Prefeito estuda implantar ambulatório para desafogar plantão do Hospital

O número de atendimentos no plantão médico da Fundação Hospitalar Dr. José Athanázio chegou a quase 32 mil em 9 meses.

Reduzir a procura pelo atendimento no plantão do Hospital Dr. José Athanázio é uma demanda antiga em Campos Novos. De janeiro a setembro deste ano de 2017, foram registrados 31.727 atendimentos na emergência da instituição de saúde. O número é considerado elevado pelo novo administrador geral do Hospital Atilano Junk Laffin. “A demanda é bastante grande, nós finalizamos os números até setembro com mais de 31 mil atendimentos. É um número que nos assusta, esse volume é muito grande se tomarmos em consideração a população de Campos Novos. Fora o que ainda é feito de atendimento nos postinhos, é uma demanda muito grande de pacientes”.

Atilano Junk Laffin

Grande parte dos atendimentos é considerada de consultas eletivas, que poderiam ter sido atendidas nas Estratégias de Saúde da Família, observou o administrador, enfatizando que não há defasagem de profissionais médicos no plantão. “As escalas de plantões estão elaboradas e nós temos os médicos de sobreaviso nas especialidades e efetivamente quando em se tratando de uma emergência, é questão de minutos para que o profissional necessário se faça presente e consiga realizar o atendimento, não temos uma defasagem nesta questão. Na verdade é uma questão cultural ainda da população de estar buscando atendimento hospitalar quando não é uma emergência. Grande parte dos atendimentos é de consulta eletiva e o tempo de espera em relação aos casos que atendemos no hospital o tempo de espera é curto e quando ocorre de se estender é porque realmente estamos atendendo uma emergência”.

Maria Lídia

A sensibilização da população para que procure o hospital somente em casos de emergência é considerada uma alternativa pela administração da Fundação Hospitalar. “Tivemos casos aqui pitorescos, por exemplo, uma paciente que teve três atendimentos em 12 horas. É uma situação complicada, é cultural mesmo. Para um futuro próximo planejamos uma campanha de conscientização da população sobre em que casos e quando procurar a emergência do hospital”.

A coordenadora de enfermagem do Hospital Dr. José Athanázio, Maria Lidia Moraes, observa que mesmo considerando nesta demanda pacientes dos municípios da região da Amplasc, em que a instituição é referência, o número de atendimentos em Campos Novos ainda é elevado. “É muito baixa a procura pelos demais municípios perto da demanda aqui de Campos Novos. Em recente levantamento que fizemos, a maior procura pelo atendimento na emergência do hospital é de pacientes do Bairro Aparecida. Isso justifica que por mais que se tenha lá um ambulatório até às 10 horas da noite, aquele posto de saúde abrange uma área maior do que é preconizado pelo Ministério da Saúde, porque abrange outros bairros ali. E dos municípios da Amplasc, o que mais recebemos encaminhamentos é de Vargem. Essa é uma estimativa que fizemos manualmente, porque ainda estamos em processo de informatização”.

Maria Lidia também entende que uma campanha de sensibilização é alternativa viável.

Atendimento ambulatorial em estudo

Alexandre Zancanaro

Tanto o administrador geral da Fundação Hospitalar Dr. José Athanázio, quanto a coordenadora de enfermagem, entendem que o atendimento ambulatorial também poderia ser uma alternativa viável para desafogar o plantão do hospital, desde que funcione fora da instituição de saúde.

A reportagem do Jornal O Celeiro conversou a respeito do planejamento da administração municipal em relação a esta demanda com o prefeito Silvio Alexandre Zancanaro. O prefeito confirmou que está sendo avaliada possibilidade do atendimento ambulatorial fora do hospital. Para isso, no entanto, há necessidade de estudo, já que além da estrutura física, também tem que haver disponibilidade de profissionais. “Devido ao elevado número de consultas e não de emergências que ocorrem no porta aberta, estamos verificando o horário de pico, para que ocorra uma possibilidade de criarmos uma alternativa de atendimento próximo ao hospital. Tirarmos do hospital para justamente as pessoas que procurarem simplesmente para realizar uma consulta ou fazer um pré diagnóstico possam ser atendidas. Nos primeiros números levantados tivemos a informação que 90% das pessoas que procuram o plantão são de atendimentos eletivos. Seria um atendimento ambulatorial que envolveria uma estrutura e uma demanda de pessoas, que estamos analisando de que forma estaríamos instalando”.

A princípio se estuda a possibilidade desse atendimento alternativo acontecer na Unidade Básica de Saúde Central (PAM). “Primeiro nós temos que identificar os horários de pico e criar esta alternativa ambulatorial, que a princípio vai ser no PAM, porque com a saída do Cras do Edilamar Salvador, estamos pensando em levar as especialidades para aquela unidade e no PAM vai sobrar alguns espaços que poderemos aproveitar, mesmo que seja no contraturno. Porém, não é apenas abrir as portas, tem que ter uma pessoa responsável e todos os profissionais médicos. Tem que ser eficaz e eficiente, tem que funcionar”, reforçou Zancanaro.

Outras possibilidades também estão sendo avaliadas, uma delas é a classificação de risco no atendimento da emergência, o chamado protocolo de Manchester. “Tivemos uma reunião com a direção clínica e administrativa do hospital, justamente para analisar as possibilidades, entre elas a de colocar um segundo médico presencial ou criarmos esse mecanismo diferenciado do plantonista. O que já melhoramos nesta gestão é um plantão de sobreaviso, que é chamado em caso de emergência, que desde fevereiro está à disposição. Precisamos fazer com que o protocolo de Manchester seja implantado e para isso vai haver uma reeducação comportamental das pessoas que chegam, vai ocorrer uma triagem e realmente o tempo de espera será de acordo com a classificação de risco. É um protocolo estudado em nível mundial e que por falta de equipe técnica ainda não conseguimos implantar em Campos Novos”, concluiu prefeito Zancanaro.

O Protocolo de Manchester classifica os doentes por cores, após uma triagem baseada em sintomas, de forma a representar a gravidade do quadro e o tempo de espera para cada paciente. Pulseiras coloridas sinalizam a gravidade do quadro: vermelho para emergência com atendimento imediato, laranja para muito urgente com tempo de espera de 10 minutos, amarelo para urgente em que os pacientes precisam de atendimento rápido, mas podem aguardar com até 50 minutos, verde para casos pouco urgentes em que os pacientes podem aguardar atendimento ou serem encaminhados para outros serviços de saúde e azul para não urgente, em que os pacientes podem aguardar atendimento ou serem encaminhados para outros serviços de saúde.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1500 de 12 de outubro e 2017.

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