminhamento de depressão, nem todos são diagnósticos reais, porque realmente a depressão tem um aumento crescente de casos, não tem idade certa, mas o diagnóstico foi muito banalizado. Então hoje, por exemplo, a gente recebe pacientes que estão passando por um processo de luto, que é lento, demorado e que chega com um diagnóstico de depressão, porém, embora os sintomas sejam parecidos, são casos diferentes”.
Outro exemplo citado pela psicóloga são casos de ansiedade na adolescência. “Tenho pacientes que chegam com casos de ansiedade, que é comum e inclusive recebo vários adolescentes com transtorno de ansiedade e que vem com diagnóstico de depressão. Para encaminhar o médico coloca ali como um transtorno depressivo, mas nem sempre se enquadram”.
Ana Cristina Pedroso salienta que o diagnóstico de transtorno depressivo tem critérios bem definidos a serem considerados pelos profissionais médicos. “Depressão tem critérios bem definidos para ser diagnosticada e em se tratando do transtorno os casos são tratados. Casos mais leves são tratados por meio da Secretaria de Saúde, casos mais graves quando envolvem idealização suicida ou tentativa de suicídio, são encaminhados para o Caps ou um profissional de saúde mental para que o tratamento seja adequado com a devida medicação. Os casos que chegam e constatamos como depressão em duas ou três sessões de terapia, a medicação é associada”.
Sintomas devem ser observados
A psicóloga Ana Cristina Pedroso alertou também para os sintomas de depressão que devem ser observados. “Tem um tempo mínimo de sintomas que são de duas semanas e tem que apresentar mudanças no funcionamento do dia a dia, mudanças de rotinas que sejam perceptíveis”.
Entre os sintomas da depressão estão: Humor depressivo ou irritabilidade, ansiedade e angústia; Desânimo, cansaço fácil, necessidade de maior esforço para fazer as coisas; Diminuição ou incapacidade de sentir alegria e prazer em atividades anteriormente consideradas agradáveis; Desinteresse, falta de motivação e apatia; Falta de vontade e indecisão; Sentimentos de medo, insegurança, desesperança, desespero, desamparo e vazio; Pessimismo, ideias frequentes e desproporcionais de culpa, baixa autoestima, sensação de falta de sentido na vida, inutilidade, ruína, fracasso, doença ou morte.
A pessoa pode desejar morrer, planejar uma forma de morrer ou tentar suicídio. Pode ainda apresentar uma interpretação distorcida e negativa da realidade, que tudo é visto sob a ótica depressiva, um tom “cinzento” para si, os outros e o seu mundo, tem dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e esquecimento.
Pode apresentar também diminuição da libido e do desempenho sexual (pode até manter atividade sexual, mas sem a conotação prazerosa habitual). Pode ter perda ou aumento do apetite e do peso, insônia (dificuldade de conciliar o sono, múltiplos despertares ou sensação de sono muito superficial), despertar matinal precoce (geralmente duas horas antes do horário habitual) ou, menos frequentemente, aumento do sono (dorme demais e mesmo assim fica com sono a maior parte do tempo).
A depressão pode se manifestar ainda com dores e outros sintomas físicos não justificados por problemas médicos, como dores de barriga, má digestão, azia, diarreia, constipação, flatulência, tensão na nuca e nos ombros, dor de cabeça ou no corpo, sensação de corpo pesado ou de pressão no peito, entre outros.
Fatores de risco e prevenção
A tristeza é um sentimento comum ao ser humano, assim como a felicidade e sensação de bem estar. Nem sempre a tristeza está ligada à depressão e pode estar presente em processos de luto, perda de pessoas significativas, perda de emprego, fim de um relacionamento, diagnóstico de doença grave em ente querido, entre outros. Nestes casos, é mais que natural que a pessoa sinta-se triste e tenha um tempo para compreender a situação e se reestruturar. A tristeza é um sentimento comum ao ser humano, assim como a felicidade e sensação de bem estar. Nem sempre a tristeza está ligada à depressão e pode estar presente em processos de luto, perda de pessoas significativas, perda de emprego, fim de um relacionamento, diagnóstico de doença grave em ente querido, entre outros. Nestes casos, é mais que natural que a pessoa sinta-se triste e tenha um tempo para compreender a situação e se reestruturar.
Alguns fatores de risco e de prevenção para a depressão também foram comentados pela psicóloga Ana. “A tendência da gente precisar dar conta do mundo em pouco tempo. Você acaba lidando com a frustração porque não se tem tempo para fazer as coisas bem feitas, não consegue aproveitar da forma como deveria. Muitas vezes não sobra tempo para o lazer, que deveria ser uma prioridade. Questões da alimentação e exercício físico são muito importantes e a pessoa muitas vezes na rotina se obriga a deixar isso como se fosse um extra e vai aparecendo a doença. A depressão não tem uma causa específica, um motivo claro, simplesmente vai acontecendo, mas acredito que muito que vem da rotina da gente, do dia a dia e acaba gerando o transtorno. É preciso priorizar os cuidados consigo mesmo e não banalizar a vida. É muito mais difícil que a pessoa fique doente tendo uma vida equilibrada”, alertou a profissional.
*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1500 de 12 de outubro e 2017.








Boa tarde!
Acho que a correria do dia a dia juntamente com os maus hábitos alimentares e comportamental é a principal causa desse surto de depressão que tem atingindo as pessoas ultimamente.