Moradores de Campos Novos contam como superaram a crise econômica dando a volta por cima e construindo seu próprio ganha pão.
Em meio ao desemprego e muitas exigências de experiência, encontramos aqueles que sobreviveram à crise econômica instaurada no país desde 2016, chegando a atingir 13% no índice de desemprego no ano de 2017 de acordo com o IBGE. Alguns trabalhadores informais nos contam como tem sido desde então a experiência não só profissional como de vida no seu dia a dia.

André Samuel Ligoski Fagundes reside no centro de Campos Novos, tem 27 anos e trabalha como eletricista autônomo desde os 17 anos de idade. Antes disso, se dedicava aos estudos. “É uma profissão que se pode considerar rentável, que o profissional consegue sim manter sua casa e seus familiares”.
A renda do eletricista não é fixa, mas a atividade traz satisfação e garantia de renda, enfatizou ainda André. “Sem dúvida é um trabalho que me gera renda e me traz satisfação pessoal e profissional, pois sinto muito prazer no que faço, mesmo entre altos e baixos com renda fixa ou variável consigo manter a casa e a família tendo uma vida normal”.

Kelli Regina Xavier, reside no Colina das Flores, é mãe e artesã de bordados. Kelli aprendeu artesanato ainda criança apenas por diversão e com o passar dos anos aproveitou como meio de renda alternativa. Tudo começou quando ela se encontrava bordando uma toalha e foi questionada por uma amiga do por que ela não vendia sua arte. Depois de uma pesquisa de preços de material e de vendas, Kelli mesmo sem muito acreditar começou a confeccionar e por indicações de amigos conseguiu criar sua clientela.
Kelli era operadora de máquinas em uma empresa frigorífica, mas depois de um acidente e várias cirurgias ainda não consegue voltar para sua função e usa dos bordados para complementar a renda mensal para seu próprio sustento e de seus filhos. Infelizmente conta ela, ainda não consegue viver só da sua arte. “Falta muito ainda, meu artesanato é só uma maquiagem para a minha falta de estrutura para sustentar todas as coisas. Ele ajuda no básico, o pão, o leite, alguns quebrados para completar a conta de luz. Vivo bem na medida do possível, mas nada de luxo”. A artesã comprou sua televisão com recursos da sua arte, anteriormente, porém, Kelli já trabalhava com bicos de pintura e conseguia ganhar 5 vezes mais que o artesanato rende. Mas a vida a direcionou novamente ao crochê. “Para não me deprimir, voltei a fazer o crochê e foi o que me salvou da insanidade”.
Rosangela Fernandes de Oliveira mora no Bairro Nossa Senhora de Lourdes, tem 33 anos, é manicure e escolheu a profissão aos 25 anos. Rosangela tinha recém se tornado mãe, não podia trabalhar fora e teve a oportunidade de fazer um curso da área. Antes ela era garçonete em um restaurante e já trabalha há sete anos no ramo de manicure.

Ela conta com uma boa clientela, consegue lucrar até R$ 2 mil por mês, mas observa que o mercado tem estado concorrido em Campos Novos. “Hoje uso como renda extra, aqui manicure não é bem pago porque tem muitas profissionais. Está sendo bem competitivo”.
Rosangela conseguiu desde então manter sua casa, roupas e passeios para ela e o filho. “Fiz várias viagens com o lucro do meu trabalho e me mantinha dentro dos passeios com esta renda. Levava a malinha de esmaltes e trabalhava durante as viagens”. Ela gosta de embelezar as mãos e pés das mulheres e dos homens que não estão mais tão receosos com o fato de fazer as unhas. “Nada melhor que ver alguém satisfeito com seu trabalho, além de deixar os clientes mais bonitos, é claro”!
Rosangela tem emprego fixo, trabalha como cozinheira, mas ainda mantém o negócio com unhas. Para ela, estando com a maleta e a mulherada querendo ficar bonita não há tempo ruim.

Marli Rucks de Mattos, moradora da Comunidade São Simão, zona rural de Campos Novos é autônoma da área de artesanatos em chinelos, sempre esteve envolvida com artesanatos, além de ser coordenadora dos cursos do SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural).
Há 3 anos, quando seu filho se casou, Marli investiu nas pedrarias para chinelos para sua nora, mas se adaptou mais que ela e resolveu seguir com o investimento. ”Faz 2 anos que eu faço os chinelos e é uma satisfação, eu me identifiquei. Os chinelos, as pérolas, você ver seu trabalho ser valorizado, todo mundo gosta.”
Com inúmeros modelos de chinelos, Marli consegue gerar um salário de R$1.700,00 por mês. “Tem mês que dá menos, mas eu me ocupo, ocupo meu tempo”. Além de para ela ser satisfatório, também conseguiu viabilizar uma parceria em que compra os chinelos e traz as pedrarias de São Paulo. “Mesmo com o frete dá lucro. As peças são bem mais baratas, no auge. São peças novas, selecionadas e é um bom lucro para se manter”.
Nas festas de fim de ano Marli Rucks de Mattos teve muitos pedidos, precisou de ajuda para manter a clientela e faturou quase o dobro do seu rendimento mensal, tirando todas as despesas. Se sente aliviada em falar que mesmo com a crise, seu trabalho consegue ajudar a manter sua casa. “E nesse tempo de crise, você tem conta para pagar, ai sai para entregar um chinelo e já junta para uma conta de luz, uma conta de telefone, é um trabalho que sempre está gerando lucro”.
*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1517 de 22 de Fevereiro de 2018.






