Situação é preocupante e requer ações mais eficazes
Não é novidade o fato de que o uso de drogas é um dos principais problemas a ser combatido em Campos Novos. E mesmo com um trabalho organizado para combater este crime o número continua a crescer. E isso se torna ainda mais preocupante porque muitos adolescentes estão sendo aliciados a entrarem neste submundo. É uma tragédia familiar e social.
O juiz da infância e adolescência de Campos Novos, Dr. Daniel Lisboa Mendonça, após reunião com o Conselho Municipal Antidrogas, destacou que é alarmante e epidêmico o número de jovens envolvidos no tráfico. “Os números de Campos Novos são superiores se comparados a outras cidades que atuei”, afirmou.
O envolvimento desses adolescentes no crime gera consequências que afetam os mais variados setores, pois muitos jovens se afastam das escolas e se dedicam as drogas. Para sustentar o vício, como muitos ainda não trabalham, acabam tendo que roubar, inclusive dentro do próprio lar, gerando uma sensação de insegurança e impotência.
Para a assistente social do CAPS-Centro de Atenção Psicossocial, Fernanda Lima Deporte, essa situação acontece por inúmeros motivos, um deles é a falta de estrutura familiar. “Muitos pais não dão exemplo dentro de casa. Já outros não supervisionam os filhos e nem impõe limites. Percebemos no dia a dia que a primeira experiência é na fase da pré-adolescência, onde esse jovem não tem perspectiva, apresentando falta de sentido pela vida, insegurança, raiva, desprezo de si, abandono dos pais, solidão, ou mesmo o fato de ter tudo o que quis ao alcance da mão.
Fernanda prossegue afirmando que a questão é mais complexa do que se imagina e envolve fatores internos e externos ao jovem, pois a droga proporciona momentaneamente a sensação de bem-estar e prazer, porém posteriormente acarreta imensos prejuízos ao jovem, a sua família e a sociedade. “Percebe-se que a facilidade de oferta das denominadas drogas-legais- licitas como o álcool e tabaco, muitas vezes são o caminho de entrada para essa problemática”. Ela aponta também a questão da curiosidade dos jovens em experimentar a droga, como se estivessem fazendo uma descoberta, mas depois já não conseguem se afastar do vício. “Muito jovens que passam situações difíceis e tem medo de encarar a realidade buscam na droga um refúgio, é um meio de fuga de sua realidade. É muito mais fácil fechar os olhos para vida real, do que enfrentar situações que causam dor”, conclui Fernanda.
A reunião realizada entre o juiz Daniel e o Conselho Municipal de Drogas buscou alinhar uma ação coordenada da comunidade, dos órgãos de segurança e demais autoridades objetivando a melhora da situação. Os órgãos públicos pretendem agir de forma unificada até encontrar uma alternativa eficaz para combater o uso e venda de drogas, e evitar que o número de jovens no crime aumente.
Em Campos Novos existem alguns órgãos como o Programa Educacional de Resistencia as drogas e a Violência (Proerd) e o Conselho Municipal Antidrogas (Comad) que promovem um trabalho voltado a educação e aconselhamento. As escolas também contam com o Programa de Combate a Evasão Escolar (APOIA) que notifica os casos de evasão escolar ao Conselho Tutelar. Porém ainda são necessárias mais ações para alcançar os que estão na ociosidade, sem perspectiva futuras.
*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1529 de 17 de maio de 2018.







