Campos Novos começa a sentir os efeitos da paralisação.
Nos últimos dias não se falou em outra coisa que não fosse a paralisação nacional que já dura mais de uma semana. O movimento começou por meio dos caminhoneiros autônomos que não aceitaram o aumento da gasolina, que segundo eles é um absurdo. Daí em diante começou uma movimentação que foi crescendo a cada dia e ganhando novos adeptos. Campos Novos teve seus trevos todos tomados por caminhoneiros que se negaram a ‘arredar os pés’ até que tivessem suas reivindicações atendidas.
Nestes momentos de raiva, confusões e dúvidas muitos procuram achar culpados em todos os lugares, a princípio até mesmo os postos de combustíveis foram apontados como vilões dos impostos. A gerente do Auto posto Tropeiro, Ilana Braga, explicou que o combustível já chega as mangueiras cheios de impostos. De acordo com a tabela da Federação Nacional do Comércio de Combustível e Lubrificantes (Fecombustíveis) os Tributos federais chegam quase a R$ 0,70, tributos estaduais chegam quase a R$ 1,0 e a CIDE, Pis/Cofins e o ICMS juntos chegam quase ao valor de R$ 2,0, e estes valores oscilam bastante. O aumento contínuo pesa muito no bolso da população que precisa do combustível. Segundo Ilana, até os postos aderiram a paralisação em apoio a classe e exigindo menos impostos nos combustíveis. “Todos os postos pagam uma alta tributação em cima do combustível”, garante.
O que começou apenas com a classe de caminhoneiros ganhou grandes proporções e apoio ao levantar causas que estão além da alta no valor dos combustíveis. “Não é pelo dinheiro, e sim pelo desrespeito e corrupção que estão por trás dos impostos”, resumiu um dos manifestantes. A movimentação moveu o povo a buscar um país menos corrupto. Em Campos Novos postos de combustíveis, empresários e até as grandes cooperativas aderiram a greve, mesmo significando prejuízos aos próprios. O diretor da Coopercampos, Luiz Carlos Chioca, que esteve presente em algumas paralisações, reiterou seu apoio à causa, e mesmo ciente das perdas, ele vê a luta dos caminhoneiros como justa. “O Brasil está passando por um momento difícil, não da pra continuar como está, o brasileiro preciso abraçar esta causa. As perdas para a empresa são grandes, mas a causa é justa, depois corremos atrás do prejuízo”, diz.
O presidente Michel Temer fez dois pronunciamentos durante a semana, no primeiro ele chamou os manifestantes de minoria radical e exigiu o cumprimento do acordo feito na quinta-feira passada (24) que daria fim as manifestações pelo período de 15 dias. Temer afirmou o acionamento das forças militares para desobstruir as estradas, no entanto, mesmo em tom ameaçador os caminhoneiros não cederam e continuaram a paralisação.
O último discurso aconteceu na noite de domingo (27), mas desta vez o presidente, mais calmo, apresentou novas propostas aos caminhoneiros. Uma delas é referente a retirada do PIS/Cofins e a Cide, garantindo a redução R$0,46 por litro do óleo diesel, e esse valor ficará congelado durante 60 dias e não mais durante 30 dias, como foi previsto no acordo anteriormente. As garantias do presidente, pelo visto, ainda não foram suficientes, e a maioria dos estados e cidades continua firme com as manifestações. Em Campos Novos os trevos ainda estão ocupados por caminhoneiros que exigem mudanças mais profundas.
O prefeito Alexandre Zancanaro se reuniu com produtores rurais, Defesa Civil, Secretaria de Agricultura e após diagnóstico de impactos, na terça-feira (29) decretou situação de atenção. “Estamos decretando Situação de Atenção no Município, pois alguns dados nos mostram que atualmente mais de 60 mil litros de leite por dia estão sendo desperdiçados. A situação da produção de frango é uma das mais preocupantes, pois já há falta de ração, prejudicando os agricultores e produtores”, relatou o prefeito. Além desta situação, os suínos também estão sofrendo devido ao desabastecimento da ração, levando a consequente morte destes e outros animais. Além do descarte de aproximadamente 1.000.000 (um milhão) de ovos de granjas avícolas do Município. Caso a situação se agrave, nos próximos dias poderá haver interrupção de serviços essenciais à população, em especial os serviços de saúde, educação, agricultura, coleta de lixo e de segurança pública.
Diante disto, o Decreto deixa os servidores municipais, bem como a população em alerta, pois, a continuidade da paralização, demandará ações emergências da Administração Municipal.
Nesta quarta-feira (30) Caminhoneiros, empresários e a população se juntaram para mais uma paralisação geral. O trevo da Coopercampos ficou tomado por pessoas que esperam ter um Brasil mais justo. O caminhoneiro Rodrigo Pereira afirmou que a briga não é só em prol da classe, mas é por todos os brasileiros. “Queremos um mudança geral no Brasil, e a manifestação não vai acabar enquanto não conseguirmos”, disse esperançoso. Em volta das fogueiras, os trabalhadores seguem em seu décimo dia de paralisação.
*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1531 de 31 de Maio de 2018.













