Faltam três meses para o fim do ano, e muita empresa já está no vermelho sem saber. Veja o que fazer agora para não entrar em 2027 afundada em dívidas.
Imagine o seguinte: é dia 15 de dezembro. As vendas estão boas, a loja está cheia e parece que o ano vai fechar bem. Aí você abre a conta da empresa e vê que não tem dinheiro para pagar a segunda parcela do 13º, que vence em cinco dias. Essa cena acontece todos os anos com milhares de empresários no Brasil. E quase nunca é falta de venda. É falta de preparo.
A boa notícia é que ainda dá tempo. A má é que esse tempo está acabando.
- 1) Faça a conta e leve um susto agora, não em dezembro: Pense numa empresa pequena, com 5 funcionários ganhando R$ 2.500 cada. Só de 13º são R$ 12.500. Somando o FGTS, passa de R$ 13.500, e isso sem contar férias, impostos do mês, fornecedores e aluguel.
Agora a pergunta que importa: esse dinheiro já está guardado?
Se a resposta for não, divida esse valor por três e comece a separar a parte de outubro hoje mesmo. São R$ 4.500 por mês. Dói, mas dói muito menos do que um empréstimo às pressas em dezembro.
- 2) O dinheiro que você esqueceu que tem:
Antes de cortar qualquer despesa, abra a lista de clientes que estão devendo. Em muitas empresas, o dinheiro do 13º está parado na mão de quem não pagou. Ligue, negocie e ofereça um desconto pequeno para quem pagar à vista. Receber 95% hoje é melhor do que 100% nunca.
- 3) Fornecedor também negocia, desde que seja antes:
Vai reforçar o estoque para as vendas de fim de ano? Peça para jogar os vencimentos para fevereiro. Quem conversa antes consegue prazo. Quem conversa depois do atraso consegue juros.
- 4) Cuidado: janeiro é mais perigoso que dezembro:
Muita gente se prepara para dezembro e esquece o que vem depois. Janeiro normalmente tem vendas fracas e contas pesadas: IPTU, IPVA, material escolar e os impostos de dezembro, que foi um mês de faturamento alto. Planeje até fevereiro, não só até o Natal.
- 5) Os impostos mudaram, e muita gente nem percebeu:
2026 não é um ano qualquer. A reforma tributária já começou a aparecer nas notas fiscais, e em 2027 ela passa a pesar de verdade no bolso. Além disso, desde este ano o sócio que retira mais de R$ 50 mil por mês em lucros passa a ter imposto descontado na fonte.
Em janeiro você vai escolher a forma de tributação da empresa para o ano todo, e essa escolha não tem volta. Sente com seu contador ainda este ano. Uma conversa de uma hora pode economizar milhares de reais.
- 6) Férias coletivas:
O detalhe que gera multa? Vai dar férias coletivas? O aviso precisa ser feito pelo menos 15 dias antes ao sindicato e ao Ministério do Trabalho, e o pagamento deve cair até dois dias antes de o funcionário sair. Esquecer isso sai caro.
- 7) Empréstimo de última hora:
A armadilha mais cara: Cheque especial e cartão rotativo são a pior saída possível. Se for mesmo preciso pegar dinheiro, pesquise agora, com calma, e compare as taxas. Quem procura crédito desesperado aceita qualquer juro.
Fim de ano apertado não é azar. É falta de plano. E a hora de fazer esse plano não é em dezembro. É agora, enquanto você ainda está lendo este artigo.
Por: Douglas Rayzer
Contador . RB Inteligência Corporativa – Contato: (49) 99907.8738
*Coluna Evoluir Empresarial publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1948 de 01 de Outubro de 2026.







