Quinta-feira , 19 Julho 2018
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Estatísticas comprovam: Homens adoecem mais que mulheres

Dados mostram necessidade de mudança de atitude dos homens com relação à saúde

Os números não mentem: as mulheres cuidam da saúde muito mais que os homens, talvez isso justifique o fato de que os homens vivem de 6 a 7 anos menos que as mulheres. Dados do Mistério da Saúde apontam que no ano de 2017 foram consultadas 80 milhões de mulheres a mais que os homens, diz também que de cada três mortes de adultos, duas são de homens. O Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) realizado pelo Governo Federal constata que 18% dos homens brasileiros são obesos e 57% apresentam sobrepeso. Com relação ao tabagismo, 12,7% fumam e sobre doenças crônicas, 7,8% dos homens têm diabetes e 23,6% têm hipertensão. Além de adoecerem mais, eles ainda têm a vida mais curta porque são os que mais se envolvem em acidentes graves.

Mesmo com as estatísticas contra, alguns homens relutam em buscar ajuda e ter uma vida mais saudável, fato que comprova a necessidade urgente de mudança na atitude e no seu estilo de vida. Fatores como o uso de bebidas e fumo podem trazer sérios problemas para o coração, podem também aumentar os riscos de uma hipertensão, e todas essas doenças abrem portas para outros problemas, um deles é a disfunção erétil. A impotência sexual atinge, em alguma medida, quase todos os homens depois dos 40 anos, podendo ser um indicativo de doenças cardiovasculares, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.

Felipe de Melo de 19 anos diz que são raras as vezes que vai ao médico e quando vai é empurrado pela mãe, ou quando está muito doente, o que ele diz ser bem difícil de acontecer. Para Márcio Costa de 43 anos, a situação era similar na juventude, elo fato de adoecer poucas vezes ele não dava muita importância a saúde. A situação mudou quando apareceu uma mancha na pele e sua esposa insistiu para que ele fosse ao médico, até que descobriram um início de câncer de pele. “Sempre fui desligado, nunca me importei em me cuidar ou ir ao médico, hoje me cuido mais”, relata.
O médico Rodrigo Bagatini diz que hoje em dia, infelizmente, os homens não se importam com a saúde, e um dos motivos dessa relutância masculina é o fato de acharem que adoecem pouco, e também por se acharem numa posição de super-homens dentro lar, e acham que não podem adoecer.

Rodrigo Bagatini

A maioria dos homens não sabe ao menos o nome da especialidade médica mais indicada para cuidar da saúde da classe masculina. Para o médico Rodrigo a ideia de que o homem não pode demonstrar fraqueza é cultural, e por isso muitos acabam por deixar para lá a visita ao médico. O médico urologista é o medico mais indicado para atender os homens. Tanto jovens quanto idos devem ter a consciência de que independente do sexo todos deve primar por uma boa saúde, e bons hábitos são indicados para todos, incluindo as visitas ao médico para a realização de exames de rotina. No entanto Rodrigo ressalta a necessidade ainda maior de homens a partir do 50 anos buscarem ajuda médica. “Os mais vulneráveis a doenças são os homens a partir dos 50 anos, eles devem pelo menos uma vez ao ano ter uma consulta médica”, aconselha.

Um tabu a ser quebrado

Depois do câncer de pele não melanoma, o câncer de próstata tem sido um dos maiores fatores de morte me homens. O que poderia minimizar os casos seria uma postura mais preventiva por parte do afetados. Se para muitos a ideia de ir ao médico já é ruim, fazer um exame próstata é o pior ainda. O preconceito tem levado muitos a descobrir a doença quando ela já esta em estágio avançado e já não há mais tratamento. Este preconceito ou estigma precisa ser quebrado para que os homens possam ter mais saúde e vivam mais tempo. O médico Rodrigo relata que existem homens casos de homens que estão idosos e nunca foram ao médico, comprovando a falta de consciência consigo mesmo. “Existem pessoas de 60 a 70 anos e nunca nem mesmo fizeram os exames mais básicos”, comenta, alertando sobre a necessidade da mudança de atitude.

*Reportagem publicada no Jornal O Celeiro, Edição 1536 de 05 de julho de 2018.

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