Manter o controle da sanidade animal e vegetal, melhorar a cadeira produtiva produzindo leite tipo exportação e dar a infraestrutura necessária ao meio rural estão entre as prioridades do novo titular da pasta.

O governador em exercício Eduardo Pinho Moreira empossou na última quinta-feira, 15, o novo Secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, Airton Spies. A pasta, até então, estava sob o comando do deputado estadual Moacir Sopelsa.
Em sua gestão, reforçou o novo secretário em entrevista ao Jornal O Celeiro, será dada especial atenção à infraestrutura no meio rural, com melhoria das estradas rurais e a busca pela ampliação da rede elétrica trifásica e da internet no campo. “Nós temos agora 129 municípios catarinenses que serão beneficiados com o Programa Internet para Todos do Governo Federal, com apoio do Governo do Estado, para obter sinal de satélite que será colocado à disposição das comunidades rurais”.
Áreas como fomento agropecuário, extensão rural, pesquisa e defesa sanitária também estão entre as prioridades de Airton Spies. “Neste sentido vamos dar atenção especial à sanidade animal e vegetal, um reforço dos trabalhos de assegurar este grande patrimônio no estado de Santa Catarina, que é a sanidade, que nos permite acessar aqueles mercados premium, já que 60% do nosso PIB agropecuário vem da proteína animal, temos que zelar muito pela biossegurança do nosso estado”.
Melhorar a cadeia produtiva do leite, visando futuramente produzir leite tipo exportação, é outra meta do novo Secretário de Estado da Agricultura. “Temos que trabalhar o desenvolvimento da cadeia produtiva do leite. A produção leiteira é uma atividade de grande repercussão social e econômica do nosso estado e tem um potencial muito grande de melhorar o processo produtivo, de profissionalizar a cadeia produtiva, mas isso só é possível se nós prepararmos o nosso leite para ser um produto competitivo no mercado internacional”, afirmou Spies.
Santa Catarina tem uma produção e leite que aumenta num ritmo de 6% ao ano, sendo a atividade que mais cresce no estado. Porém, para o estado ser capaz de suprir o mercado internacional, o setor tem grandes desafios, passando pela redução de custos e organização logística da cadeia produtiva. Envolvendo 45 mil produtores em todo o estado, a produção girou em torno de 3,4 bilhões de litros em 2017, um incremento de 8% em relação a ano anterior. A produção de leite está concentrada, principalmente, nas pequenas propriedades de agricultores familiares e representa uma importante fonte de renda no meio rural.
Spies reforçou que para que o leite produzido no estado chegue ao mercado internacional há uma série de obstáculos a serem vencidos. Entre eles melhorar a qualidade, principalmente, o teor de sólidos; eliminar doenças do rebanho como a brucelose e tuberculose; aumentar a eficiência da produção e reduzir os custos.
Outros desafios da pasta
Entre outros desafios frente à pasta da agricultura no estado, Spies cita a busca de alternativas para melhorar o abastecimento de milho no estado e o trabalho junto ao Governo Federal para reabertura do mercado da Rússia para carne suína catarinense. “Isso está sendo trabalhado pelo Ministério da Agricultura, porque a suspensão foi para o Brasil e não para o estado de Santa Catarina. Na semana passada houve um evento em Florianópolis entre a Embaixada Russa e a Câmara Russa de Comércio, onde foi manifestado que as discussões e avaliações estão avançando, com uma expectativa positiva para a reabertura deste mercado”.
Conforme Airton Spies, Santa Catarina é o segundo maior consumidor de milho do Brasil e o oitavo produtor. O estado produz em torno de 3 milhões de toneladas de milho com uma projeção de redução neste ano e consome quase 7 milhões de toneladas, com um déficit de 4 milhões de toneladas. No Brasil, embora exista um superávit, o produto está distante do estado, o que encarece o custo. “Hoje milho existe no Brasil, o país vai ter um superávit em torno de 30 milhões de toneladas. Vamos produzir este ano entre 90 e 92 milhões de toneladas e vamos consumir 60 milhões de toneladas. Então tem milho brasileiro sendo exportado. Mas este milho brasileiro está longe de Santa Catarina, estamos buscando o produto com transporte rodoviário com distâncias que vão até 2 mil km no norte do Mato Grosso e isso aumenta o nosso custo”.
