Campos Novos tem 65 pacientes ativos do vírus HIV

Ações no município como palestras, testes rápidos e caminhada alertam para a gravidade da doença e importância da prevenção.

Amanhã, sexta-feira, 01 de dezembro, é lembrado o Dia Mundial da Luta Contra a Aids. De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Vigilância Epidemiológica Municipal, em Campos Novos são 65 casos de pacientes ativos, sendo 25 homens, 39 mulheres e uma criança. Em 2017, 5 pessoas iniciaram o tratamento, 3 pacientes foram transferidos para outras unidades, outros 3 pacientes vieram de outros municípios e estão em tratamento em Campos Novos e 8 pessoas abandonaram o tratamento. Os dados indicam ainda que 6 crianças estão expostas e outras 6 foram diagnosticadas entre setembro e novembro.

A equipe da Vigilância Sanitária Municipal recebeu a reportagem do Jornal O Celeiro para uma entrevista sobre o acompanhamento realizado pelos profissionais do setor a pacientes com Aids. A equipe é composta por Dinara Miguel Padilha, responsável pelo setor, a enfermeira Alessandra da Silva, a técnica em epidemiologia Rosangela de Sá Baldin, a farmacêutica Daniela Guzatti Martendal e o médico Júlio Ebrain Néris.

Conforme a responsável pela Vigilância Epidemiológica, Dinara Miguel Padilha, para marcar a passagem do Dia Mundial de Luta contra a Aids, várias ações de cunho informativo estão sendo desenvolvidas. “Foram realizadas palestras em escolas e empresas que solicitaram, testes rápidos em algumas empresas e nesta sexta-feira, dia 1º faremos uma caminhada às 16h, saindo do PAM e seguindo até o Centro”.

A farmacêutica Daniela Guzatti Martendal, explica que notificado o caso, o acompanhamento dos pacientes ativos é feito constantemente. “Quando é notificado, entramos em contato com o paciente e se ele aceitar fazer o uso da medicação, é marcada uma consulta com Dr. Júlio, que faz a prescrição, é cadastrado no sistema do Ministério da Saúde e a partir dali é feito o acompanhamento por meio deste protocolo, para retirada da medicação e tratamento. Então este ano, 5 pacientes começaram a usar a medicação, mas notificados foram 6 pessoas, porém, um deles preferiu não fazer uso dos medicamentos”

O HIV é um vírus que destrói o sistema imunológico (sistema de defesa), transmitido, principalmente por meio de relações sexuais desprotegidas. Sem tratamento, o HIV pode levar à Aids, doença que pode provocar infeções graves e até levar à morte. Os pacientes são tratados por um conjunto de medicamentos capaz de controlar a multiplicação do vírus, melhora a imunidade, reduz a chance de adoecimentos e de transmissão e é fornecido gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde), mesmo que o paciente opte por tratamento na rede privada. Quanto mais cedo for iniciado o uso dos medicamentos, melhor será a resposta ao tratamento.

O maior número de casos notificados em Campos Novos é na faixa etária de 30 a 40 anos, seguida de 50 a 60, de 20 a 30, acima de 60 e até 20 anos, nesta ordem.

O médico Júlio Ebraim Néris falou sobre a maior incidência na faixa etária de 30 a 40 anos. “A maioria fica nesta faixa etária de 30 a 40 porque a Aids é uma doença sexualmente transmissível, principalmente. Então as pessoas começam a ter relações sexuais por volta de 15, 16, 17 ou 18 anos, muitas vezes de maneira desprotegida, vão se infectar com o vírus e mais tarde desenvolver a Aids. Esse tempo desde o contato até a infecção e surgimento dos sintomas leva até 8 anos, aí que ele vai descobrir a doença, que é silenciosa inicialmente, o que retarda o diagnóstico.”

Teste rápido de HIV

A orientação é que teste rápido seja feito por qualquer pessoa. O teste rápido de HIV é gratuito e está disponível em todas as unidades de saúde. Toda pessoa sexualmente ativa deve fazer o teste rápido, especialmente se manteve relações sexuais sem o uso de camisinha, se teve tuberculose ou hepatites virais, se tiver compartilhado seringas ou agulhas, se estiver grávida ou planejado engravidar. No caso de gestantes, Dr. Júlio reforça que o diagnóstico precoce reduz a chance de transmissão para o bebê de 20% para menos de 2%. “É importante fazer o teste, qualquer pessoa, para ter certeza que não tem o vírus e se tiver, possa fazer o acompanhamento adequado”.

Os testes rápidos também estão disponíveis para sífilis, hepatite B e hepatite C.

Prevenção

A principal causa de contágio da Aids é por meio da relação sexual, por isso da importância do uso da camisinha sempre, embora a maioria das pessoas não o faça, mesmo com toda a orientação disponível. “As pessoas por mais que saibam não usam o preservativo, talvez pelo pensamento de que só acontece com os outros ou pela segurança de ter relação sexual com o mesmo parceiro por vários anos. Mesmo que a relação seja com um parceiro fixo, é necessário se proteger ou fazer o teste frequentemente”, alertou Dr. Júlio.

O preconceito

Para a técnica em epidemiologia Rosangela de Sá Baldin, o preconceito em relação à Aids, ainda é um grande empecilho para realização do tratamento. “Eles tem vergonha da família e dos amigos. Então é por causa do preconceito da sociedade que muitos não realizam o tratamento. Todos tem o acesso ao tratamento e acompanhamento. A Aids surgiu em 1984, quando foi declarado o vírus da imunodeficiência adquirida e de lá pra cá ainda não conseguimos superar o preconceito da população e dos próprios pacientes. Nas campanhas e palestras sempre reforçamos que abraçar, dar um beijo, sentar na mesma cadeira, tomar água no mesmo copo, usar os mesmos utensílios não transmite a Aids. Outra questão é que as pessoas acham que quem tem Aids é promíscuo, porque quando a doença surgiu o público alvo eram prostitutas, homossexuais e usuários de drogas. O preconceito ainda continua, mas o vírus HIV pode atingir qualquer pessoa”.

Dr. Júlio reforça que o diagnóstico do vírus HIV não representa uma sentença de morte. A doença tem controle e a pessoa que é portadora pode ter uma vida regular, desde que faça o tratamento adequadamente. Em Campos Novos há pacientes que vivem bem, com qualidade de vida e estão em tratamento há 20 anos.

A Aids surgiu na África, a partir de um vírus chamado SIV, encontrado no sistema imunológico dos chimpanzés e do macaco-verde africano. Apesar de não deixar esses animais doentes, o SIV é um vírus altamente mutante, que teria dado origem ao HIV, o vírus da Aids.

*Reportagem publicada no Jornal “O Celeiro”, Edição 1507 de 30 de novembro de 2017.

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