Conforme o secretário, o estado trabalha com algumas alternativas para reverter o quadro. “A primeira é apoiar a produtividade aqui no estado, porque nós podemos chegar a 10 toneladas por hectare em média e com milho mais produtivo vamos ter mais competividade em relação à soja, que vem assumindo a maior área da lavoura de verão de Santa Catarina. Também estamos apoiando os investimentos em armazenagem. Santa Catarina ainda tem déficit, que hoje estimamos em torno de 500 mil toneladas em armazéns, para que nenhuma produção do estado tenha que sair daqui por falta de armazém no momento da colheita. A longo prazo, temos que viabilizar o transporte ferroviário, pois o transporte rodoviário é o mais caro que se tem. E recentemente começamos a trabalhar com uma outra alternativa que é o milho do Paraguai, por meio da Rota do Milho, que poderia entrar Via Missiones/Argentina, que fica a pouco mais de 100 km de Dionísio Cerqueira, passando o milho por balsas via Rio Paraná. Há milho lá no Paraguai que pode chegar ao Oeste Catarinense”.
Os últimos números apontam para um aumento da produção de milho destinado à silagem. “Isso é um bom problema, os produtores estão usando o milho para silagem porque estão convertendo este milho em leite e carne bovina, por meio de um sistema de produção que gera renda, empregos e é muito saudável para a economia”, exemplificou o secretário.
Suspensão da exportação da carne de frango da BRF para a União Europeia
Airton Spies também se manifestou sobre o anúncio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, feito na última sexta-feira, 16, sobre a suspensão temporária dos embarques de carne de frango da BRF para a União Europeia. Em Santa Catarina são três plantas impedidas de vender o produto para o bloco europeu, localizadas nos municípios de Concórdia, Chapecó e Capinzal. A medida é preventiva, temporária e foi estabelecida pelo próprio Brasil, enquanto o país esclarece sobre as denúncias da Operação Carne Fraca. “É importante que os leitores entendam que é uma interdição preventiva e temporária feita pelo Ministério da Agricultura do Brasil, não foi a União Europeia que suspendeu as importações do Brasil. Eu falei com pessoal do Ministério e eles justificam que como houve a Operação Carne Fraca 3, que chamaram de Operação Trapaça, são problemas relacionados à salmonela e a Europa é muito exigente neste aspecto e tem que haver esclarecimentos. O Ministério entendeu que o melhor procedimento neste momento era fazer esta suspensão voluntária por parte do Brasil”.
Segundo a BRF, os produtos já alocados na União Europeia ou produzidos e embarcados antes de 16 de março podem ser comercializados e utilizados sem restrições. Nesta semana, técnicos do Ministério da Agricultura iriam até Bruxelas para reunião com autoridades sanitárias da União Europeia. A expectativa é de que após o encontro, a medida seja reavaliada. Spies afirma que o bloco europeu é um importante mercado para avicultura catarinense e respondeu por 15,2% das exportações de carne de frango em 2017. No último ano, 147,8 mil toneladas do produto foram destinadas aos países da UE, gerando um faturamento de US$ 364, 9 milhões. O secretário ressalta que a medida preventiva é válida apenas para os frigoríficos da BRF e exclusivamente para os produtos com destino à União Europeia, não comprometendo outras empresas e mercados.
Santa Catarina é o segundo maior produtor de aves do Brasil, com 2,1 milhões de toneladas produzidas em 2017. Boa parte deste total é destinada ao mercado externo. Hoje, o Estado exporta 46,2% de sua produção, que chega a 120 países ao redor do mundo. Os principais mercados da carne de frango catarinense são: Japão, Países Baixos (Holanda e Bélgica), China, Arábia Saudita e Reino Unido. A avicultura tem o maior Valor Bruto da Produção Agropecuária Catarinense, com um faturamento de R$ 6,2 bilhões em 2017. “É hora do Ministério da Agricultura mostrar que o nosso trabalho de fiscalização e controle sanitário é bom, que atende as exigências e a gente pode sair fortalecido, mas de imediato sabemos que há um prejuízo”, concluiu Spies.
*Reportagem publicada no Jornal “O Celeiro”, Edição 1521 de 22 de março de 2018.







